sexta-feira, 28 de junho de 2013

Revelando Alice VII

Alice escreve como quem procura ser casa 
mas se fecha em toda pausa. 
Ela escreve como quem quer oferecer perdão,
como quem corre para o abrigo de um abraço.

Alice escreve para entender o tempo, ávido, de suas mãos. 
Ela percorre as linhas como quem busca encontrar caminho.

Às vezes, vejo puro amor em Alice.
Tem dias, porém, nada consigo encontrar dentro dela.

Alice inventa inverno para esconder a verdade 
quente 
dos seus olhos negros. 

Não diz, não faz o menor sentido.
Alice conta madrugadas dentro da noite. 
Sabe ser cura 
é a salvação contra seu próprio mal.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Marcatto

a verdade
em valsa

a mentira
não sabe o passo

eu
fora do ritmo
resisto à dança.

Pequena

gosto da poesia
que anda de ônibus
e sente a vida da janela

daquela
que sentada na calçada
deixa chover
e canta

gosto da poesia
que se faz em mim
quando nada acontece

daquela
que me rasga o peito
junta meus cacos na mão


e me sopra ao vento.

domingo, 2 de junho de 2013

Ouve

a verdade quente
na ponta da língua
diz

sábado, 1 de junho de 2013

Vontade

ser mundo
para o mundo
de alguém

ser estrada
para meu caminho
só

ser lua
dentro das madrugadas
secas horas

ser fogo
queimar
à beira de ti

eu cinza
eu gota
vapor.