sábado, 28 de novembro de 2015

Eu, que aprendi a pescar borboletas




Maravilhoso Jardim,

como começar sem dizer que já estou com saudade de vocês? Cansada, sim, mas com o coração saudoso e feliz por tê-los encontrado no meu caminho, ao invés da pedra do Dummond! (Risos) Vocês me cobraram presentes e eu penso que devo lhes oferecer o melhor deles, o que tenho de mais precioso: minhas palavras. Palavras porque são vocês quem me ensinam a brincar com elas, a criar um mundo novo, sempre possível. Palavras porque vocês são quem as enchem de encanto e verdade, toda vez que lhes emprestam voz. Palavras porque são vocês quem lhes dão significados, quando crescem dentro de mim. Eis, então, as palavras-presente:

Delayla, obrigada por amar sorrindo esse sorriso tão seu. Obrigada me encher de dúvidas e depois me explicar o mundo, sem complicação.

João, obrigada por me ensinar a brincar. Obrigada por me ajudar a construir um mundo brincante. Obrigada por lembrar que, realmente, não vivemos para brincar, brincamos para viver. Brinque sempre, João!

Lavinia, obrigada por construir palavras novas comigo. Obrigada por me ensinar que “quando a gente ama, nunca solta”. Obrigada por não me soltar, e amanhecer dentro de mim.

Monique, obrigada por encher de cor o silêncio do mundo. Obrigada pela delicadeza do seu corpo entre nós, pelo gesto terno e coração quentinho.

Rayan, obrigada por sua alegria. Pelos abraços sem hora marcada, por querer estar sempre perto. Obrigada por vir sempre ao meu encontro. Ah, não esquece de me convidar para uma visita quando você mudar para sua casa na praia. Eu adoro o mar!

Rayssa, obrigada por me deixar ser a princesa do seu reino, mas a coroa é sua! Obrigada por me ensinar a ler seus olhos, eles falam por você e são coisas magníficas. 

Yasmim, obrigada por nos emprestar a luz que vem de ti. Como o sol, você brilha, e tem o cheiro doce do que é claro e nos faz sorrir. Obrigada pelas perguntas que me fazem duvidar de mim e acreditar mais em você que na ciência.


Meus queridos, obrigada por seguirem o coelho comigo, por me fazerem lembrar que o país maravilhoso de Alice existe, sim, e pode ser cada vez melhor!


Com amor,
Pró Alice.    

Motivo 15


sou sol
  e só
não ando
amanheço sóis

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

na valsa e no vapor

eu-líquida
nestes dias de verão
evaporo

sem pretensão alguma de
ser
condenso-me
em altas temperaturas




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Voo, volto

ontem pari uma palavra nova
está sem nome ainda
riscando o céu da minha boca
sem me dizer nada
talvez seja uma palavra divina e me 
leve
para perto de Ti novamente

outra vez sublime.



no passo
de mil compassos
penso
paro
precipito
caio
e
vou
cantando

Quem não somos mais

Ela poderia ser Marília. Ele, João. Cheios de malas e de amor. Ele eu vi primeiro, o amor. Não sei que ônibus pegariam mas aposto que era para a capital. João, Marília e o amor esperavam um ônibus para capital enquanto eu, da janela do interior do interior do interior de mim, observava atenciosamente todos os movimentos de seus corpos no ar (embora estivessem presos ao chão, os pés) equilibrando meu milk shake (de 500ml com pedações de morango) entre os dedos. A cada segundo de espera João usava suas mãos para despertar afetos no rosto de Marília. Assim, arrumava seus cabelos atrás da orelha a fim de que houvesse espaço para beijar suas bochechas que se enrubesciam a medida que, depois, ela sorria, talvez, achando aquilo desnecessário. Ele não parava quieto. Girava ao redor de Marília, protegendo-a. Do meu interior, morria de medo que os olhos daqueles dois me flagrassem, mas continuei. Houve um época eu contava casais de mãos dadas pela rua, diariamente. Depois eu julgava meu dia pela quantidade deses encontros. Julgava o amor, sem dó.

domingo, 22 de novembro de 2015

morreu o poema
mudo
na sombra da tua boca
suja
clamando por mim

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Motivo 14

Na aula...

Eu: hoje também é um dia muito especial. É que hoje comemoramos a existência de uma declaração muito importante que fala sobre as crianças terem direitos! Quem pode me falar o que é direito, ter direito?

Crianças: A gente tem direito de brincar!


Sorrio: pelo direito de brincar e ser criança!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mas não

dentro de um corpo esguio
dou passadas firmes e
até sinto o volume do chão nos pés
cabeça erguida olhar fixo
as mãos em ritmo cronometrado direita esquerda
os ombros fazendo parte da mesma melodia
sem me distrair
toda gente passa
os retalhos das conversas
constelações
eu me concentro
levo meu corpo
qualquer um diria que sei exatamente
por onde vou.



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Através do espelho

Eu era qualquer coisa semelhante a mim
naqueles dias excessivamente pesados
quebrava pratos no chão
cacos
perto dos pés qualquer caminho faz estrada
de não ir
eu era maior que
a culpa pendurada no peito
como medalha
vencida
vendida
eu era qualquer coisa semelhante ao
que queria ter sido
e fui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

com que frequência
você abre  os olhos
e vê
não interessa
mas eu queria saber
se

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Então, posso dizer que te vi também?


Sim, talvez você tenha me visto. Eu era salgada como só o mar me faz ser. E sorria. Sorria apertando os olhos, então aquela bolsinha que tenho abaixo deles se enchia de estrelas. As estrelas sabem sobre mim toda uma constelação. Eu sorria e revelava todos os meus dentes em um sorriso amplo, inclusive a manchinha branca que marca o canino direito. Fixo, o horizonte acenava brilhante para mim. Apenas uma mão diz adeus. Então, eu fui.