quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Terceirizando a culpa

Poesia miúda
linguagem absurda
escrevo
culpado
é quem me lê.
na madrugada ligo a máquina
sabão em pó amaciante
modo
extra baixo
dia a dia
enquanto escrevo
lavo roupas
lavro poemas
todos para estender sob
o sol da primeira manhã

vai ter cor.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Semitom

pudesse atacar as notas no piano
com a mesma intensidade
com que jogo em teu colo
estas palavras
do alto de mim
a vida é grave
mas pudesse
eu me elevava em sustenidos
bemóis
sóis
e sorria ao solfejar
a dor aguda em teu coração
até o final do próximo compasso
terás que voltar
a tempo.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ainda serei maratonista

Enquanto corro
sinto
talvez eu possa voar
um dia
leve escorrendo de mim
o vento a me abraçar
o céu cantando estrelas
a música da rua
gente a passar
nenhum esbarro
encontro ainda
mas como é bom
viver.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Eu me atiro

como a bala de
um tiro dado para cima, não
ninguém morreu ainda
mas a 450km/h eu te acertei
andando e
a palavra saiu da
minha boca
girando
furou o ar
perfurou o tecido
do teu corpo pele
macio
nem fiquei pra ver
mas insistem dizer
que foi
letal.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

preamar

hábito do mar
ir e vir e
ir e vir
e ir e
vir
o dela
é sol

ficar
O vento canta
madrugada adentro
ao pé da minha janela mas
eu não sou capaz de traduzir uma nota
sequer posso abri-la deixá-lo entrar
dançar comigo
Os sinos tocam e ressoam por
toda cidade a hora dos que
                             [rendidos
não podem estar e
por isso figem dormir
mas estão pesados demais para
sonhar.

sábado, 12 de novembro de 2016

Empresto minha pele ao poema
que escreves
Dói-me a ponta do lápis marcando caminho
desenhando formas que fogem das minhas
Atravessam-me pontos vírgulas
vidas
misturadas ao sangue correm por mim
linhas e linhas que não aderiram a palavra alguma
É por isso que falto e
se grito não me ouça até
que eu possa cantar.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ajeitar as lentes
montar o cenário unindo
imagens pouco prováveis
o mar ajoelhado a teus pés.

Peço ondas de ti recebo
tsunamis
recolho ostras
conto os grãos de
areia nos olhos.

30mm
pouca luz você
se mexe demais diante da
manhã em branco.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Dói-me a terceira costela
do lado direito
Percebi na fila do supermercado as
falsas verdadeiras e flutuantes
certezas
equilíbrio?
nem peça
não tenho.

domingo, 6 de novembro de 2016

Mesmo este poema, não
ele não sabe de nós
das palavras que se costuram
livres
dos verbos que seguem
acontecendo

Mas agora, não
quem vier gastar um tempo
com minha poesia sairá
vazio
ou

cheio de mim.

Volta

Poderíamos ser os oito hoje
se não te faltasse
na mesa durante o almoço
na sala em meio as conversas
sempre tua ausência
tua falta anunciada para quem quiser
sem ti
éramos seis
éramos tantos
caçando estrelas na varanda
sem luz aqui
estão meus passos
por ti
reviro pedras
encontro
caminho
quero abraçar
não posso.


sábado, 5 de novembro de 2016

Essas trocas gasosas
que nossos pulmões fazem
quando nasci meu corpo
pequenino
não estava aparelhado para isso
Sentir foi difícil
no começo da vida eu necessitei de
máquinas para aprender
que fomos feitos para funcionar apenas
ao nível do mar
mas quis o voo
não deu
eu quase faltei no mundo
Agora imagina país sem alice
ou rainhas
caminhos ou respostas
imagina sol
o tempo todo
eu era
seu
céu
não havia
o tempo todo
eu era só
imagina.


