quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Uma nobreza que não me cabe

a máquina de fazer espanhóis - valter hugo mãe


e eu não posso 
salvar 
nem a mim mesma



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Intermitente

Pensa enganar
nos versos
as marcas de fim

nasceu para
saber excessos

é oca de si.

domingo, 9 de setembro de 2012

Ir embora


Um dia acordei e era um amor tão grande que não cabia no corpo, nem comigo, quentinho, embaixo do cobertor cheio de cores que me aquece durante o inverno. Tão grande que não coube na bolsa, não coube nas mãos, não me viu chorar.

No meio da manhã esse amor cresceu tanto que não coube na distância, nem na folha em branco. Não ficou em nenhuma palavra.

Mas era um amor tão líquido no final da tarde, que cheguei a molhar os pés e refrescar o rosto. Suave, conheceu minha pele respirando medo.

Foi um lampejo à noite, o amor. De repente, num clarão, eu me descobri escuros. 

Era uma amor tão grande que deixei ir.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Quem lutará?

Era ele sim
magro, tão fraquinho
mal conseguia ficar de pé
cego
sem voz

dentro da noite
o amor
ainda respira
um nome

sujo.

título: skinny love - bon iver

sábado, 1 de setembro de 2012

Abraço

Ainda me assusta um pouco a força delicada do que temos. Eu não sonhei te conhecer, mas quem sonhou alinhou bem nossos caminhos, até que o teu coubesse certeiro no meu e pronto: encontro. E depois desse primeiro vieram outros tão inesquecíveis que eu me nego a aceitar esse agora com lonjuras doído de saudade. 

Você só poderia ter nascido mesmo setembro, porque anuncia alegrias. Anuncia tempo bom, primavera, cor e flor numa só pessoa. Ainda me assusta um pouco pensar saudade ou nos perdemos, mas me aquece pensar você sorrindo sol, como música. 

Quem sonhou o nosso encontro deveria ter estrelas nos olhos. É, eu gosto de te pensar presente de Deus e, assim, sem desencontros.

Feliz vida, Rafa! E sabe: eu te amo você.


Para Rafaela Toffolo, meu sorriso de sol.