quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Disse que não voltaria
eu tinha que ficar quieta
não dizer não sentir nada
talvez tenha escrito tudo aquilo
como quem dá socos numa porta
para que se abra logo
e então seja possível salvar
quem ficou preso lá dentro.
Por tanto tempo eu esperei
as palavras
mas elas não vieram
nem mandaram ninguém em seu lugar.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Motivo 12

Aquela sensação
de começar a tirar
a melodia da canção ao piano.

um frescorzinho no coração

sábado, 27 de dezembro de 2014

os mortos não sentam à mesa
mas parecem velar minha alma viva
ou o sono dos sonhos
daqueles que nunca decidem
se vão se voam ou
se

Final de tarde

naquele dia fazia verão intenso
e o calor natural da estação
misturado ao calor natural da cozinha
mantinha sua pele suada
a respiração suave
da boca saia apenas um sussurro musical
que certamente era o barulho de uma canção desconhecida
toda casa respirava o sabor do lar aquecido
pelo melhor cheiro do mundo
o bolo assando
perfume de afeto.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Olhando da janela que me vê
asseguro
ainda sou uma paisagem
que pode dar certo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

por pouco era tudo
era tanto
mas não foi nada
não.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

agora estou aprendendo
e já não espero
maré baixa maré alta
no instante em que me afogo
sinto o corpo acolhido em solidão

~
liberto.



Ouvi o barulho

o silêncio comeu as paredes do poema
lambeu os dedos sorriu
insaciável
agora
eu reconheço as fronteiras
estou para além do jardim.
ainda é bonito
no poema com um buraco
ler
ausência tua.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um pedaço de vida

eu ouço o ponteiro girar
um tempo que não existe
perdido
eu acompanho o sol
nos dias que se repetem
em qualquer verso
eu uso a poesia para
ver o mundo.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Diálogos [João e Marília] XVIII

- Vê o tempo bom que faz, Marília? Há algo que nada diz enquanto te constrói novo ser. Minuto a minuto uma parte de ti afoga a velha dor, abre mar em mim.
- Novo ser, velha dor, velho amor. Peso leve. Vamos ser?

domingo, 14 de dezembro de 2014

Motivo 11

Sair com o pai
e ele te oferecer
chocolates sorvetes
como se você tivesse cinco anos

eu que não sou boba
aceito tudo!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

uso a matéria fria da poesia
tentando fazer soar
na minha voz quente
ideias que te façam
voltar para casa.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Quando a felicidade vem para o chá



para preencher seu país
alice
inventa
o que não há
inventa paisagens perto do mar
uma casa que também é sorvete e derrete
tanto amor
dentro dela
alice
inventa sempre um pouco mais
acredita que é capaz
quando cheia de nós
é cheia de nós!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sozinha 
acendo as entrelinhas
consigo ler você
seu nome todas as letras
por hora
deixo a vida resolver.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

alice
não se case
sem me convidar
não esquece o chá sobre a mesa
as horas a passar
tudo em branco enquanto eu não chegar
dê as cartas
é você quem manda
alice
faz tanto medo
se você não me esperar
o que sobra para fazer
sem você
alice
que nuvem vai me ouvir
quem vai chorar por nós
quem mais vai duvidar
no sono
sonho.

domingo, 23 de novembro de 2014

enquanto espero o próximo poema chegar
não consigo ver
não consigo saber como
nem imagino
se a próxima porta é virando a esquina
se da janela continua passado essas imagens
é ali que vou te encontrar?

não consigo ser nada
enquanto o próximo poema não vem
toda essa gente lá fora procura alguém
se  não posso escrever como existirão?
se não há linhas
dança o vazio

aqui espero, envelheço
e encontro no espelho a vontade de ficar
enquanto ela
ela só
vai.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

queria saber quem levou
cadê
a vida azulzinha que a gente inventava
para deixar o céu tranquilo
as lágrimas que a gente guardava
para não afogar uma a outra
a gente se deixou ir
aonde andar o coração
não esquece de acender as estrelas

eu sinto a tua falta, menina
é quase egoísmo
estou aprendendo a nadar.


domingo, 9 de novembro de 2014



-
por mais líquidos misteriosos que eu beba
por mais bolos que eu coma
tem uma porta através da qual
alice nunca consegue passar

tamanho algum suporta
a dor de ser.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

minto
a minha maior verdade
não tem voz
nem vez
em meus dias ruins
as aves continuam
a exibir o peso do seu voo
leve

porque canto
minto
a minha maior verdade:

falso poema.