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Três

Despedimo-nos com
abraços apertados
com força ficava
o cheiro
do que tínhamos sido
em todas as coisas
como moldura daqueles dias
o mar saberia contar nossos segredos
antes que eu caísse
já sentia dor:

quem de nós a partir
quem a nos abandonar?

do sonho ao pesadelo
seguir sem vocês
não dá.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Que é isto de ser poeta?

Vou pedindo socorro
Estas palavras aqui comigo
estão rindo na minha cara
juro!
Sabem que estou perdida sim
É difícil dizer alguma coisa
sobre estar ou como sair

Matei de fome
o poema
vesti-me de preto
chorei nas linhas
breve
terra sobre o túmulo

aqui estou eu
livre de
mim.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Tenho fome

Quanto mais cheia de si
vazio
o outro que não é necessariamente
paraíso tampouco
inferno

Quanto mais cheia
longe de Ti
afasta de si
certezas

Canto
mas é
deserto

o eco.

domingo, 30 de outubro de 2016

Um rinoceronte ou um camundongo?

Sim
não tenho certeza estou 
agora abraçada a pontos de interrogação 
quietos procurando sentido
Risco equações insolúveis
em papéis sobre a mesa 
em agonia sobre as letras
tento me distrair 
sair sozinha 
rir 
ir 
Pouco é viver e só
acho que vou diminuindo
de novo estou tomando camundongos por rinocerontes.

sábado, 29 de outubro de 2016

Susto

Agora a pouco levantei e
enquanto escovava os dentes
através do espelho não era
a mim quem eu encarava
sorrindo
com meus olhos não
era a mim quem eu
conseguia enxergar mas habitava
o jeito inteiro do meu corpo
das minhas confusões palavras
riscando céus na minha boca
misturadas a água e sal que eu
usava para fazer gargarejos
                                   [recomendações médicas
porque alivia as dores na garganta
porque assim me sabia salgada
primeira vez que cuspo poesia
sem me importar com o que vai pelo ralo
voltei a deitar
dormi.



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Fragmento

troquei senha do email há trinta e sete dias
mas ainda me lembro e
tento abrir as janelas
com a mesma força de outrora
não dá
aqui todas as portas estão emperradas
qualquer dia desses não vou poder entrar
em casa não vou poder estar
no que sou
esta luz que me atravessa canta
o ruído por trás das coisas enquanto
                                      [caminhando
este sol batendo na cara
é passagem comprada
sinais de mar em pleno concreto
este momento outubro
em ondas

velhas senhas até parecem
me escolher.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Prece

Estou sussurrando baixinho que
é sagrado
que é segredo:

Senhor, vem
e me poema.


sábado, 22 de outubro de 2016

pois ia

eu
sem mim não saio
e quando vou
peso menos por ser
que por fingir não estar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Contra a maré

Case-se
tenha algo
um alguém
como se fosse um insulto à vida
apenas ser

nestes dias amor é pura vaidade
e se queres saber
já nem uso espelhos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ali se
virando a esquina
não é nada mais que
uma rota perdida
um ponto-nó de
encontro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

É a razão quem canta

E o que me falta mesmo, muitas vezes, é só alguém pra conversar. Conversar e sorrir. Porque eu acredito que o amor é mais uma questão de almas que se reconhecem que de corpos que se tocam.

domingo, 3 de julho de 2016

Não escrevo mais
Virão até mim convites
Novas publicações
Prêmios até
notas  em jornal
Cinco estrelas no caderno cultural
de quinta
Quem se importa com inéditos
Numa manhã de domingo
Decidi
Não escrevo mais

Até amanhã.

sábado, 2 de julho de 2016

Em birra com as palavras

Encaro na agenda
a lista das tarefas
que não fiz
depois
suporto a folha em branco
marca dos versos que não quis.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Idioma

meu poema
na tua língua
diz versos que
nem sei

tocam o céu

da tua boca
meus poemas despencam
como estrelas caídas

eu me cubro com
o pó

tudo reluz feito
meu poema
em tua língua
ninguém traduz.

