me acha
me inspira e
expira.
me enfeita
me laça e
lança.
me põe numa caixa e
me manda de volta
pra mim.
domingo, 30 de outubro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
Intento
Pensar fora de mim... como é que faz isso? Está quase insuportável aqui. Só me encontro errado. De uma forma torta, cambaleante. Qualquer deslize é um tombo feio. Vou me arrastando fingindo que não, que não sangra e arde e dói o coração. Esse mesmo que tranquei sozinho em quarto escuro tão despido de mim. Como pode tudo ter cheiro de espera e ser tão frígido? A alma cansa da estreiteza do corpo, e com a mesma intensidade que pulsa a vida, lanço-me desse abismo. Estou morta de poesia.
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O espaço que há em Mim
Vitral
São olhos turvos,
esses que te veem.
Não sei se de lágrima ou brilho.
São olhos rasos
que adormecem
ao lembrar de ti.
E sono e sonho,
pouca lucidez.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Eu, Você: Nós
Você disfarça.
Eu finjo que.
Eu voo.
Você para e pousa,
assim, a eternidade em nossas mãos.
Você é manhã.
Eu sou entardecer.
Eu sou a pausa,
a nota desafinada.
Você, a música do silêncio
que afaga meus ouvidos.
Você é céu.
Eu, o pó das estrelas nos teus olhos.
Eu sou só.
Você é sol,
brio, brilho.
Você é brisa.
Eu sou a tempestade.
Eu sou o verbo.
Você, sujeito e predicado.
Eu: singular.
Você: plural.
Eu sou o sonho.
Você a realidade.
Eu sou coração inquieto.
Você acalma,
alma.
Você: palavra.
Eu a entrelinha.
Eu sou fim.
Você é ponto.
O amor é depois.
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domingo, 23 de outubro de 2011
Eu me rendo
Canto feliz pra solidão
é companhia
reflexos de mim.
Ela finge acreditar
e me sorrir.
Oferece colo
eu aceito.
Seguimos de mãos dadas
ambas cientes
das mentiras que as une.
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domingo, 16 de outubro de 2011
Tragédia semanal
O domingo me dói
como uma saudade do que é
mas de verdade nunca existiu.
como uma saudade do que é
mas de verdade nunca existiu.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Às vezes um
incidente entre dois.
Quebra
pesa
arranha
mas sabe ser macio.
Abraço azul,
único mar possível
para desaguar.
Distraidamente
inaugura verão em pleno inverno
vento que passa e me eleva.
Essa coisa que chamam de amor,
só
caminho de desavisados.
incidente entre dois.
Quebra
pesa
arranha
mas sabe ser macio.
Abraço azul,
único mar possível
para desaguar.
Distraidamente
inaugura verão em pleno inverno
vento que passa e me eleva.
Essa coisa que chamam de amor,
só
caminho de desavisados.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
coração disparado
explode
em perfume
e (in)versos
mas não podes ouvir
então me calo.
explode
em perfume
e (in)versos
mas não podes ouvir
então me calo.
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etneuqesnocni
Quando eu virei poesia
nascia nos olhos teus
uma lágrima.
Fui morar no verso
me afoguei em ti.
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Segredo
- O que você faz quando ninguém vê?
- Penso em você. Penso em você com força e carinho.
- Penso em você. Penso em você com força e carinho.
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sábado, 8 de outubro de 2011
Não mais
Não mais o dia
a luz
a falta
só o querer.
Não mais o cheiro
a cor
o gosto
só um querer.
Não mais o riso
o choro
o grito
só te querer.
a luz
a falta
só o querer.
Não mais o cheiro
a cor
o gosto
só um querer.
Não mais o riso
o choro
o grito
só te querer.
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Desassossegados
Troco poesia por uma prosa só nossa
e a mudez do mundo
pelo encanto do teu canto desafinado
amor por amor
já basta
só
suave
sina
de aprendizes.
e a mudez do mundo
pelo encanto do teu canto desafinado
amor por amor
já basta
só
suave
sina
de aprendizes.
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Caminho na corda bamba até o limite do meu sonho"
Cresce um sonho sem dono por entre minhas mãos. Finge ser frágil. Ameaça doer e eu tento acalmá-lo no canto do coração. Continuo respirando. Suspirando. O sonho lá do canto, desabercebido de mim, cresce e grita por espaço. Sem ceder, ele começa a arranhar por dentro. Dói sem fingimentos, eu acredito: o tempo vai curar. A pele seca, o corpo dolorido. O sonho sem se importar me toma inteira e me acalma ali, em um canto de coração. Continuo respirando. Suspirando. Sou só sonho: ilusão.
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Fim
No entanto continuas lá. Já não ouso calar o silêncio porque já é outra a dor que invade e me quer levar. Passa. As mãos calejadas esperam o nascimento de palavra qualquer que surja como vulcão em partículas quentes e que aqueça, mesmo em morte, pois é então que começo a viver. Não julgues o que não acontece, é vão. Olhos que não veem nem sentem o princípio das lágrimas.
O poeta é quem transforma solidão em poesia pra não doer em si. Mas esta sou eu: apenas uma alma inquieta em um corpo à deriva. Minha palavra não tem força pra salvar, morre em todo ponto final, é apenas uma vírgula do mundo. E amor? A desculpa do tempo é prometer a paciência que nenhum soneto sabe cantar. Há muito, não há onde ir. No entanto continuas lá, e eu que só queria uma única linha tua, tenho infinitos, reticências.
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domingo, 2 de outubro de 2011
Sons
ressoam
por entre as frestas
do tempo
palavras ao vento
esvaem-se pelo ar
viram vapor
condensam em nuvens
passam passam
cinzas
chovem
pontos finais
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