domingo, 23 de dezembro de 2012

Preâmbulo em mi menor


No começo de mim eu não fui palavra. 

Não fui verbo
nem oco
nem breu
nem inteira ou grande. 

No começo de mim eu já não era 
e sentia saudade 
e dizia adeus 
e queria só o que é.

No começo de mim
a liquidez
eu me derramava como chuva
caindo de nuvens pesadas.

Não fui azul
nem estrela
nem pó.

No começo de mim eu existia
sem acontecer.


Solver

tem um mar dentro de si

quando a maré sobe
olhos tão salgados.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Faltou ar, sim, diversas vezes
mas estou aqui agora, vê?

afinal, o que é
uma falta de ar boba
diante da falta de amor?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Diálogos [João e Marília] XIV

- É preciso que você decida ir ou ficar, fazer algo. É preciso.
- Você fala como se dependesse de mim, como se eu, apenas, tivesse que dizer. Sim. Não. Mas e você? O que você sabe sobre o amor, João? O que você sabe?
- A verdade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Entrelinha

usava a palavra
como escudo

ele despiu o verso
letra por letra

ali estava ela
encolhida
chovendo sobre si.

domingo, 9 de dezembro de 2012

I

como será
que por teus olhos
a vida passa?
- ou fica?

como será
que em teus olhos eu passo?
- ou permaneço?

como será?
me diz!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Temporal


afundaria o chão pisando assim com tanta força
ah, afundaria sim!
não teria mais chão
ou viveria suspensa
ou caindo
caindo
caindo...

depois
subir em nuvens
chover o mundo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quero mais o piano que uma mão para segurar


ecoa o mundo 
em mim
e então eu sei
que estou

-

acalenta minha mãos
embala meus sonos
meus sonhos

-

pleno
ávido
em cada extensão
do que me faz ser
inteira
ali.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Marítimo

Em rota
líquida



Corre 
um rio em mim
sem desaguar


quando eu mar
oceano.

Motivo 4

Gente que tem
o abraço feito casa
acolhe
é lar.
Sorria!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Doa-se

a palavra
que escrevo dói
aguda

então silêncio
mas eu sinto muito
grave.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Permanência

não te inventa
em distância

de ausência
a palavra
já está cheia

e eu só
transbordo.

sábado, 24 de novembro de 2012

Varanda

na rede
entre os versos
adormecem vidas.

e eu só
descanso em Ti.

domingo, 18 de novembro de 2012

Poema


começa com
um
eu te amo

tanto

então
desenha-se
o ponto

e
é
o fim

apenas

porque
depois do ponto final
é que a vida
continua

em silêncio.

sábado, 17 de novembro de 2012

Baldado tempo

Inutilmente
os ponteiros giram
cirandando as horas
carregando os dias
descompassados
dias largos

fartas saudades
dissolvem
memórias azuis de quem não está

só eu
fico
acontecendo

longe o tempo
imóvel
sobre minhas mãos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Uma nobreza que não me cabe

a máquina de fazer espanhóis - valter hugo mãe


e eu não posso 
salvar 
nem a mim mesma



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Intermitente

Pensa enganar
nos versos
as marcas de fim

nasceu para
saber excessos

é oca de si.

domingo, 9 de setembro de 2012

Ir embora


Um dia acordei e era um amor tão grande que não cabia no corpo, nem comigo, quentinho, embaixo do cobertor cheio de cores que me aquece durante o inverno. Tão grande que não coube na bolsa, não coube nas mãos, não me viu chorar.

No meio da manhã esse amor cresceu tanto que não coube na distância, nem na folha em branco. Não ficou em nenhuma palavra.

Mas era um amor tão líquido no final da tarde, que cheguei a molhar os pés e refrescar o rosto. Suave, conheceu minha pele respirando medo.

Foi um lampejo à noite, o amor. De repente, num clarão, eu me descobri escuros. 

Era uma amor tão grande que deixei ir.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Quem lutará?

Era ele sim
magro, tão fraquinho
mal conseguia ficar de pé
cego
sem voz

dentro da noite
o amor
ainda respira
um nome

sujo.

título: skinny love - bon iver

sábado, 1 de setembro de 2012

Abraço

Ainda me assusta um pouco a força delicada do que temos. Eu não sonhei te conhecer, mas quem sonhou alinhou bem nossos caminhos, até que o teu coubesse certeiro no meu e pronto: encontro. E depois desse primeiro vieram outros tão inesquecíveis que eu me nego a aceitar esse agora com lonjuras doído de saudade. 

Você só poderia ter nascido mesmo setembro, porque anuncia alegrias. Anuncia tempo bom, primavera, cor e flor numa só pessoa. Ainda me assusta um pouco pensar saudade ou nos perdemos, mas me aquece pensar você sorrindo sol, como música. 