domingo, 15 de maio de 2016

Vontade

eu já quis
virar um poema
ter uma casa na árvore
escrever um livro
gostar de rock
aprender francês
ter mais janelas no quarto
estudar gastronomia
morar no quinto andar
correr uma maratona
aprender a nadar
patinar no gelo
gostar de matemática
ser bailarina
ter um cachorro
morar num sorvete
ser verão pra sempre
eu já quis
te encontrar

dizer
eu te amo.

terça-feira, 5 de abril de 2016

abril
e março, gasto
querem me fazer prova de que
não
a sul
do sal
do sol
de si

recria o mundo
só.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

por onde flores
tu me espinhas a pele
cantando valsas para lua.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

o meu primeiro poema não-brinquedo
foi para ti
o segundo o terceiro
os que virão
o infinito que a matemática criou
a soma que nos subtraiu de nós
agora
dividindo amores
por aí

sábado, 16 de janeiro de 2016

Em par, em paz

feito Deus crescendo em mim
a luz  que se estende do teu corpo 
vem me encontrar
sorrindo
agora sou eu quem vejo
Ele dentro de ti
talvez seja uma extensão de
nós

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As nossas mães combinam em seus nomes
isso eu não te contei
também tentei combinar os nossos de
diversas formas, tão clichê!
Improvável, você diria
acho engraçado as palavras
nunca
sempre
cantarem presença
em todos os meus discursos sobre você.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Motivo 16


sempre há
novas formas de amar e
ser sempre amor.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O verbo

Nascer
verbo do princípio
origem da eternidade.
Passamos a ter vida, naturalmente,
depois da Tua vinda
descendemos de Ti
inacabados que somos
achamos longe a perfeição.
Nascemos
Tu vens nos encontrar e nos leva como meninos
perdoa  travessuras
sem castigos
livres
aprendemos do Teu amor
sem passar pelo deserto
é certo que iremos te encontrar
nascendo
.
.
.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

É só para te ver de novo
que eu invento esse poema.
As cores são minhas
as linhas do
desenho do teu rosto
as tuas mãos sorrindo.
São todas cenas minhas
frente a esse espelho
imagem distorcida
por não te encontrar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Trazer-te para perto

quando faz muito azul
eu lembro
refaço todas as rotas paro
exatamente ali
onde nos perdemos?
sempre a pergunta
quando faz muito azul
eu lembro
que dói em cada pedacinho do coração
encharcado de azul
o corpo todo dói
tudo dói

eu não consigo mais
você aqui.


domingo, 13 de dezembro de 2015

eu venho com o mar
inteiro
dentro de mim
Tu vens quebrando
ondas de paz
me faz forte, valente
cheia de Ti

eu venho com o mar
cheia de sal
Tu vens como o sol
para dentro de mim
me faz farol e caminho
tenho a certeza de Ti
nas mãos

eu venho com o mar
Tu vens cheio de Graça
me abraçar.


sábado, 12 de dezembro de 2015

Indelével

bate a saudade
apanha o corpo inteiro
traços da memória morta
cheia de marcas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Nos meu sonhos a cura
a vontade suplicada
o abraço
favor, o laço
eu sonho nos meus sonhos a cura
sem espera, o voo.
no ar, mergulho
na pele, arrepio
no corpo quem me falta ser?
a mensagem anunciada:

não posso mirar uma ave que
sinto inveja.

sábado, 28 de novembro de 2015

Eu, que aprendi a pescar borboletas




Maravilhoso Jardim,

como começar sem dizer que já estou com saudade de vocês? Cansada, sim, mas com o coração saudoso e feliz por tê-los encontrado no meu caminho, ao invés da pedra do Dummond! (Risos) Vocês me cobraram presentes e eu penso que devo lhes oferecer o melhor deles, o que tenho de mais precioso: minhas palavras. Palavras porque são vocês quem me ensinam a brincar com elas, a criar um mundo novo, sempre possível. Palavras porque vocês são quem as enchem de encanto e verdade, toda vez que lhes emprestam voz. Palavras porque são vocês quem lhes dão significados, quando crescem dentro de mim. Eis, então, as palavras-presente:

Delayla, obrigada por amar sorrindo esse sorriso tão seu. Obrigada me encher de dúvidas e depois me explicar o mundo, sem complicação.

