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domingo, 1 de janeiro de 2017

Posso tirar os sapatos?


Escrito no dia 22/nov/2016, 
mas um desejo e uma saudade para hoje: 
365 novos dias para serem sentidos com os pés na terra; 
a textura do mundo, o inteiro.



- Tia, a gente pode tirar os sapatos?
- E a meia?
- ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ, tia deixou!!!


Lá na minha turma ouço essas perguntas todos os dias. A todo o momento e antes de começarmos qualquer rodinha. Antes da leitura. Antes da notícia. Antes do “que dia é hoje? Como está o tempo lá fora? Vamos marcar?”. Antes de abrirmos a caixa divertida. Vou confessar que tem dias eles ouvem um “hoje não”, porque imagina você calçar às pressas oito pares de sapatos (alguns bem difíceis) enquanto os pais, nem sempre pacientemente, esperam na porta? Mas, Alice, você não os incentiva a serem independentes? Claro! Mas os pais estão esperando na porta, eu tenho que correr e nem sempre todos podem viver o ato de calçar as alegrias do dia em seus próprios sapatos.

Você aí, que alto de sua sabedoria já sabe amarrar seus cadarços, lembra-se da primeira vez que os fez sozinho? Lembra-se do quanto foi difícil entrelaçar aqueles fios, os nós, o laço final? O que hoje fazemos no automático aos quatro anos é uma das tarefas mais difíceis do mundo. Exige calma, concentração. Exige muita habilidade motora, percepção visual e espacial. Exige uma sequenciação de movimentos que às vezes eu não tenho!

- Mas é rapidinho, tia. Depois a gente calça!
- Quem tirar vai ter que tentar amarrar sozinho depois, hein?


Vou confessar que usava essa estratégia para fazê-los pensar que era melhor ficarem calçados, o que jamais impediu a aventura de muitos. Uma crueldade terrível. Sim, Alice sente vergonha disso. Tanta que o deixou de fazer e passou a desatar os nós. Aprender a amarrar os cadarços exige amor.

Há um mês Eliza calça e amarra, sozinha!, os cadarços dos seus sapatos. Vai em nosso diário o registro daquele dia memorável. Nossa, foi uma felicidade sem tamanho. A todo tempo dizia já estar independente. Calçava e descalçava aqueles sapatos com um sorriso no rosto e exibindo para todos sua destreza. Ontem foi Cleber. Há dias ele não aparecia na escola e chegou com essa novidade. Brincamos descalços. Pés no chão, coração pulsando o corpo inteiro. Transpiramos felicidade.

Hoje eu quero apenas pedir desculpas pelos dias em que vocês ficaram calçados. Pelos dias em que seus dedos não se refestelaram pelo lado de fora. Porque o mundo carece de ser tocado com os pés de vocês. O mundo carece desse carinho que se espanta com o frio e a dureza dos dias tentando reinventá-los (e conseguindo sempre!). Por favor, vamos todos tirar os sapatos antes de começar a viver! Agora será assim.

sábado, 5 de novembro de 2016

Essas trocas gasosas
que nossos pulmões fazem
quando nasci meu corpo
pequenino
não estava aparelhado para isso
Sentir foi difícil
no começo da vida eu necessitei de
máquinas para aprender
que fomos feitos para funcionar apenas
ao nível do mar
mas quis o voo
não deu
eu quase faltei no mundo
Agora imagina país sem alice
ou rainhas
caminhos ou respostas
imagina sol
o tempo todo
eu era
seu
céu
não havia
o tempo todo
eu era só
imagina.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ali se
virando a esquina
não é nada mais que
uma rota perdida
um ponto-nó de
encontro.

sábado, 28 de novembro de 2015

Eu, que aprendi a pescar borboletas




Maravilhoso Jardim,

como começar sem dizer que já estou com saudade de vocês? Cansada, sim, mas com o coração saudoso e feliz por tê-los encontrado no meu caminho, ao invés da pedra do Dummond! (Risos) Vocês me cobraram presentes e eu penso que devo lhes oferecer o melhor deles, o que tenho de mais precioso: minhas palavras. Palavras porque são vocês quem me ensinam a brincar com elas, a criar um mundo novo, sempre possível. Palavras porque vocês são quem as enchem de encanto e verdade, toda vez que lhes emprestam voz. Palavras porque são vocês quem lhes dão significados, quando crescem dentro de mim. Eis, então, as palavras-presente:

Delayla, obrigada por amar sorrindo esse sorriso tão seu. Obrigada me encher de dúvidas e depois me explicar o mundo, sem complicação.

João, obrigada por me ensinar a brincar. Obrigada por me ajudar a construir um mundo brincante. Obrigada por lembrar que, realmente, não vivemos para brincar, brincamos para viver. Brinque sempre, João!

Lavinia, obrigada por construir palavras novas comigo. Obrigada por me ensinar que “quando a gente ama, nunca solta”. Obrigada por não me soltar, e amanhecer dentro de mim.

Monique, obrigada por encher de cor o silêncio do mundo. Obrigada pela delicadeza do seu corpo entre nós, pelo gesto terno e coração quentinho.

