segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Diálogos [João e Marília] XI

- João, se você estiver aí não atende esse telefone. Eu só queria te falar... queria que você soubesse que essa manhã estive andando por essa cidade, por essas ruas longas, e quis te encontrar em todas as esquinas. Eu desejei te encontrar sem saber se queria encontrar teus abraços, você, ou, se eu precisava te encontrar para me encontrar. Estou perdida, João. As tuas palavras fazem ciranda nesse ar que me cerca e eu ando mentindo ao coração. Eu tenho medo, você entende? De repente a gente acorda do sonho e já não é mais preciso olhos fechados porque vai crescendo em algum espaço oculto e de forma inesperada: nós. Então somos fixados naquele esconderijo e eu fico em silêncio assombrada pela obscuridade desse lugar. De repente a gente sonha e já é tão distante que o tempo se compadece e me dá abrigo em seus braços. Então fico aqui com tua parte de nós que agora sou, só, eu.

Queria te contar de primaveras que se abrem em pleno inverno, mas tudo que me envolve é frígido. Por que apaga teus passos do caminho, se só resta o pó das estrelas que escolhemos a nos guiar? Nos canteiros secos pedras cobrem as flores. Meus frutos são espinhos de ser(tão), e agora chove: eu não sei cuidar de mim.

domingo, 28 de agosto de 2011

(A)gramática de urgências


Quanto mais andava
mais achava pedaços seus pelo chão
e seu lugar é lugar nenhum
sob o céu azul: distante.

Me rouba
pra teus caminhos
que os meus já conduzem
a não-sei-onde
e o vento que sopra aqui
carrega os planos de felicidade.

domingo, 21 de agosto de 2011

Cruz

Carrego o peso
da tua não-existência
em mim.
E como dói e arranha o corpo
o abismo em que me lanças.
Fico a contemplar absorta, o tempo
que tem medo de nós.  

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Desacerto

Por querer-te muito
te tenho ao longe.

Essa distância
é a mais bonita poesia
sobre a qual
ainda não ouso falar.

O sentir de tua presença
diz flores
ecoam em mim
sinas da tua existência.

Escrevo para te ter aqui,
para te ter ao lado,
para te ter ao dentro,
para te ter em mim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Amor
é palavra com vida própria
oscilando entre
a luz e o breu de
nós.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

sou mais pausa
e silêncio
que música.

Estrada de chão


Não me acho em lugar algum
atropelo pensamentos
alimento medos
crio raízes só em mim.

Meu querer é um
meu agir é torto.
Tenho vontade de infinitos
mas vivo no fim.

Sofro de esperas,
Vens?

Grande, assim

O tempo da dor é solitário, cacos de vidro me escolhem para ferir. Sem espaço para páginas felizes, alegrias superficiais, só um querer: o gosto amargo do choro; o sentir afiado de cada gota nascendo e formando profundezas de mim.

O tempo da dor constrói, apenas, quando não é mortal.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Casa vazia

transbordando dentro da noite
entre paredes frias
sobra eu dentro de mim.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Falta de ar

Sopro quente de companhia me faz querer ser dona de palavras sem máscaras nascendo sem dor e crescendo por entre as vozes desafinadas de nós dois disfarçando o brio dos segundos que nos rodeiam querendo roubar nossos sonhos de hoje aqui e agora.