domingo, 17 de outubro de 2010

Vem

Espero, ainda, o teu calmo chegar. É o mesmo lugar, o mesmo terreno esperando ser regado, esperando florir. Só sei das ausências do que não é. Tem dias que canso, fecho portas e passo cadeado em tudo, minto, digo não abrir para ninguém, mas sei que se chegar, a casa é sua. 

Espero, ainda, o doce falar, a tua paciência para ouvir o indizível que saberás decifrar. Só sei dos silêncios assustadores do abismo de mim.

Tem dias que nem mesmo a minha voz quebra o intransponível vago entre o sentir e o falar, mas sei que se chegar, a leve presença que te acompanha encherá de som, vida e cor, o vento que me cerca.

Espero, ainda, te ver chegar, antes do sol se pôr, é quando se pode observar melhor o extenso jardim do meu coração.

4 comentários:

  1. Alice, que bela prosa poética!
    Há abismos que temos que vencer sozinhos, mas há outros que só faz sentido vencer se estivermos acompanhados.

    Beijo :)

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  2. Esperar tbem é uma forma de amar, porem, amar nem sempre é esperar.....

    Somente esperamos aquele que foi, que em um certo momento esteve aqui, acalentou nosso peito, colheu flores no jardim e se foi....

    O jardim continua lá, nao ousou apagar suas pegadas em nosso jardim. A rosa floriu e tambem aguarda por ele para colhe-la.

    Mas porque espero? Se espero é porque quero que volte. Se quero que volte é porque nao esta mais aqui. Se nao esta mais aqui, é porque se foi...

    SE ele se foi, é porque eu o deixei ir....

    Fique esperando, nao por ele, mas por alguem que possa colher as flroes e rosas comigo. Pode ser ele, como tambem poderá nao.... Pode ser qualyuer um que venha com um sorisso no rosto e um coração carregado de amor no peito.

    Felliphe

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  3. A alma do poeta trás mais beleza a palavra. Muito bonito.
    Beijo
    Denise

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  4. Noussa,alice ...
    que texto gostoso
    de ser lido...
    dorei...

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O que diz seu coração?