Quem sonhou o nosso encontro deveria ter estrelas nos olhos. É, eu gosto de te pensar presente de Deus e, assim, sem desencontros.

Feliz vida, Rafa! E sabe: eu te amo você.


Para Rafaela Toffolo, meu sorriso de sol.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Passado(R)

Olha,
se for
amor
não importa.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Rota

Se fazendo rio
se encontra
o mar.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Motivo 3


Ter você
para sempre
ter você.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O amor nos fere de azul
para a vida inteira.

é inútil tentar se livrar
desse cheiro na pele
desse gosto terno
dessas cores quentes

toda tentativa será vã
e a cada uma
surge um rasgo enorme
por onde se derramam
pedaços de mim
sem lume

deixar doer em paz
é aceitar o tempo da dor
sem, no entanto, acomodá-la
sem dar abrigo
deixá-la, apenas,
sem brindes ou cumprimentos rotineiros

pôr a dose certa do tempo na dor
pôr a dose certa do tempo nos olhos de quem a vê
pôr a dose certa do tempo nas minhas mãos
a mão do tempo
nós!
a alegria
onde a dor?

O amor nos fere de azul
para a vida inteira.

sábado, 7 de julho de 2012

Motivo 2

Há
eternidade
dentro das pequenas horas. Sorria!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Há este céu duro
lá fora

mergulho

águas turvas
nenhuma vida.




sábado, 30 de junho de 2012

Pele
com cheiro de poesia
rastros de ti. 

sábado, 23 de junho de 2012

- Metade
ou mais 
de mim
é bem assim 
escuridão.

- "e a consciência disso te faz grande".
ele
ela
no limite mínimo
nós.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Que há no poema?

Não há fascínio no poema
nem esquecimento
não há voz

Não há mal
nem salvação
espaço ou ausência

Não há silêncio
nem paz no poema

Que há no poema
que se faz em mim?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Para te ferir de mim

Para te ferir e a mim

Maldigo a poesia
arranho versos no corpo
destruo tua casa.

Revelo a insensatez
de todas as verdades
deixo à mostra

face obscura
raiz do meu mal.

Para te ferir de mim

Sangrar cada gota do poema
de tua dor
beber palavras

Saciar minha sede.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dia de Alice

Vinte e dois invernos, e Alice continua fingindo não saber que já é mesmo quem escolheu ser. Alice finge tão bem que às vezes me convence do seu aparente não estar, e eu fico perdida sem ela. Ah, eu tenho tanto medo que Alice saiba ser sem mim. Medo que algum dia ele me deixe abandonada num escuro desses qualquer e jamais eu volte a saber da luz.

Será que nada em mim é capaz de te fazer saber que não há mais "para onde"? É aqui, Alice. Fica.

terça-feira, 19 de junho de 2012

extensão indefinida

este espaço
não é só distância
neste aqui
a gente acontece
e nunca é.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Qual o cheiro?

Talvez amor
amor mesmo
tenha cheiro de céu azul em dias cinzas
cheiro de manhãs geladas com pés cobertos por meias coloridas.
Talvez tenha o cheiro de tardes frescas de verão, ou
cheiro de chuva em dias quentes.

Talvez o amor tenha cheiro de mar
e eu beba dele
sem ter sal na boca
e eu beba dele
tentando chegar a ser horizonte.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Eu me permito pensar em desistir

Eu não preciso de teus olhos negros nem da tua paz. Não preciso do teu sorriso encobrindo meu sol, nem da tua palavra sorrateira. Não preciso que me traga flores, não quero saber do teu perfume; nem de teus passos por caminhos onde não estou.

És livre. Você não precisa das minhas mãos fracas nem dos meus pés em falso. Não precisa do meu silêncio de abismo, nem de poucas alegrias inventadas. Você não precisa de imprecisão. Não precisa saber do sal em meus olhos, nem da neblina das minhas manhãs.

Não me julgue, nem me espere, eu também já cansei: o amor que buscamos não vai chegar.


"Eu te amo e não preciso de ti;  tu me amas e não precisa de mim; 
somos um para o outro deliciosamente desnecessários."

terça-feira, 5 de junho de 2012

Estado de necessidade

Por mim
o sacrifício
foi você.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Fim de tarde

Não sei o que passa
da janela do ônibus
minha vida ou eu?