Rayan, obrigada por sua alegria. Pelos abraços sem hora marcada, por querer estar sempre perto. Obrigada por vir sempre ao meu encontro. Ah, não esquece de me convidar para uma visita quando você mudar para sua casa na praia. Eu adoro o mar!

Rayssa, obrigada por me deixar ser a princesa do seu reino, mas a coroa é sua! Obrigada por me ensinar a ler seus olhos, eles falam por você e são coisas magníficas. 

Yasmim, obrigada por nos emprestar a luz que vem de ti. Como o sol, você brilha, e tem o cheiro doce do que é claro e nos faz sorrir. Obrigada pelas perguntas que me fazem duvidar de mim e acreditar mais em você que na ciência.


Meus queridos, obrigada por seguirem o coelho comigo, por me fazerem lembrar que o país maravilhoso de Alice existe, sim, e pode ser cada vez melhor!


Com amor,
Pró Alice.    

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ali se
toda poesia
em te se fizesse
transbordar
ali se
quem em ti
viria dizer
o mundo é teu
inevitável
ali
a girar

domingo, 31 de maio de 2015

um dia também
alice acorda
diante da folha em branco
o mundo grita

vem me amar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Quando a felicidade vem para o chá



para preencher seu país
alice
inventa
o que não há
inventa paisagens perto do mar
uma casa que também é sorvete e derrete
tanto amor
dentro dela
alice
inventa sempre um pouco mais
acredita que é capaz
quando cheia de nós
é cheia de nós!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

alice
não se case
sem me convidar
não esquece o chá sobre a mesa
as horas a passar
tudo em branco enquanto eu não chegar
dê as cartas
é você quem manda
alice
faz tanto medo
se você não me esperar
o que sobra para fazer
sem você
alice
que nuvem vai me ouvir
quem vai chorar por nós
quem mais vai duvidar
no sono
sonho.

domingo, 9 de novembro de 2014



-
por mais líquidos misteriosos que eu beba
por mais bolos que eu coma
tem uma porta através da qual
alice nunca consegue passar

tamanho algum suporta
a dor de ser.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

alice
atravessa o país inteiro
a fim de provar
em si mesma
a eternidade dos anos que não viveu.

sábado, 27 de setembro de 2014

alice
vem me cobrar um riso
que nunca foi dela
vem dizer ser dona
do que sou
nada te pertence
alice
põe açúcar
na tua dor
engole
de uma só vez
e não me
leve.

domingo, 6 de julho de 2014

A menina do sonho



quando eu for grande
quero ser uma menina
que esqueceu de acordar
porque vive no sonho
coisas muito reais.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Deixa ser

alice segue menina
ela é a minha vontade de tocar os pés
 no país das maravilhas!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

alice
quem levou o mar
para o teu país
não imaginava
o oceano inteiro
que navega em ti.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Revelando Alice VIII

não te convenças
do país das maravilhas
pouco há nestes dias
quando ninguém vê
alice enche um mar
com o sal de si
alegrias vindas como em ondas
hora maré baixa
hora rir azul
vê cores no vento
mas não sai de si
e ainda reclama das portas trancadas!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

"você não me conta
como eu vou saber
se o pedaço de céu que encobre tua vida
é do mesmo azul
que escorre de mim?
se você não faz nem sinal de fumaça
que chance eu tenho
de decifrar teu coração, Alice?"


domingo, 25 de maio de 2014

coisas da rainha

alice
cansada de aumentar e diminuir
longe da lagoa de lágrimas
agora é ela quem dá as cartas:
- cortem-lhe a cabeça!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Revelando Alice VII

Alice escreve como quem procura ser casa 
mas se fecha em toda pausa. 
Ela escreve como quem quer oferecer perdão,
como quem corre para o abrigo de um abraço.

Alice escreve para entender o tempo, ávido, de suas mãos. 
Ela percorre as linhas como quem busca encontrar caminho.

Às vezes, vejo puro amor em Alice.
Tem dias, porém, nada consigo encontrar dentro dela.

Alice inventa inverno para esconder a verdade 
quente 
dos seus olhos negros. 

Não diz, não faz o menor sentido.
Alice conta madrugadas dentro da noite. 
Sabe ser cura 
é a salvação contra seu próprio mal.

domingo, 31 de março de 2013

Revelando Alice VI

Alice foi ser um poema secreto
desenhado com palavras curtas
e sem voz,
mas eu sei o tom
que a levou.

Nada de coelhos!
Alice seguiu o vento,
queria aprender a dançar

tão menina
eu a vi
em passos singulares
fazendo desenhos no ar

quase mágica.

Lembro de gritar 
Alice, fica!
ela
nada de olhar

nem vi seus olhos
mas sei, começavam a transbordar
e escorria de mim 
a vida em gotas.

Era o meu fim?
o de Alice?
quem iria nos salvar?

quem vai ler o poema secreto de nós?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Revelando Alice V


tem instantes
Alice é tão feliz, tão
que eu chego mesmo a acreditar 
no país das maravilhas,


para sempre.