João, obrigada por me ensinar a brincar. Obrigada por me ajudar a construir um mundo brincante. Obrigada por lembrar que, realmente, não vivemos para brincar, brincamos para viver. Brinque sempre, João!

Lavinia, obrigada por construir palavras novas comigo. Obrigada por me ensinar que “quando a gente ama, nunca solta”. Obrigada por não me soltar, e amanhecer dentro de mim.

Monique, obrigada por encher de cor o silêncio do mundo. Obrigada pela delicadeza do seu corpo entre nós, pelo gesto terno e coração quentinho.

Rayan, obrigada por sua alegria. Pelos abraços sem hora marcada, por querer estar sempre perto. Obrigada por vir sempre ao meu encontro. Ah, não esquece de me convidar para uma visita quando você mudar para sua casa na praia. Eu adoro o mar!

Rayssa, obrigada por me deixar ser a princesa do seu reino, mas a coroa é sua! Obrigada por me ensinar a ler seus olhos, eles falam por você e são coisas magníficas. 

Yasmim, obrigada por nos emprestar a luz que vem de ti. Como o sol, você brilha, e tem o cheiro doce do que é claro e nos faz sorrir. Obrigada pelas perguntas que me fazem duvidar de mim e acreditar mais em você que na ciência.


Meus queridos, obrigada por seguirem o coelho comigo, por me fazerem lembrar que o país maravilhoso de Alice existe, sim, e pode ser cada vez melhor!


Com amor,
Pró Alice.    

Motivo 15


sou sol
  e só
não ando
amanheço sóis

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

na valsa e no vapor

eu-líquida
nestes dias de verão
evaporo

sem pretensão alguma de
ser
condenso-me
em altas temperaturas




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Voo, volto

ontem pari uma palavra nova
está sem nome ainda
riscando o céu da minha boca
sem me dizer nada
talvez seja uma palavra divina e me 
leve
para perto de Ti novamente

outra vez sublime.



no passo
de mil compassos
penso
paro
precipito
caio
e
vou
cantando

Quem não somos mais

Ela poderia ser Marília. Ele, João. Cheios de malas e de amor. Ele eu vi primeiro, o amor. Não sei que ônibus pegariam mas aposto que era para a capital. João, Marília e o amor esperavam um ônibus para capital enquanto eu, da janela do interior do interior do interior de mim, observava atenciosamente todos os movimentos de seus corpos no ar (embora estivessem presos ao chão, os pés) equilibrando meu milk shake (de 500ml com pedações de morango) entre os dedos. A cada segundo de espera João usava suas mãos para despertar afetos no rosto de Marília. Assim, arrumava seus cabelos atrás da orelha a fim de que houvesse espaço para beijar suas bochechas que se enrubesciam a medida que, depois, ela sorria, talvez, achando aquilo desnecessário. Ele não parava quieto. Girava ao redor de Marília, protegendo-a. Do meu interior, morria de medo que os olhos daqueles dois me flagrassem, mas continuei. Houve um época eu contava casais de mãos dadas pela rua, diariamente. Depois eu julgava meu dia pela quantidade deses encontros. Julgava o amor, sem dó.

domingo, 22 de novembro de 2015

morreu o poema
mudo
na sombra da tua boca
suja
clamando por mim

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Motivo 14

Na aula...

Eu: hoje também é um dia muito especial. É que hoje comemoramos a existência de uma declaração muito importante que fala sobre as crianças terem direitos! Quem pode me falar o que é direito, ter direito?

Crianças: A gente tem direito de brincar!


Sorrio: pelo direito de brincar e ser criança!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mas não

dentro de um corpo esguio
dou passadas firmes e
até sinto o volume do chão nos pés
cabeça erguida olhar fixo
as mãos em ritmo cronometrado direita esquerda
os ombros fazendo parte da mesma melodia
sem me distrair
toda gente passa
os retalhos das conversas
constelações
eu me concentro
levo meu corpo
qualquer um diria que sei exatamente
por onde vou.



