segunda-feira, 28 de julho de 2014

Aprendendo a ser feliz com Joana



Tudo era como o barulho do bonde antes de adormecer,
até que se sente um pouco de medo e se dorme.
A boca da máquina fechara como uma boca velha,
mas vinha aquilo apertando seu coração como o barulho do bonde,
só que ela não ia adormecer.

                Joana não me permitiu adormecer. Chegou sobre mim fazendo um barulho enorme, jogando ao vento tudo que secretamente julgo ocultar.  Dentro de si Joana é solidão. Dentro da solidão Joana se faz. Fazendo a si Joana desconstrói o mundo. Buscando juntar as peças Joana me constrói no seu mundo, e por mais incrível que pareça: nos encontramos.

                Descobri em cima da chuva um milagre – pensava Joana –
um milagre partido em estrelas grossas,
sérias e brilhantes, como um aviso parado: como um farol.
O que tentam dizer? Nelas pressinto o segredo,
esse brilho é o mistério impassível que ouço fluir dentro de mim,
chorar em notas largas, desesperadas e românticas.

                Não chego a descobrir o milagre se fazendo em Joana. Mas consigo sentir o milagre se cumprir em mim a cada segundo do dia. Mesmo quando, ainda selvagem, sou a própria tempestade: “sou a onda leve que não tem outro campo senão o mar, me debato, deslizo, voo, rindo, dando, dormindo, mas ai de mim, sempre em mim, sempre em mim.”
                Quisera eu pudesse revelar a Joana o que ela própria me revelou, e trazê-la a superfície sem culpas, e deixá-la no colo de Deus.

De profundis.
Deus meu eu vos espero, deus vinde a mim,
deus, brotai no meu peito,
eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça
e eu só sei usar palavras e as palavras são mentirosas (...)

Cheia de si. Vejo Joana cheia de si, cheia de mim e cheia de Clarice. Talvez, muita pretensão querer me encontrar tão perto desse coração, mas é aí que estou. Exatamente neste lugar: perto do coração selvagem.

Tão desnecessária toda a gente


também fico me perguntando
pra que tanta gente
quando um só riso me distrai
fica mais difícil saber
quem sou longe de você?

domingo, 27 de julho de 2014

Primavera (Em pleno inverno)



Um leve vento colorido enche meu coração
Em festa, sinto despertar primaveras
Sob minha pele, pequenas flores me compõem
Navego em doces melodias.

Tento alcançar o voo no meio da tempestade
O negro céu inventa abismos profundos
Raios tentam partir meu sorriso
Cheio de sol, cheia de Deus, a vida é calma.

Ensaio belas canções
Inauguro novas danças
Sobre a mesma tela
Eu, a colorir.

Desperto do sono e vivo o sonho
Para toda cor em mim há lugar
Felicidade vai chegar.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Porto seguro

olho
e revelo
não há traço que te defina
palavras até abraçam
aprisionam o tempo
guardam tuas lembranças
um dia
a vida te oferecerá mais que esperas.


Dá vontade de morar
na tua paz
deitar meus olhos sobre ti
esquecer de mim
frente a uma porta qualquer
ser mais que um
talvez


quarta-feira, 23 de julho de 2014

no amor
o mundo inteiro é azul
árvores pessoas
animais coisas
inclusive a dor
já quase nem dói


ela também é azul.

Amor tem braços

para Sind, que me ensina a gostar de monstros.

voltou correndo
porque esquecera o abraço
nos acolhemos
de olhos fechados
quis guardá-la para sempre

o verão de nós.

sábado, 19 de julho de 2014

nunca mais nós
prometo
nunca mais nós
nem mesmo em teus cabelos
prometo
nunca mais

eu vivo para ser sol *

domingo, 13 de julho de 2014

Todos os os dias
estás a me socorrer
a ouvir o que grita em mim
silenciosamente estás a dizer
Eu Sou
enquanto a Ti me inclino
sinto Teu amor revelar
um cuidado que nem mereço.

sábado, 12 de julho de 2014

ficar no banho
até os dedos murcharem
vai pelo ralo
toda tristeza
do dia

quarta-feira, 9 de julho de 2014

queria
ter no verso a fúria
e a beleza do mar
cantando imagens que vem e vão
sem se importar com os navegantes
que podem muito bem
naufragar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Devo seguir

Eu te amo. Pronto. Abriu-se o abismo. Agora você se põe a cair dele, lentamente. Eu te amo, mas isso não adianta nada. Não adianta nada se não posso tocar ou fazer dos teus ombros almofadas. Não adianta nada se não posso contar os cílios que caem dos teus olhos quando acende uma lágrima ali no canto, ou as manchinhas que nem sei se tens nas costas. Não adianta nada se nem posso brincar com os dedos das tuas mãos, inventar dancinhas, ser bailarina. Não adianta nada ficar usando as palavras para se esconder. Essas garatujas tentando explicar o mundo que não vejo, que não sabes, que ninguém pode trazer aqui. Eu te amo. Isso não diz nada.

domingo, 6 de julho de 2014

Prova dos nove

Elícia é a prova de que
o paraíso está no outro

é com ela que voo.

A menina do sonho



quando eu for grande
quero ser uma menina
que esqueceu de acordar
porque vive no sonho
coisas muito reais.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Elícia tem o ouvido absoluto do amor


- Gosto do barulho que tu faz quando dá um sorriso.
- Que barulho, eu faço barulho?
- Assim, um barulhinho nas duas pontas...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nove anos

 Para Elícia Camilly, minha cor feliz.

acho tão bonito
você ainda sai a passear com suas bonecas
preocupada se elas sentem frio
nunca esquece a mantinha
a bolsa de lado
os olhos de menina
desfilando sonhos pela cidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Jardim



gosto das horinhas descuidadas
de quando vens sem avisar
enquanto inventas as mais divertidas aventuras
pesco borboletas dentro de ti.

Só encontro em você


Elícia é a verdade do amor
é a face do amor
a coragem no amor
a dose certa de amor todos os dias
vem de Elícia
a multiplicação do amor
em mim.