sábado, 19 de dezembro de 2009

Do encontro

Era que tinha o Moço. Antes soubesse explicar aquilo, não se perderia só.
O fato é que a Moça tinha medos de ausência, ainda que estivesse sempre a dialogar, muito, inclusive, de uns tempos até agora. Enchia-se de vontade de gritar, fazia-o, no silêncio. Seu nome. O Moço.
Ainda estaria perto, sempre - é que gostava dessas palavras grandes - mesmo na distância. É, sim, teria os caminhos a força para os encontrar.
A Moça, que seguia pela estrada, via direita. O Moço avante, pela via esquerda. Mas ali, na esquina do dia eles iriam se reconhecer. Quem daria o primeiro passo? O Moço, a segurar a mão da Moça. De mãos dadas, juntos em um, entre reticências.
Aquilo era quase um Amor.
Ela sonhava...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

À Você,


A distância nem existe sabia?

Estou sempre aí, você sempre aqui.

Criamos laços invisíveis, que só podemos sentir.

Eu sei que são fortes, sei que são seguros, porque não sei de muita coisa, mas sei onde nós firmamos.

' Nossa Amizade o Senhor escolheu, nós somos prova do cuidado de Deus (...) '

Sabe o que é? Estava procurando as palavras, as certas, as que te abracem o mais quente possível, já que não pode ser eu.

Aí você veio a mim com as suas, as mais intensas, as que senti de cada uma a letra, o som, o tom, a cor, a emoção.

Aí você veio a mim com palavras do coração,

Aí, eu só sei dizer : Te Amo .

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Espera .

Dentro da noite.
Era o Sol brilhando na Lua,
Arrancando suspiros,
Daquele velho coração Sonhador.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da Janela

Daqui, o que assusta é o movimento tão acelerado,
Da gente passando, da gente parada, da gente sem nada.
Do que não é uniforme, não é contínuo, uma gente variada.
Aqui, quase ninguém viu ontem como o sol se pôs em um enorme alaranjado,
Não sentiram o voar de leveza, na dança das andorinhas no céu,
Nem perceberam o quadro escuro iluminado.
De lá, eles nem me viram quando encarei,
Não suspeitaram o que imaginei.
De onde vêem?
Para onde vão?
O olhar ainda assustado, o sentimento amargo e apertado,
De ver a gente dormir despreocupada,
Gente da esperança adormecida, da conformidade acomodada.
De lá, correm tanto para um fim,
Mas amanhã tem recomeço.
O que me assusta é andarem em um movimento retardado tão acelerado,
O que me assusta, é eles não estarem assustados,
O que me assusta, é ir com eles,
Não sendo daqui, não sendo de lá.
Olhando de outra janela...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Conjunto, Vazio



A gente só sabe que deve continuar, e mesmo a gente continua sem saber. Sempre em frente. E o que tem no fim, no horizonte? O que você, vê? Encontro, desencontro, desencontrado. Onde se encontra? Organizar-se é tão difícil, não as coisas de fora, mais as de dentro, que incomodam, vão aos poucos rasgando, abrindo buracos, tirando um pedaço por vez, e isso é tão mais doloroso do que estar desorganizado. Diz que não vou esquecer, mas quero, diz que não vou olhar, e olho, diz que não sentir resolve, é o que em mim arde, sentir. Sentir, sentir, sem ti.

domingo, 8 de novembro de 2009

Você Sujeito, meu.

Tinha que me arriscar a dizer:
Que você é o sujeito da minha oração de todo dia,
Que você é o tal sujeito, inexistente, da minha oração.
E que me rega com teus olhares disfarçados,
E surpreende com esse sorriso cor de estrela.
E só queria ser o teu complemento,
Só queria que fosse mais Sol para minha noite,
Só quero que sejas o meu ponto final.
Mas acordei, e sei, eu sei:
Já és tão breve como vírgulas,
E por não termos coragem para interrogações,
Nem sabes que aqui dentro és exclamação,
Que aqui dentro, já não és apenas simples,
Que já somos compostos, do mesmo tom, da mesma partida, no mesmo caminho...
Nem sabes que teu coração já toca dentro do meu.

sábado, 31 de outubro de 2009

FluxoSilêncio

E já vinha chegando a lua, toda plena em um quadro escuro pintado de pequenas luzes. Surgiam, todos, seus silêncios. Faziam voltas. A terra girando, girando, girando.
Como podia ser? Na verdade, não tão difícil como criava em mente. Tinha tempo ainda, sabia que devia ter. Mas, de fato, sentia vazio o espaço, - falta um pedaço em mim? - não, Não! Ia lutando contra si. Vai sendo só, sozinha.
Agora de tantos, os silêncios faziam barulho. Bem que podia deixar crescer esse gostar. Coração batendo tanto, tanto, tanto. Quieta, quase não se mexia, como se sentisse aquilo crescendo incontrolavelmente por dentro. No fundo, uma vontade enorme de deixar crescer além, de trazer pra fora, de arriscar-se. E o outro lado? Pensava sonhar demais, quando já sentia o gosto das luzes todas lá do quadro, sorriu com o corpo todo. Vai sendo ... só. Com você, no ar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Buscar o céu


- Vou buscar o céu.
- Não acha um tanto difícil?
- E o que é fácil? A gente tem um céu, aqui, desse lado avesso, do lado que ninguém procura ver, porque é preciso olhar com cuidado. É preciso tirar o que impede, deixar de ser cego, ver por dentro, águas profundas. Tem gente então que desiste, e desistir é deixar-se vencer antes mesmo de tentar. Ontem eu decidi: vou buscar o céu, todos os dias, trazê-lo para bem perto de mim. Não importa o quão difícil pareça ser.