Quem passa não me vê
quem eu vejo
não me sabe
mas eu sei

Céu ardendo nos olhos
minha vida solúvel
pela janela.



sábado, 26 de maio de 2012

A música em mim


Talvez nasçam dos meus dedos todas as repostas que preciso. Todo o aconchego virá deles. Antes da música, antes dos sons, meus dedos falam no silêncio, e buscam por mim. O inteiro de mim, o completo, a substância. O que emerge é a harmonia dos mundos: o meu mundo e todos os outros. É uma profusão de sentires clareando meus olhos, soerguendo flores pelos poros, como pássaros em revoada.

Talvez nasçam dos meu dedos a Alice que quero ser. E talvez ela cante o azul de mim. E, talvez, a gente não seja vazio, nem abismo. Mas ninguém dirá de nós.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Das perguntas sem(?) resposta II

Aí eu desisto e vou embora pra sempre, pra sempre até quando?

domingo, 13 de maio de 2012

Das perguntas sem(?) resposta

Por que o nada queima em nós?

sábado, 5 de maio de 2012

O despertar


Quando abri os olhos
vi só a escuridão dos dias,
você não estava lá.
Eu quis te ter para aquecer
as mãos que, frias,
querem conter as chuvas de mim.
Não cessa o caos que se perfaz
neste céu.
E eras a estrela que insistentemente
ainda brilhava.
Eu te apaguei,
bebi teu brilho procurando curar-me.
E dias e horas, fecho os olhos,
certifico-me dos enganos
e passo como estrangeira por nós
que não se desatam.
Não és tu, apenas,
somos espera vazia
a ampliar os espaços
doídos de solidão.
Quero agora habitar
nesse poema envelhecido de pra sempre.
Assim em nós,
Assim a sós.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Diálogos [João e Marília] XIII


- Então é disso que tens medo? Irmos juntos será a nossa morte, Marília?
- Não é por ti, sou eu...
- Somos nós, por que você esquece?
- Este amor aqui dentro é estrela incompleta.
- Aqui fora ele me queima a face.
- Esses girassóis nos teus pés...
- Os lírios em teus olhos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Contorno

O meu amor me faz mistério
de mim

oculta palavra
interrompendo
todo ritmo de fim
e volta

sedento de milagres
revela-se o corpo
incólume

declaro ser
o revés de ti
a cicatriz desse poema.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Março não trouxe as chuvas
que me prometeu,
fez-me gasta.

Vem, abril
e quebra teus encantos sobre mim
fragmentos inteiros
de um amor em fuga.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O tempo é imóvel
mas teus olhos
passam.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um dia desses

Hei de ver
olhos
beirando
o abismo
dos meus.

Porto
para
[a] mar.

domingo, 1 de abril de 2012

Dicionário IX


Verdade:

A verdade é um caminhozinho estreito por andam pés que coincidem, mãos que não se separam no susto da palavra dita; a verdade é substância que não necessita de escoras, existe e quer ser vista, no meio, ao fim; quando é silenciosa a verdade lê-se num abraço que abarca todo nosso ser.

A verdade é vermelha, da cor de teus olhos arrependidos.

Desencontros


Essa gente
Feito onda
A ir e só
Longe do meu eu-mar.

terça-feira, 27 de março de 2012

Duelo

Eu
contra mim
ninguém vence.

sábado, 24 de março de 2012

Branco

Minha alma a gritar
mas há quem
só veja silêncio.

terça-feira, 20 de março de 2012

Vejo ruir o outono em mim

O amarelar das lembranças
secas,
nuvens brancas nos olhos
de longe
o perto
desfolhar de ti.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Enquanto te escrevo

Enquanto te escrevo os carros param nos sinais de trânsito, mas meu coração não. Meu coração quase quer te revelar no tom urgente da minha voz. Enquanto te escrevo borboletas azuis voam em direção as meninas de vestido cirandando cantigas aqui no meu portão, e o relógio da igreja anuncia o tempo passar nesta tarde em que tu não estás, nem ele. Nem o tempo, que desistiu tão fácil dos nossos caminhos e anda só por aí, balbuciando que voltará certo. Enquanto te escrevo entra um vento fresquinho por minha janela e afaga meus cabelos, então eu penso com mais força em você e naquele abraço que não demos e que dói no peito quase me sufocando, não pode ser...

Enquanto te escrevo volto a fazer planos que não cumprirei, imagino se já terias tu cumprido os teus. Enquanto te escrevo eu me perco e já não sei por onde entrei e nem se quero sair disso tudo, apenas vou. Você não. Você sempre esteve aí, talvez me esperando chegar, talvez achando desnecessário que acontecêssemos. Enquanto te escrevo peço que o sonho não acabe, que a realidade nos afirme. Enquanto te escrevo imagino finais, felizes ou não.

