sou minha própria casa
ninguém me queira entrar trocar móveis de posição
comprar espelhos para expandir os ambientes ou
para que eu a mim veja melhor se
o que não sou é o que
jamais vai conseguir sequer pular as janelas
não vai dá para ser outra
senão eu
dentro de mim
todo este interior e
vasto horizonte.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
domingo, 17 de setembro de 2017
dança no vazio
este ser inteiro que
por meio de mim valsa
nada é além
do espaço que carrego
entre eu e o que
não sou
por meio de mim valsa
nada é além
do espaço que carrego
entre eu e o que
não sou
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O espaço que há em Mim
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Eternos
se minha rua
junto a tua
avenida seríamos
texto que a cidade inteira
caminharia para ler a pés de altura
de pés no chão e
volume de nós liquefazendo
estrelas.
junto a tua
avenida seríamos
texto que a cidade inteira
caminharia para ler a pés de altura
de pés no chão e
volume de nós liquefazendo
estrelas.
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felicidade de segunda
essa tua
ficar acreditar exigir até
que abrigo eu fosse
em ti morar
acaso eu não flor
te sustento espinhos
e é solo
que canto.
essa tua
ficar acreditar exigir até
que abrigo eu fosse
em ti morar
acaso eu não flor
te sustento espinhos
e é solo
que canto.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Desconhecido
este ser, você diz
incompreensível
misterioso
fraco, eu digo
faca!
faça valer e
sê livre
este ser, você diz
objeto
abjeto
coisa
tralha
diacho!, eu digo
este ser é
humano
miseravelmente
ser humano.
incompreensível
misterioso
fraco, eu digo
faca!
faça valer e
sê livre
este ser, você diz
objeto
abjeto
coisa
tralha
diacho!, eu digo
este ser é
humano
miseravelmente
ser humano.
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Teu outro
Essa pele
que me separa do mundo
e de ti
essa pele
que me divisa
esse pedaço limitado
essa cor nenhuma
esse abissal esconderijo
esse ainda
não sou eu.
que me separa do mundo
e de ti
essa pele
que me divisa
esse pedaço limitado
essa cor nenhuma
esse abissal esconderijo
esse ainda
não sou eu.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Cuidado, é uma mulher!
O sangue fervia enquanto
ele julgava me ofender
pela natureza do que sou
não aceito a sina
não relevo a ignorância
É uma mulher, sim
na rua
cuidado!
ele julgava me ofender
pela natureza do que sou
não aceito a sina
não relevo a ignorância
É uma mulher, sim
na rua
cuidado!
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Eu me navego
Vem beber do meu coração
poço fundo
passo profundo e vejo
ressuscitar
sombras potentes
das formas do que
sou
Não estou à mercê
de canetas e papéis
Sento, escrevo
ou saio e vivo
não escolho
não peso consequências
não peço permissão
nem pergunto quem virá
Chego, sento
ou escrevo e me afogo
não quero ser salva
não interpreto sinais
não invento senhas
Eu me arranco um pedaço
é assim
que dou de comer aos
poemas que dormem comigo
abre espaço
É desse buraco no peito
que transbordo
sangue
silêncio e
sal.
poço fundo
passo profundo e vejo
ressuscitar
sombras potentes
das formas do que
sou
Não estou à mercê
de canetas e papéis
Sento, escrevo
ou saio e vivo
não escolho
não peso consequências
não peço permissão
nem pergunto quem virá
Chego, sento
ou escrevo e me afogo
não quero ser salva
não interpreto sinais
não invento senhas
Eu me arranco um pedaço
é assim
que dou de comer aos
poemas que dormem comigo
abre espaço
É desse buraco no peito
que transbordo
sangue
silêncio e
sal.
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domingo, 1 de janeiro de 2017
Posso tirar os sapatos?
Escrito no dia 22/nov/2016,
mas um desejo e uma saudade para hoje:
365 novos dias para serem sentidos com os pés na terra;
a textura do mundo, o inteiro.
- Tia, a gente pode tirar os sapatos?
- E a meia?
- ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ, tia deixou!!!
Lá na minha turma ouço essas perguntas todos os dias. A todo o momento e antes de começarmos qualquer rodinha. Antes da leitura. Antes da notícia. Antes do “que dia é hoje? Como está o tempo lá fora? Vamos marcar?”. Antes de abrirmos a caixa divertida. Vou confessar que tem dias eles ouvem um “hoje não”, porque imagina você calçar às pressas oito pares de sapatos (alguns bem difíceis) enquanto os pais, nem sempre pacientemente, esperam na porta? Mas, Alice, você não os incentiva a serem independentes? Claro! Mas os pais estão esperando na porta, eu tenho que correr e nem sempre todos podem viver o ato de calçar as alegrias do dia em seus próprios sapatos.
Você aí, que alto de sua sabedoria já sabe amarrar seus cadarços, lembra-se da primeira vez que os fez sozinho? Lembra-se do quanto foi difícil entrelaçar aqueles fios, os nós, o laço final? O que hoje fazemos no automático aos quatro anos é uma das tarefas mais difíceis do mundo. Exige calma, concentração. Exige muita habilidade motora, percepção visual e espacial. Exige uma sequenciação de movimentos que às vezes eu não tenho!
- Mas é rapidinho, tia. Depois a gente calça!
- Quem tirar vai ter que tentar amarrar sozinho depois, hein?
Vou confessar que usava essa estratégia para fazê-los pensar que era melhor ficarem calçados, o que jamais impediu a aventura de muitos. Uma crueldade terrível. Sim, Alice sente vergonha disso. Tanta que o deixou de fazer e passou a desatar os nós. Aprender a amarrar os cadarços exige amor.
Há um mês Eliza calça e amarra, sozinha!, os cadarços dos seus sapatos. Vai em nosso diário o registro daquele dia memorável. Nossa, foi uma felicidade sem tamanho. A todo tempo dizia já estar independente. Calçava e descalçava aqueles sapatos com um sorriso no rosto e exibindo para todos sua destreza. Ontem foi Cleber. Há dias ele não aparecia na escola e chegou com essa novidade. Brincamos descalços. Pés no chão, coração pulsando o corpo inteiro. Transpiramos felicidade.
Hoje eu quero apenas pedir desculpas pelos dias em que vocês ficaram calçados. Pelos dias em que seus dedos não se refestelaram pelo lado de fora. Porque o mundo carece de ser tocado com os pés de vocês. O mundo carece desse carinho que se espanta com o frio e a dureza dos dias tentando reinventá-los (e conseguindo sempre!). Por favor, vamos todos tirar os sapatos antes de começar a viver! Agora será assim.
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