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Através do espelho

Eu era qualquer coisa semelhante a mim
naqueles dias excessivamente pesados
quebrava pratos no chão
cacos
perto dos pés qualquer caminho faz estrada
de não ir
eu era maior que
a culpa pendurada no peito
como medalha
vencida
vendida
eu era qualquer coisa semelhante ao
que queria ter sido
e fui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

com que frequência
você abre  os olhos
e vê
não interessa
mas eu queria saber
se

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Então, posso dizer que te vi também?


Sim, talvez você tenha me visto. Eu era salgada como só o mar me faz ser. E sorria. Sorria apertando os olhos, então aquela bolsinha que tenho abaixo deles se enchia de estrelas. As estrelas sabem sobre mim toda uma constelação. Eu sorria e revelava todos os meus dentes em um sorriso amplo, inclusive a manchinha branca que marca o canino direito. Fixo, o horizonte acenava brilhante para mim. Apenas uma mão diz adeus. Então, eu fui.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

eu
não tenho um barco
não subo em árvores
já não sujo o pés na terra
seca
não tenho dores na perna
não cresço mais
estou flor
não tenho medo
não faz primavera
beijo 
meus espinhos e
com a boca a sangrar
canto
um poema qualquer
um consolo, a vida
quando
adormeço.




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Corrida II

Tinha superlua
vento assobiando sol
pra mim
muitos caminhos
tantos
pés na contramão
e eu nem aí
pra vontade de desistir.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Tudo novo de novo, outra vez

essa palavra
que te reinventa completo
no meio do dia
de corpo olhos mãos alma
anuncia
teu rosto ainda sereno
sorri pra mim
confesso
dá um trabalho enorme
ordenar as palavras
compor a vida
que não tivemos
de longe (baixinho em silêncio)
continuar te amando
dá um enorme trabalho
inventar uma rotina
do que adianta experimentar novos caminhos
se na primeira hora da manhã
dou de cara com você no espelho
em mim
em nós
a sós.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ali se
toda poesia
em te se fizesse
transbordar
ali se
quem em ti
viria dizer
o mundo é teu
inevitável
ali
a girar

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Colos, ninhos, um pouco de calor

para Fabi, que me empresta seu amor pela Gal
para tentar compor
amor sempre. 

Feliz vida!!!

nem com verso
e toda prosa
daria para dizer do
lirismo que vejo em você
da força
da fé
em verdade e
valsa
de ti
que há em mim
que arde em mim
que só
é sol
e brilhas dentro aqui

terça-feira, 1 de setembro de 2015

não sorria assim
à distância de mim
sem fazer prova
de que posso guardar
tua ausência
outra vez.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

allegro con spirito

dizes
há paz em mim
a paz
é o par que faço
com Deus

sábado, 1 de agosto de 2015

O azul em meu pai

Quando é você quem vai chegar
os pés pelo caminho revelam o som
dos teus sapatos levantando poeira do chão
na fechadura
a chave gira de um jeito singular
eu sei
é você quem vai chegar
assobios
bem-te-vi
bem te vejo
e assim te quero
sempre bem
ao alcance do meu ouvido absoluto
também sei que notas tomam seus dedos
objetos de carinho em meus cabelos
suas mãos guardam histórias
manchas da lida
marcas da vida
da força com a qual respiras
e sinto
me amar
com todo azul que há em ti,
meu pai
meu par.






quarta-feira, 29 de julho de 2015

para ler ao som de Kettering


eu
não te ofereço perdão
ainda
apagadas todas as letras
posso saber a raiva queimando nos dedos
o florescer dos olhos em chama
queima meu rosto ante o teu
sou cinza
me leva!
me sopra ao vento
sou água
me apaga!
me leva ao dentro de ti
líquida
o que posso saber de quem não sou?
divido lençóis com palavras insones
em minha cama
o mundo em teu lugar
nem ofereço ainda
não posso

perdão


domingo, 26 de julho de 2015

Conheço a verdade
e Tua voz a pedir que eu a
proclame
faça doer
faça chorar

reconheço a verdade
pedidos de súplica


cheia de Deus
e de amor

ide.