Eu quero que um amor te floresça os pés, te aqueça as mãos, te respire, te inspire e perfume o ar com pétalas de ti. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nebulosa

meus olhos ardem
ao olhar nos teus

são negros
de abismo e de escuridão
mas piscam luz, vês?

o teu amor
em mim explode
e volta a ser meu.

meus olhos ardem
longe dos teus.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dicionário VIII

Paixão:

O sol do meio-dia que contemplamos arder em nossas mãos. De quando brindamos com sorrisos largos o que não deu pra falar. Alta estação fazendo temporada de nós.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Para o amor noturno

Quando tua alma
lua
meu ser
sol.

Porto dela

Quando voltou a caminhar pelo chão
sentiu o tempo
quentinho sob seus pés
e a segurança de,
ainda assim,
poder tocar o céu.

Em Mi(m), maior



O coração
na ponta dos dedos
e sua alma inteira
florindo Deus.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Motivo 1

Borboletas na barriga,
nos olhos,
nas mãos,
no corpo todo:
e você já quase pode voar.
Sorria!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Eu vi o amor, deles

Eu vi o amor. Sim, ele esteve aqui. Brilhava nos olhos e no sorriso dele. Escorria pela mãos e deixou rastros por onde seus pés caminharam. Eu vi o amor e ele era azul, terno, sereno. O amor chegou no cheiro das flores que ele trazia e nas palavras tímidas de surpresa.

Eu vi o amor em uma tarde de verão, envolvendo os dois naquela saudade cor de abraço.

Revelando Alice II

Alice não gosta de chá
e ainda não encontrou seu tamanho de ser.
Tem a chave
mas ainda não sabe que porta abrir.
Alice descobriu um sonho
na janela.
Leve, o vento o levou.
Alice, teimosa, quis seguir o sonho.
Continua
caindo, caindo, caindo...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sabor saudade

Dentro do domingo
um poema.
Dentro do poema
a lembrança
como tinta colorida
espelhando
em cor
os que longe
dos olhos
iluminam o coração.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vem e diz

Vem, e diz que jamais partirás novamente.
Vem, e diz que não voltaremos que é daqui para os caminhos além do feliz.
Vem, e diz que se pode entender o meu avesso.
Vem, e diz que o longe é aqui, amor, e ninguém nos alcançará.
Vem, e diz que não há outro jeito, senão esse ser assim do nosso jeito.
Vem, e diz que não existe espera porque já somos e
toda lua nos quer iluminar em noites de verão.
Vem, e fica aqui, assim, no meu abraço
envolvido na delicadeza dessa nossa composição em adágio,
sem dizer nada, para que o tempo nos esqueça e a gente não passe nunca.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pelo encantamento dos contrários

A palavra nasce,
amadurece dentro de mim.
Cria raízes
tenta me sufocar
quando então me rendo
ao desenho de suas formas,
ao alcance do seu querer.

A palavra me quer inteira
eu ainda não espalho ser metade
ser o meu devir.
Sigo na repetição do não-ser
a unidade da desarmonia
a fluência infinita
que encobre a cor do vento
a sombra plena do suave ser.

Eu sou a repetição particular de nós
quando adormeço lágrima, querendo cuidá-las perto de ti.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ser tão
assim
no sertão
de mim
querendo a paz
que nestes versos
não chove.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Noturna

A minha morte secreta
todas as noites
aumenta meu ser para nada
e transbordando
sou corpo insone
de olhos perdidos
em sonho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A certeza, esta clandestina"

Quantos nós em nós ficaram? Quanto de mar pra eu oceano? Quanto de azul pra eu céu? Quanto de espinho pra eu flor? Quanto de sonho pra eu realidade? Quanto mais de medo pra eu ser coragem? Quanto de lágrima pra eu rio? Quanto "lá" pra ser aqui? Quanto de incerteza pra eu ser ponto final?


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nunca fui poesia

Eu morri de tanto
ser.
nasci palavra
e nunca fui poesia.
Agora
verso seco
brotando fins.

Assim

Vestida de amor
ela é a porta
a entrada
a saída
a fuga
o lugar.

Só não ainda amor mesmo
sorridente
incurável
página em branco.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Caminho ser luar

Eu escrevo o mundo com teu silêncio
poema
de amor
em branco.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Segunda pele

Por sentir a Soberana da casa


O pesar de estar só
e ser em ti
junto só a mim
na escuridão que me reveste.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A parte que me pulsa


Levou-me
não sei quem
não sei o quê
não imagino quando.
Levou-me
sei que não terei de volta a parte que se foi
terá sido minha algum dia?
Agora apenas já não estou
aqui com este resto
que me sangra
que me incomoda
que me arde.
Levou-me
e é tudo que tenho a oferecer,
esta parte que não foi
um corpo inteiro que se dói
e não me quer.