quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A Mesa Voadora, de Luis Fernando Verissimo

Então eu também descobri que não escolho livros que me façam sorrir, é sempre mais para fazer doer, lagrimar e me levar ainda mais para dentro de mim. Quando perguntam eu respondo que gosto dos livros que me levam ao longe. Não é mentira, aqui dentro é tão distante, e eu sempre encontro um jeito de voltar.
 
Dessa vez foi tão diferente que chegou a ser estranho, eu ri muito com o Luis Fernando Verissimo. A Mesa Voadora é seu terceiro livro de crônicas relançado pela Editora Objetiva. O Verissimo nos aponta como verdadeiros predadores e mesquinhos quando o assunto é comida, tudo isso de forma divertidíssima. Mas como não poderia deixar de ser eu achei a poesia, ele diria que eu cheguei mesmo a ter fome dela, já que "Comer é uma forma extrema de possuir o que queremos".

"No outro final, os dois se despedem, nunca mais se veêm, e o espectro de uma possível sauce com trufas perfeitas para os champingnos recheados fica vagando entre as prateleiras, por todos os tempos".

É um livro de humor elegante, que me arrancou risos leves ao descobrir a delícia de ser um inventor de sabores.

" - Olhe, ele está de olhos fechados... e sorrtindo como um anjo!
- Deve estar pensando num novo sabor."
 
Recomendo muito a leitura, especialmente para você que assim como eu anda se doando e se doendo nas entrelinhas.
 
"Ou talvez seja uma história inspiradora: não confunda os aperitivos que o destino lhe serve com a vida, cedo ou tarde aparecerá o prato quente. Sei lá."

domingo, 24 de fevereiro de 2013

atrás dos dias
o corpo é cansado
a voz não ecoa
a vida é imóvel
mas você passa

atrás dos dias
toda espera é burra
a verdade envelhece
o sorriso é raso
e a mentira até convém

atrás dos dias
permaneço
sombra de mim

atrás do amor
penumbra
fogo
festa
cinza
fim.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Revelando Alice III

Alice chora o leite derramado e não gosta de café. Contempla mãos e ainda conta nos dedos. Tem os pés tão estranhos quanto a vontade de voar. Aperta os olhos para ver o todo, mas não me vê. Alice tem uma paixão secreta por janelas. Abertas, fechadas, de toda cor. Janelas de ônibus, de casas... Eu me pergunto quando ela irá saltá-las. Quando, Alice? Quero tanto te saber livre, tanto.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dicionário X



Casa:

lugar do qual a gente nunca vai embora. Gente que dá vontade de morar. De paredes fortes com blocos de ternura, cheia de braços longos e riso frouxo. Número oito, na rua que faz verão todo dia. Manhãs de domingo. Aqui a gente sabe quem chega pelo som da chave girando na fechadura; pelo passos mais leves quando se aproximam da porta. É, o amor faz barulho, e bagunça também.

Vocês são minha casa, meu melhor lugar no mundo.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Motivo 6


Acontece o amor toda vez que piscamos os olhos, apertados; 
a cada passo nosso, em cada parada, estação; 
em cada nuvem que dissolve quando vem a chuva. 
O amor está acontecendo em cada sorriso largo; 
até na incerteza ele está, e reluz mais que o crepúsculo. 
O amor acontece em nossas mãos quando buscam se aquecer. 
Toma todos os meu braços; quer morar num só abraço. 

O amor está, principalmente, quando não aparente. 
Sorria!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Coordenada

Dentro do meu norte
bem perdida
a sul de mim.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vê?

É sobre voltar. Sobre entrar em casa, tocar os móveis, abrir as gavetas, reler os papéis velhos deixados sobre a mesa ao lado da janela que diz um vento pontual às cinco da tarde, quando gosta de cheirar as cortinas que dançam silêncio. É sobre andar cada centímetro guardado entre aquelas paredes e dar-se por satisfeita sabendo que conheceu todo espaço de novo, seu. Depois é aqui. A gente sabe onde termina e não é no fim. 

É sobre ligar todas as lâmpadas e ficar no escuro, no centro de tudo. O caos. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A bem de mim

a bem de mim
fico
com quem está onde escolheu ser
finjo
como quem se esconde mas anseia por ser descoberto

a bem de mim
nada me encontra
e eu permaneço

solar.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A hora dos invisíveis

Em verão acontecendo
alta noite
a cidade sempre sente frio.