sábado, 18 de julho de 2015

Coração de miúdos

Tivesse eu mãos como as de vocês
nuvens ao meu alcance
não faltariam
abraços em hora
e fora de tempo
cantigas de girar o mundo

Tivesse eu olhinhos como os de vocês
faria como o Manoel:
transver o mundo é arte para poucos!
cego é aquele que só vê
não toca
não sente
não é

Ai, se eu tivesse pés como os de vocês
que andam no ar
correm contra o vento
descalços sem medo de se ferir
sem armadura
livre
não me faltariam caminhos
nenhum medo de ir

Tivesse eu um coração como o de vocês
miúdo
esse mesmo coração
que explode por tudo
o maior amor do mundo.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ele é
e a si mesmo revela
grande
                     
                      Tua palavra escreve sinais
                      de graça em tempos de luta e sofrimento

escreve-me com amor
traços caligráficos da
verdade
única

e me
poema.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Condicional

quem bom
hoje vou dizendo sim sim sim
pra tudo
foi muito difícil desligar depois
sair chorando não explicar
eu volto
conta melhor como existo pra isso
essa vida grande inventada
hoje é sim pra tudo
inclusive pra você
se voltar.

domingo, 28 de junho de 2015

Hoje: não

hoje não virá poema
uma pena
                    voa

corta o céu dominical.

sábado, 27 de junho de 2015

Cartas perdidas III

As cartas escrevem sobre ti
todas
estamos a falar com tanta intimidade
de quem nem conhecemos
mas disso eu dou conta
construo pontes com canetas
atravessámo-las com letras miúdas
crescente ao longo das folhas
encho linhas e linhas
com teu nome revelo Deus em mim
hesito falar da chuva batendo insistentemente
contra a janela
e por falar de amor
onde encontro alguém que dê jeito
naquele vazamento mágico
escorrendo
pelos cantos?

sexta-feira, 26 de junho de 2015

meu coração não faz eco
a vida, sim
essa ressoa de todo lugar
até as paredes das casas
pelos lugares que não conheço
espaços que não me acolhem
tudo pulsa e exige de nós
a vida, sim
ascendente em linhas que se cruzam
pouco importa o infinito
quando agora segue e eu
não estou lá
a vida, sim
essa respinga em quem não tem culpa
e vive como se tivesse que crescer
para mostrar "aqui, olha onde estou"
a vida, sim
meu coração não faz eco.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um poema novo
preciso ler no silêncio
poucos ruídos até tolero
como a porta batendo no quarto ao lado
os carros apressados embaixo da minha janela
os passarinhos cantantes da espécie que voa
escrevem partituras públicas nos fios
música que ninguém quer tocar

poema novo
quero te ver andando avenidas
com pausa para cafés conversas abraços
para ganhar o mundo com teu corpo
não-palavra
linhas nuas de pontos e
fins.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Só agora me dei conta que passei a tarde escrevendo
mas não consigo ler Virginia ainda
não sei,
a poesia virá quando quiser
o tropeço
todas as pedras
pedros
pérolas
os cadernos das crianças
seguem aqui ao meu lado
tantas histórias
eu poderia mesmo escrever um livro
ser a rainha das nuvens
porque eu estou sempre falando de você
de como você lava o cabelo
se come feijão ou prefere o alface verdinho da salada
mas eu não posso ficar esperando
a vida corre com teus sapatinhos mágicos
sei que irás me emprestá-los
a próxima maratona vem aí, você sabe
nem é o pódio
pela vontade de chegar
pela ânsia em fugir
virá a poesia
o perdão
não posso ficar esperando
mas não consigo ler Virginia ainda.

