sexta-feira, 30 de abril de 2010

Margem


As palavras do papel girando em sua mente: ' Não se deve ultrapassar as margens da alegria.' Queria encontrar a razão... como assim? E quando a alegria transborda? E quando não há como conter esse sentimento explodindo por dentro? A resposta vinha como se falasse por si:
- Deve ser que quando se ultrapassa essa tal margem aí, já não é mais alegria. Alegria que ultrapassa a margem é Felicidade, daquela sem necessidade de explicação, sem significação. Só plenitude, Felicidade plena.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A menina e o tempo


Eram dois, eram juntos, eram só.
Ele crescia, deixando ela cada vez menor. Seguiam ...
A menina com o tempo, e a cada passo:
A distância,
A saudade,
O choro,
O riso,
A palavra,
Os abraços.

A menina era aquela, do coração leve, do olhar atento, dos passos tímidos, do sorriso acolhedor. Era aquela das mãos soltas no ar, dos cabelos com cheiro de vento, das conversas infinitas com silêncios que sopravam respostas.

A menina era aquela que vi passar, mesmo às vezes olhando para trás, tinha fixo os olhos no horizonte, no lá, não no fim, no caminho eterno. Aquilo era antes um belo presente, o futuro, e ela sabia. Ela, que corria milhas em pensamento, que conhecia um mundo miúdo, mas seu.

A menina era aquela, que queria ver como o tempo, andar alguns passos à sua frente, saber de suas estradas seguras, suas certezas, seus 'nuncas' e seus 'para sempre'. Mas o tempo era aquele moço sábio, único que conhecia seu amor. E a menina, era ainda e só uma menina.

domingo, 18 de abril de 2010

Lar

Hoje vou pendurar raios de sol em todas as janelas, deixar a luz reinar. Abrirei todas as portas, e substituirei as grades, os portões, por largos sorrisos de boas vindas. Trocarei os antigos jarros de flores já murchas, por outras inspirando vida, colhidas no meu próprio jardim. Do jardim, eu mesma arrancarei as ervas daninhas que com medo e sem coragem deixei crescer, plantarei sementes novas com tom de Recomeço.

Hoje vou tirar do armário todas as roupas sem coragem e sem cor, vou me libertar de todos os juízos sem valor. À tarde, quando chover, vou sair para sentir cada gota d'água em meu ser. À noite dormirei estrela. Pela manhã acordarei arco-íris.

Ao primeiro raio de luz, sentarei em frente ao lago para te esperar nascer em meu lar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vida


Uma hora, mesmo sem querer toco o chão.
Dias de asas cansadas, de quando o voo é pesado.
E há tempo vendo de perto, céu, lua, sol nascer, luz.
Nessa nossa grande roda-gigante,
O segredo é fazer girar.
Acredita, e faz girar: Vida

sábado, 3 de abril de 2010

Outono, em uma tarde de Inverno.


Combinamos - eu sei - que você viria, mas agora já faz tanto tempo, que a dúvida cresce dentro de mim. É aquele espaço que nunca se preenche, são aquelas palavras querendo ganhar alma. É uma vontade de sorrir, mas uma maior ainda de deixar chover para fora, de entregar os pontos, de desacreditar. Parece, de verdade, que nossos caminhos são contrários, e o que mais queria era poder te encontrar na esquina do dia em um abraço quente e longo, ouvindo você dizer que o Amor existe e me espera para sempre.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ao país de Maravilhas.


Alice,

Sei que estou com você todos os dias, mas hoje senti uma vontade enorme de te escrever, de te enviar palavras, e porque eu sei o que elas te provocam, o quanto significam para você, reúno essas aqui agora, como você mesmo diz, as palavras têm alma, e mais, as que nascem do coração.
Vejo você passar de longe, fico imaginando o que se passa aí nessa sua cabecinha, nesse coração que carrega o mundo, e que tem tanto para realizar. Me encanta o tanto de sonhos brilhando nesses olhos, sei também dos muitos caminhos à frente, até entendo esse medo que assombra às vezes, mas você me surpreende com essa determinação, sempre avante. Esse teu olhar fixo no horizonte... esse teu céu, Alice.
É aquela velha história de ter mais estrada para percorrer do que medo, e você segue. Só que em momentos, sinto em mim a tua solidão, a tua vontade de querer ter por perto iguais com quem possa compartilhar teus gostos, teus gestos, tuas tão preciosas palavras. Olha, não se feche para o mundo, para as outras pessoas, para as coisas bonitas que existem e que tens que conhecer.
Sabe, você me fez chorar quando me contou das noites no teu céu, essas em que quase não se vê estrelas, mas só a certeza de que elas estão lá faz de tudo mais iluminado.
Alice, não queria seguir sozinha, mesmo que seja preciso se atrasar, porque eu sei o quanto te fazem bem aqueles sorrisos no plural, aquele estar ao lado, até em silêncio.
Segue menina, segue, mas por favor Alice, não se perca de mim.