sábado, 27 de setembro de 2014

alice
vem me cobrar um riso
que nunca foi dela
vem dizer ser dona
do que sou
nada te pertence
alice
põe açúcar
na tua dor
engole
de uma só vez
e não me
leve.

fez-se mar
no meu corpo
cheio
das ondas de ti
fez-se breu no céu
em mim
queimam as estrelas
de um tempo incurável
fez-se paz
 
do que adiantou?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Da pronúncia


meu coração 
é quem detém competência
para pronunciar a ti
da provável existência de nós
não peço convencimento
absoluto
só o amor.


*ainda sobre as aulas de processo penal, que não estão me fazendo muito bem, não.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

eu te vejo sorrir
imagino tardes de sol
banhando de primavera
teu corpo cansado da vida

eu te vejo calada
imagino monstros gigantes
a roubar palavras secretas
na voz que ainda não podes fazer soar

eu te imagino feliz
vejo amor acontecer
nas frestas dos dias
quando não estás


fim.

domingo, 21 de setembro de 2014

Poema para não voltar

caí
no poema alheio sem permissão
dei linha para os teus versos
ritmo para tuas letras
até emprestei minha voz
/soprano desafinado

embalei teus sonhos
em papel algodão
macio
era te ver passar
dentro dos meus olhos
sem nada para contar

ainda sorrio
e me sinto tão só
tão sol
tão

o problema é que sinto.


sol com lá bemol



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Para Maryna 
(que me indagou: Tia, quando tu fica sozinha, tu fica triste?)

tenho companhia
é uma voz
que grita o tempo todo
dentro de mim

enquanto durmo
ela gruda
nas linhas tortas
das minhas mãos
versos indecifráveis

sigo
tentando alcançá-la
no sono
no sonho
sou pedacinhos.

o mundo todo.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

sem sair do lugar

setenta e cinco borboletas
provocam rebelião dentro de mim
para além do estômago
estou povoada
de voos

desde os pés
ao coração.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Encontre-se

a fome que tens
é de ti
as lutas, todas tuas

a falta que sentes
é de ti
os vazios todos

não vai no prato meu coração
eu mesma já o devorei
inteiro

para saciar tua sede
cansaço
não tenho
uma dose sequer
de palavras líquidas
transbordo

de fome
de falta

e de excesso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Eu não quero
negociar afeto
não
meu coração
para fora
pulsa
ritmicamente
notas que meus dedos não alcançam.

Sucumbência única

não tenho acesso a mim
aceito livremente
a porta que não se abre
a fuga contínua
sem causa consciente
contra quem não posso ser
luto.


*
o título foi a única coisa que ficou da aula de processo penal

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Faltou luz

no escuro os olhos
veem mais
o corpo sabe
os pés andam
sozinhos
cada cômodo desta casa
sabe me encontrar
cada parede sente
o coração pulsar nas mãos
o suor correr entre as linhas
entregando o soar
das palavras como pontos de luz
anuciam
fim do túnel.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Feliz vida, boa pessoa!

quem você abraça
sem ver
é quem você
mais tem

essa boa pessoa
que em ti se expande
vem sempre me encontrar
sorrindo

a sul de mim
tem você
nascendo hoje
mais uma vez.

sábado, 6 de setembro de 2014

o poema a ruir
implora minha volta
até a última linha
ainda ouço respirar
ternamente
há algo que flui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

está tudo aí 
a porta a possibilidade
o não talvez até o nunca
sim?
depende de você.



ninguém cantou
 amor que chove primavera
faz rir o mar.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Oi, setembro

Para Rafaela Toffolo, meu sorriso de sol

Você me flori
maravilhas
em partículas solares
imperativo:
seja feliz!

Procura-se

Mais razão
menos coração
por favor!
quem me achar
avisa
bilhete carta pombo
recados soprados ao vento
desenho em nuvem
um sinal qualquer
menos essa dor
menos coração
por favor!