entre dedilhados
na madrugada
toquei a música inteira
mas não toquei você
nem um fio de cabelo
branco
no centro da cidade luz acesa
cortinas cerradas
quem passa na rua nem vê

amor vai lá dentro
desse quarto iluminado.

terça-feira, 23 de junho de 2015

a TV fora do ar
pés descalços em ação
ciranda meninas
gritaria no portão

campainhas a tocar
matemática materna
infinita até três
- passa aqui, menino!

tindolê salve eu
salve você
salve a infância
que morreu na porta de casa.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

era grave
acorde!
todos gritavam
ao seu redor
daquela altura
era grave:

amor em frequência aguda
devorando seu coração
é agora porque vou
Marília
acaso virá
o destino
sem resposta
do alto de tua janela
sorrir pra mim?

domingo, 21 de junho de 2015

Ano novo foi ontem

no aniversário
sem bolo
sem vela
os bracinhos entrelaçados
meio frouxo
meio apertado
o tempo
envelhece
depressa estou a contar
rugas de risos.

sábado, 20 de junho de 2015

Mais uma vez

checo e-mail e caixa postal
umas vinte vezes
no dia vinte não imagino
nada mais interessante do que
te ligar e ter certeza
você esqueceu.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

que faço com ela?

essa fome
que de mim se alimenta
no vai e vem dos dias se sustenta
come fome
e poema

o coração

mais que a barriga
devora 

o vazio.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

eu me perco
nessas redes
sem nenhum lugar
para deitar
descansar minhas costas
pesadas da solidão dos dias.

domingo, 31 de maio de 2015

Segredo II

o que Leminski não sabe
mas agora eu te conto
h
....a
i
....k
a
....i
antes que
amor
um dia também
alice acorda
diante da folha em branco
o mundo grita

vem me amar.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

olho bem as montanhas, andrés
penso para além delas
deve haver o mar
numa cidade que sempre reluz
bancos de praças
e vazios a me esperar
quando os sinos tocarem
a última chamada para o amor
cara a cara
sem medo algum
sem rumo
sem mapa
eu vou gritar um nome
quarta estrela
em pó sobre campos vertentes
olhe bem as montanhas
sem olhar atrás.


inspira(dor)

Vai no caderninho

vai no caderninho
os poemas que têm
vergonha de mim
os poucos acertos quero exibir
como quem na vida só ganha
deixo passar as pedras do caminho

no caderninho
os erros
linhas em branco
o escuro de mim
o breu de mim
há dor em mim

ninguém precisa saber.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

para quem tem um jardim
é fácil colher margaridas no final da tarde
deitar na grama quando o sol filtra seus raios
e deixa passar só o que aquece
é fácil caçar joaninhas para quem tem um jardim
brincar de tê-las só pra si num potinho
depois deixar a tampa aberta para que fujam
até as folhas mais verdes
tão fácil para quem tem um jardim
sorrir quando chove porque as flores precisam de água
mas não precisam afogar com a última gota
responde
se eu esticar esse meu verso
esse meu último verso
sobre tuas costas
toda essa dor vai passar
ou devo guardá-los
para quando eu for capaz de te fazer sorrir?


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Cartas perdidas II

No último envelope havia desencontro. Leves desencontros, você disse, estes são necessários. Acho que adivinhavas! Sim, feito a Clarice quando estamos lendo seus livros. Adivinhando. Clarice é mestre em nos adivinhar. Você também? Outro dia Clarice apareceu adivinhando eu e minha turma inteira de pequenos, foi riso solto a tarde inteira! Tudo culpa da Laura. Conheces a Laura? 