Da certeza única

A vida escorre assim de minhas mãos tão rapidamente. Como essa fugacidade do tempo me consome! E já não é o mesmo VIVER, tudo tão inaproveitado...
Não Senhor, não soltes da minha mão. Não me deixe sozinha, pois sei que sem ti não conseguirei, sem ti nada sou, nada terei. Mesmo errando, mesmo caindo, quando tu estás, é a força que me faz acertar e levantar novamente, eu sei - e é a única certeza que tenho - a tua mão me ampara, me protege.
Quero te buscar, quero te sentir, quero ver a esperança em mim se renovar todas as manhãs, ao olhar o céu, encarar tua face.
Senhor, nesse passear tão depressa do tempo, só a tua presença em mim me enche de paz.

Do País de Maravilhas



Nem pense que são tantas assim. Pois até mesmo no País das Maravilhas a gente se desespera, e fica triste, e olha para trás. Nesses dias, só mesmo um ombro amigo para aliviar as dores e fazer brotar o mais singelo sorriso. Mas e como saber quem os são? Se verdadeiramente os são? Eu confesso que muitas vezes me recuso a julgá-los, então aceito como são? Prefiro meus encontros com o silêncio, no recôndito de minha alma. Posso julgá-los, entendê-los. Estarão sempre comigo, nos dias mais tristes aqui nesse país de maravilhas.

Flores

Com um teto de céu eternamente estrelado
Exalam perfumes de doces palavras.
Um cheiro de poesia, mergulhada,
No centro de um Jardim Encantado.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pequenas e Grandes Coisas


Uma mão que afaga outra,
Olhar que conversa com outro.
Um céu de brilho intenso,
Laços seguros: Eu e Você.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Do verbo inventar.

Eu te invento todos os dias. Crio histórias para mim sobre você, tento descobrir seus gostos, ouvir suas verdades, desvendar teus medos, compartilhar de teus sorrisos, minimizar tuas tristezas e responder tuas dúvidas, que são as minhas também. E são tantas que me perco nesse mar confuso, de pensamentos e palavras avulsas, ansiosos de uma resposta. Junto tudo isso aqui, na esperança de parar de te inventar, na esperança de descobri o brilho do teu olhar e nele te encontrar de verdade.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Segunda Parte do Dia


Quando as nuvens estão umas tão distantes das outras, que é impossível ver qualquer desenho no céu, não para ela. Todos os dias, o céu era seu espelho. Refletia tanta natureza, tantos sentimentos. Sorriso singelo: era mesmo, no centro, uma foca equilibrando uma bola no nariz? No fundo, olhava para o céu procurando o olhar gêmeo ao seu, refletido entre as estrelas, na esperança de encontrar um dia o Amor. Parte de um dia qualquer, sorrisos guardados para uma vida inteira.

sábado, 1 de agosto de 2009

O Apanhador de Desperdícios


Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ainda há.


Não. Eu não estou sempre zangada ou de mal com vida. Nem tenho mágoa de ninguém. É só que tenho medo. É isso, medo. De sorrir para as pessoas, de me aproximar demais, de criar laços. Tenho medo de ficar dependente, de apenas oferecer alegrias e carinhos, medo de olhar pro lado e ver que aqueles com quem dividia meus melhores sorrisos me esqueceram.
É que no meu coração há espaços vazios, e posso preencher, quero. Mas não são todos os dispostos a doar. Tenho abraços, conversas, carinhos, alegrias e sorrisos a oferecer. E a mim, alguém sente da mesma forma?

domingo, 26 de julho de 2009

O eu, diálogos


É o que me perguntas? Quem és tu? Não, não sei explicar. Acho que és mais de Sentir do que Entender. Sim, é coisa dos sentidos, sabe? SENTIMENTO. E tudo que sentes é profundo demais. Se for Felicidade, parece que vai durar eternidades, se for Tristeza, sofre tanto quanto és Feliz. Não sei como vai ser quando te aparecer então o Amor. Tem uma hora que será preciso entender, mas sei que só vais saber sentir.
És capaz de decifrar cada sorriso, cada lágrima, cada olhar, e principalmente, cada palavra, inclusive aquelas que se recusam a serem ditas. Sente pelo que é, pelo que foi, ah..., e pelo que poderia ter sido. Essa dor de não poder viver o que podias ter vivido está doendo não é? Eu sei que está. Sei também que choras sozinha à noite e tem medo de que alguém veja que sofres por isso ainda.
Só quero que você saiba uma coisa: Depois dessas noites virão dias lindos, mesmo sem Sol, a Luz que existe em você vai iluminar tudo e todos. E - é isso mesmo - vais ser feliz de novo.
Por que ‘de novo’? É que desse jeito a gente nunca vai ser feliz para sempre! Oras, eu sei que isso te abala um pouco, e me desculpe pelo que vou dizer, você parece viver na fantasia. Sei, às vezes, viajo nela com você, mas a realidade está aí, vem avisar que quando a gente procura a felicidade fora de nós ela nunca se faz presente. A Fe-li-ci-da-de está em você! Olha, eu vou repetir pra ficar bem claro: essa Luz que vejo em você traz FELICIDADE, e muita viu? Eu sinto daqui a alegria que você transborda quando deixa ela brilhar. E quer um conselho? Deixe-a brilhar para sempre.