quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Desconhecimento

frio
frígido
faz-se
fora de mim.

o lado de dentro não se sabe,
encobertos mistérios do ser.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dicionário II



Distância:


É o tempo contado separado; a outra margem do rio; é a ausência do que não está. Cresce por todos os lados, vira oceano. É o espaço entre a verdade e a mentira; entre a tristeza e a alegria. É a barreira entre o hoje e o amanhã. Distância é a vírgula, o ponto, não o fim. É o que ainda estar por vir.

Distância é o longe que existe entre eu e você.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ela, que eu vi passar


Ela,
que não rejeitava dor, jamais se envergonhara de chorar
choro bom de alívio, de libertação.
Ela,
que jamais entendera de onde vinha alegria que assalta, sorria com os olhos
invisível no mundo, nos atalhos de si.
- Não há caminho fácil, não.
Ela,
que se equilibrava na vida com a luz do sol na palma da mão.

Salvação

- A dor salva?

Até que ponto isso podia ser verdade não tinha certezas. Mas sabia, sim, a dor lhe salvava diariamente do não-sentir, e isso a salvava de si própria.

sábado, 23 de outubro de 2010

Céu de Outubro


Sob o céu de outubro há azul-alcançável
o sol tem cheiro de manhãs de domingo
o vento tem cor de primavera.

Sob o céu de outubro tem flores de toda cor no caminho
a lua reina plena na noite toda cheia de mim
as estrelas cantam raio de luz no coração.

Sob o céu de outubro há canções nunca cantadas
há amores nunca vividos
há palavras nunca pronunciadas.

Sob o céu de outubro sou mais feliz.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dueto




Lua no céu
Aqueles dois –
Entre estrelas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010



Sua vida semibreve
Tocava colcheias –
O piano sorria.

domingo, 17 de outubro de 2010

Vem

Espero, ainda, o teu calmo chegar. É o mesmo lugar, o mesmo terreno esperando ser regado, esperando florir. Só sei das ausências do que não é. Tem dias que canso, fecho portas e passo cadeado em tudo, minto, digo não abrir para ninguém, mas sei que se chegar, a casa é sua. 

Espero, ainda, o doce falar, a tua paciência para ouvir o indizível que saberás decifrar. Só sei dos silêncios assustadores do abismo de mim.

Tem dias que nem mesmo a minha voz quebra o intransponível vago entre o sentir e o falar, mas sei que se chegar, a leve presença que te acompanha encherá de som, vida e cor, o vento que me cerca.

Espero, ainda, te ver chegar, antes do sol se pôr, é quando se pode observar melhor o extenso jardim do meu coração.

sábado, 16 de outubro de 2010

Faz de conta

Faz de conta que a dor não existe, é invenção
Faz de conta que ser não pesa, e seja sempre
Faz de conta que sorrir, pra espantar tristeza
Faz de conta que vai passar, quem sabe não passa mesmo?
Faz de conta meu bem, tudo vai ficar bem.
Faz de conta que a lágrima não corta o sorriso, e ria de você
Faz de conta que você é o outro e converse consigo mesmo
Faz de conta que o sol nunca se põe, e o horizonte é todo seu
Faz de conta que saudade não existe, e carregue todos contigo
Faz de conta que ser feliz é aceitar a tristeza também, e fique triste sem peso maior
Faz de conta meu bem, que o sempre nunca acaba
e a gente não é um faz de conta.

domingo, 10 de outubro de 2010

Nenhum, Nenhuma (Conto)



Por Guimarães Rosa; In: Primeiras Estórias

sábado, 9 de outubro de 2010

Pedido


Seja um céu estrelado na noite,
Um pôr-do-sol alaranjado no entardecer.
Ou seja, o horizonte infinito
carregando de tudo consigo
pra nunca mais eu te ver.

Seja um eu em dois,
Um sorriso assim roubado, com todos os sentidos em você.
Ou seja, aquele olhar distante
seguindo grande e espalhado
carregando o meu mundo de mim sem meu querer.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Faces do Tempo


O tempo se perdeu no tempo
Coitado, mal sabe de si
Que dirá de mim?

O tempo virou redemoinho no mundo
Furioso, recusou companhia
Decidirá por mim?

O tempo parou no meu tempo
Amigo, segurou minha mão
Vamos juntos?

Foram-se pelo tempo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Urgência


Um corpo que não suporta às vezes ser o que é, assusta
De tanto não caber ser quem é, acumula-se em lágrimas,
nascente de rio
barco ancorado
um eu a deriva, a ponto de
Parece, só eu posso me proteger de mim.


O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho
e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas. "

terça-feira, 5 de outubro de 2010


Guardo
Como o tempo -
A distância entre nós.