"O universo
é todo mundo compartilhando", disse T., naturalmente, no meio de nossas
investigações como se não soubesse que sua fala guarda a complexidade da vida.
Ela sabe. Crianças têm as explicações mais filosóficas sobre o existir, estar e
ser humano.
Eu amo escutar
crianças e foi a escola quem me ensinou isso. Não durante os 13 anos enquanto
eu era a criança, a adolescente, a jovem. Não aprendi com a Universidade em
nenhuma das duas vezes, nem mesmo buscando licenciar-me para sentir, assim, que
estaria liberada a falar sobre educação. Foi a escola quem me autorizou a isso.
"O universo
é todo mundo compartilhando", disse T. dividindo comigo a grandeza de
crescemos no espaço cujas paredes não limitam nossa curiosidade e nos levam
para fora. Para além das portas investigamos formigas, imaginamos quem está do
outro lado, esticamos o horizonte, fazemos da cidade quintal possível.
Eu amo escutar as
crianças. A escola da infância foi quem me possibilitou isso, sabemos sua
função? Ela existe para nos servir enquanto não temos com quem deixar nossos
filhos? Para economizarmos porque “manter uma babá é mais caro” e lá o cuidar
está sob supervisão? A que serve a escola da infância? A quem serve?
"O universo
é todo mundo compartilhando", disse T. na escola, que é todo esse universo.
Não dá para pedir menos porque nos é caro construir juntos o percurso na vida
de quem vale toda nossa vida. Não dá para aceitar menos ou só amor, porque é
trabalho, é tempo, é urgente e presente.
O universo é todo
mundo compartilhando. Agora. Onde a escola está por um fio e a infância
impossibilitada de escuta.