Naquele dia usaste as roupas erradas nas palavras, só para fazê-las doer. Doeu. Sigo adivinhando teus passos. Ainda acendo estrelas para alimentar os meus. 

domingo, 17 de maio de 2015

Cartas perdidas

abri envelope
recebi duendes fadas
desculpas
afeto

se apago as estrelas
tenho que inventar
farol.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Como sorrir?

poesia aguda
a ponta afiada oculto
tome cuidado para não machucar
sua vida
sílaba tônica
dos meus dias átonos
mal cabe um acento para ti
ao meu lado
esses versos não fazem mais
nem cócegas.

eu me lembro mas não volto
ali atrás um tempo morto
ainda me corrói o sono imagens
rostos que se desprendem
enquanto me abraçam
ouço dizer que vai tudo bem
tudo bem é só a vontade
que passa
à vontade

também queria te ver.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

não me calo
choro
grito
escrevo até
sem poesia
dói o mundo
fundo
de mim.

domingo, 3 de maio de 2015

Maio

só agora chove
chuva medrosa
quase nem molha
ou alivia
este

deserto coração.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Corrida

agora serei atleta
hoje
maratonista dos cinco quilômetros infindáveis
suor e sal no rosto
prende os cabelos e corre!
saúde
saúdo o corpo que me leva
as pernas que me
leve
o vício
o vento
com a velocidade
que me distancio do teu coração
vou ao pódio

primeiro lugar.

domingo, 26 de abril de 2015

palavra faz
comigo
o que quiser
pudesse eu fazer
com a palavra
a perda
a pedra
a paz
o pó

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Não há reino que não seja Teu
não há glória senão a Tua
e misericórdia sem fim
sobre mim
sobre mim
.
.
.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

eu já tenho asa


você mandava sinais
que eu não reconhecia
hoje todos ainda acendem
o meu caminho
nessa manhã de abril
quando o que faz é verão
essas lembranças
aquecem a casa inteira
cantam a mesma saudade

agora são teus sinais
a minha companhia.

terça-feira, 21 de abril de 2015

não dou de comer ao poema que dorme comigo
não mato sua fome
não escovo as palavras
não divido o cobertor
não abro a janela para refrescar um pouquinho
porque é tarde, tão tarde
mas é você que massageia minhas costas
porque eu não aguento meu próprio peso
é aí que dói mais, nesse lugarzinho
que suas mãos macias massageiam
enquanto a madrugada cai sobre nós.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

desesper
a
dor
esperar
odiar 
amar
na mesma proporção
essa fração luminosa de mim
a vida veloz
que se estende sem chegar.

domingo, 19 de abril de 2015

Acho tão bonito o fogo
queimando
amarelo dourado, 
vermelho nos olhos, nos lábios
queimando
acho tão bonito
sentimento brasa
resultado final da minha combustão você
antes de virar cinzas
queimando
antes de acender a chama
queimando
antes de aquecer o corpo
queimando
antes de curar a dor
queimando
acho tão bonito o fogo
essa luz 
sinais de ti
à beira da estrada
o nosso amor.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Motivo 13

Ouvir assim:
Tia, você é a rainha do rei das nuvens!


domingo, 12 de abril de 2015

para Rayan, Lavinia, Monique, Delayla, João, Yasmim e Rayssa,
que me ensinam sobre tempo

nem pisca
e já é segunda
de novo terça
para eles sempre quinta
depois desse dia
naquele ontem

não liguei ou escrevi
não mandei
um abraço!
beijo,
sinto tanta saudade

responde com poesia
à vida
que não alivia
não alivia.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

mar aberto
ondas do meu coração
se há mais afeto que orgulho
por que te deixo passar?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

pintei as unhas de vermelho
você vai me achar boba
ou comentar isso nem faz sentido
mas de onde vem essa força
que minhas mãos parecem ganhar
quando pinto as unhas de vermelho?
corte-as bem pequenas
menores ainda
até me ensinar a segurar um prendedor de roupas
ela me ensinou
tudo para os dedos dançarem melhor sobre as teclas
tudo
inclusive não desiste de mim
eu sei que já passou um mês
três quatro cinco quase um ano
não, pera
dois!
eu continuo a me perguntar
você vai lembrar de mim?
cheia de Deus
trocando versos por silêncios e valsinhas
preciso voltar
tocar todas as valsinhas
você está perdendo o tempo delas, alice
é ternário
não, singular
e o amor se fez
abril