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domingo, 23 de setembro de 2018

o que você sabe sobre a Boa Nova?
É o dedo em riste apontando o abismo no outro?
o que você sabe acalma alguém?
faz bem a quem?

Se o que você sabe sobre a sua fé
é parâmetro para medir a minha
estamos cada vez mais distantes do
divino.

Não fale,
leve-me ao encontro do Pai.

[a poesia que nasce do desencontro - porque não estamos completos, nunca - fala de Te encontrar]

domingo, 1 de abril de 2018

Cheia

eventualmente
uma porção visível de mim
iluminada
é não aparente a ti
e a f(r)ase da lua que
mais importa
projeta sombra de
nós.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Semitom

pudesse atacar as notas no piano
com a mesma intensidade
com que jogo em teu colo
estas palavras
do alto de mim
a vida é grave
mas pudesse
eu me elevava em sustenidos
bemóis
sóis
e sorria ao solfejar
a dor aguda em teu coração
até o final do próximo compasso
terás que voltar
a tempo.

sábado, 12 de novembro de 2016

Empresto minha pele ao poema
que escreves
Dói-me a ponta do lápis marcando caminho
desenhando formas que fogem das minhas
Atravessam-me pontos vírgulas
vidas
misturadas ao sangue correm por mim
linhas e linhas que não aderiram a palavra alguma
É por isso que falto e
se grito não me ouça até
que eu possa cantar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Contra a maré

Case-se
tenha algo
um alguém
como se fosse um insulto à vida
apenas ser

nestes dias amor é pura vaidade
e se queres saber
já nem uso espelhos.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Idioma

meu poema
na tua língua
diz versos que
nem sei

tocam o céu

da tua boca
meus poemas despencam
como estrelas caídas

eu me cubro com
o pó

tudo reluz feito
meu poema
em tua língua
ninguém traduz.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

o meu primeiro poema não-brinquedo
foi para ti
o segundo o terceiro
os que virão
o infinito que a matemática criou
a soma que nos subtraiu de nós
agora
dividindo amores
por aí

sábado, 16 de janeiro de 2016

Em par, em paz

feito Deus crescendo em mim
a luz  que se estende do teu corpo 
vem me encontrar
sorrindo
agora sou eu quem vejo
Ele dentro de ti
talvez seja uma extensão de
nós

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As nossas mães combinam em seus nomes
isso eu não te contei
também tentei combinar os nossos de
diversas formas, tão clichê!
Improvável, você diria
acho engraçado as palavras
nunca
sempre
cantarem presença
em todos os meus discursos sobre você.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

É só para te ver de novo
que eu invento esse poema.
As cores são minhas
as linhas do
desenho do teu rosto
as tuas mãos sorrindo.
São todas cenas minhas
frente a esse espelho
imagem distorcida
por não te encontrar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Trazer-te para perto

quando faz muito azul
eu lembro
refaço todas as rotas paro
exatamente ali
onde nos perdemos?
sempre a pergunta
quando faz muito azul
eu lembro
que dói em cada pedacinho do coração
encharcado de azul
o corpo todo dói
tudo dói

eu não consigo mais
você aqui.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

com que frequência
você abre  os olhos
e vê
não interessa
mas eu queria saber
se

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Tudo novo de novo, outra vez

essa palavra
que te reinventa completo
no meio do dia
de corpo olhos mãos alma
anuncia
teu rosto ainda sereno
sorri pra mim
confesso
dá um trabalho enorme
ordenar as palavras
compor a vida
que não tivemos
de longe (baixinho em silêncio)
continuar te amando
dá um enorme trabalho
inventar uma rotina
do que adianta experimentar novos caminhos
se na primeira hora da manhã
dou de cara com você no espelho
em mim
em nós
a sós.


terça-feira, 30 de junho de 2015

Condicional

quem bom
hoje vou dizendo sim sim sim
pra tudo
foi muito difícil desligar depois
sair chorando não explicar
eu volto
conta melhor como existo pra isso
essa vida grande inventada
hoje é sim pra tudo
inclusive pra você
se voltar.

sábado, 20 de junho de 2015

Mais uma vez

checo e-mail e caixa postal
umas vinte vezes
no dia vinte não imagino
nada mais interessante do que
te ligar e ter certeza
você esqueceu.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Como sorrir?

poesia aguda
a ponta afiada oculto
tome cuidado para não machucar
sua vida
sílaba tônica
dos meus dias átonos
mal cabe um acento para ti
ao meu lado
esses versos não fazem mais
nem cócegas.

eu me lembro mas não volto
ali atrás um tempo morto
ainda me corrói o sono imagens
rostos que se desprendem
enquanto me abraçam
ouço dizer que vai tudo bem
tudo bem é só a vontade
que passa
à vontade

também queria te ver.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

eu já tenho asa


você mandava sinais
que eu não reconhecia
hoje todos ainda acendem
o meu caminho
nessa manhã de abril
quando o que faz é verão
essas lembranças
aquecem a casa inteira
cantam a mesma saudade

agora são teus sinais
a minha companhia.

sexta-feira, 27 de março de 2015

E só porque não estás

A minha vontade é de te espalhar sob o sol para ver se seca esse teu corpo marcado por tristezas tão líquidas, esticar teus bracinhos para o alto como quando procuras tocar estrelas, soprar em tua face um vento fresco como o outono que há pouco começou. É tão tarde agora, mas a minha vontade é de te pintar azul como o céu que faz poesia em toda cor, só por ti. Depois contar os voos que nascem em mim quando percebo que ainda há o outro, ainda você. Mas é tarde e a minha vontade está morrendo sozinha.

terça-feira, 10 de março de 2015

eu não quero te encontrar
para que sejamos um
continuaremos dois
cada um
em cada eu
da forma mais singular
o amor é um ser plural.