sábado, 30 de junho de 2012

Pele
com cheiro de poesia
rastros de ti. 

sábado, 23 de junho de 2012

- Metade
ou mais 
de mim
é bem assim 
escuridão.

- "e a consciência disso te faz grande".
ele
ela
no limite mínimo
nós.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Que há no poema?

Não há fascínio no poema
nem esquecimento
não há voz

Não há mal
nem salvação
espaço ou ausência

Não há silêncio
nem paz no poema

Que há no poema
que se faz em mim?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Para te ferir de mim

Para te ferir e a mim

Maldigo a poesia
arranho versos no corpo
destruo tua casa.

Revelo a insensatez
de todas as verdades
deixo à mostra

face obscura
raiz do meu mal.

Para te ferir de mim

Sangrar cada gota do poema
de tua dor
beber palavras

Saciar minha sede.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dia de Alice

Vinte e dois invernos, e Alice continua fingindo não saber que já é mesmo quem escolheu ser. Alice finge tão bem que às vezes me convence do seu aparente não estar, e eu fico perdida sem ela. Ah, eu tenho tanto medo que Alice saiba ser sem mim. Medo que algum dia ele me deixe abandonada num escuro desses qualquer e jamais eu volte a saber da luz.

Será que nada em mim é capaz de te fazer saber que não há mais "para onde"? É aqui, Alice. Fica.

terça-feira, 19 de junho de 2012

extensão indefinida

este espaço
não é só distância
neste aqui
a gente acontece
e nunca é.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Qual o cheiro?

Talvez amor
amor mesmo
tenha cheiro de céu azul em dias cinzas
cheiro de manhãs geladas com pés cobertos por meias coloridas.
Talvez tenha o cheiro de tardes frescas de verão, ou
cheiro de chuva em dias quentes.

Talvez o amor tenha cheiro de mar
e eu beba dele
sem ter sal na boca
e eu beba dele
tentando chegar a ser horizonte.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Eu me permito pensar em desistir

Eu não preciso de teus olhos negros nem da tua paz. Não preciso do teu sorriso encobrindo meu sol, nem da tua palavra sorrateira. Não preciso que me traga flores, não quero saber do teu perfume; nem de teus passos por caminhos onde não estou.

És livre. Você não precisa das minhas mãos fracas nem dos meus pés em falso. Não precisa do meu silêncio de abismo, nem de poucas alegrias inventadas. Você não precisa de imprecisão. Não precisa saber do sal em meus olhos, nem da neblina das minhas manhãs.

Não me julgue, nem me espere, eu também já cansei: o amor que buscamos não vai chegar.


"Eu te amo e não preciso de ti;  tu me amas e não precisa de mim; 
somos um para o outro deliciosamente desnecessários."

terça-feira, 5 de junho de 2012

Estado de necessidade

Por mim
o sacrifício
foi você.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Fim de tarde

Não sei o que passa
da janela do ônibus
minha vida ou eu?

Quem passa não me vê
quem eu vejo
não me sabe
mas eu sei

Céu ardendo nos olhos
minha vida solúvel
pela janela.