sábado, 1 de novembro de 2014

Lelena,

sendo alice eu deveria saber te contar todos os segredos sobre o país das maravilhas, no entanto, ainda não sou capaz. Talvez por isso eu faça birra e tente fingir que ele não existe ou que é quase impossível permanecer por lá. Não acredite em mim, Lelena, não perca o coelho de vista! Porque quando eu vejo suas mãos, grandiosas, meu coração fica cheio da certeza de que, com elas, será você a construir novo amor entre nós.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

penso
sobretudo o que não disse
foi capaz de construir
distâncias ainda mais longas
entre nós
sobretudo o que eu não disse
a maior verdade

no silêncio
minha voz dançava para ti

penso
sobre teus braços
acho incoerente pesar
a dor do mundo
quando é você quem tem
nos olhos
segredos de céu

amanhecendo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Diálogos [João e Marília] XVII

- Por que o amor tem que ser esse monstro de olhos enormes a mirar os meus? Por que ele não desperta coragem alguma ainda? Por que essa agonia no peito e caminhos que faltam? Por que ele não canta sua voz para mim? Quando eu estarei pronta para assumir as minhas verdades, João?

sábado, 25 de outubro de 2014

há horas brancas
a espera da claridade
há noites líquidas
por onde navego
imóvel
há uma única face serena
que me faz companhia.

eu sei que procuras
dentro das horas longas do dia
minha voz
nos rostos mais desconhecidos
da cidade
o castigo é pior
pois veja
amor não é capa nas revistas
ou manchete nos jornais

se tiver medo
Lei(a)penas
meu olhar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Nenhuma lembrança azul


Na minha adolescência eu vivia com dores nas pernas. Dor com hora marcada quase diariamente. Chorava que só. Quando eu chorava sentia vontade de dormir, então a dor passava. O médico dizia que era dor do crescimento e eu nem tomei remédios. Hoje me dói o coração, inteiro. Estava pensando: é dor do crescimento? Eu não quero mais crescer, não tem remédio?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cactus

o amor abriu fendas enormes
no corpo dela
só consigo enxergar furinhos
e uma voz que diz:
ninguém
venha me abraçar agora!

cheia de espinhos
acredito que baste
apenas um ferido por aqui.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

começo o fim todos os dias
apago a luz
invento a luz
ponto
fim
todos os dias
você vem me resgatar
longe do fim
porto de mim
todo recomeço.
a verdade
de tão clara
marcou a pele

agora
anda exibindo
a última palavra
é minha!

cheia de culpa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pequenos milagres

capturar o instante exato
em que as folhas bailam
do alto ao chão
já não dói a queda

ainda carrego teu céu.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

alice
atravessa o país inteiro
a fim de provar
em si mesma
a eternidade dos anos que não viveu.
a luz que nos cortou
disformes
apagou tudo
aqui dentro

sou a escuridão do mundo.

sábado, 27 de setembro de 2014

alice
vem me cobrar um riso
que nunca foi dela
vem dizer ser dona
do que sou
nada te pertence
alice
põe açúcar
na tua dor
engole
de uma só vez
e não me
leve.

fez-se mar
no meu corpo
cheio
das ondas de ti
fez-se breu no céu
em mim
queimam as estrelas
de um tempo incurável
fez-se paz
 
do que adiantou?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Da pronúncia


meu coração 
é quem detém competência
para pronunciar a ti
da provável existência de nós
não peço convencimento
absoluto
só o amor.


*ainda sobre as aulas de processo penal, que não estão me fazendo muito bem, não.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

eu te vejo sorrir
imagino tardes de sol
banhando de primavera
teu corpo cansado da vida

eu te vejo calada
imagino monstros gigantes
a roubar palavras secretas
na voz que ainda não podes fazer soar

eu te imagino feliz
vejo amor acontecer
nas frestas dos dias
quando não estás


fim.

domingo, 21 de setembro de 2014

Poema para não voltar

caí
no poema alheio sem permissão
dei linha para os teus versos
ritmo para tuas letras
até emprestei minha voz
/soprano desafinado

embalei teus sonhos
em papel algodão
macio
era te ver passar
dentro dos meus olhos
sem nada para contar

ainda sorrio
e me sinto tão só
tão sol
tão

o problema é que sinto.


sol com lá bemol



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Para Maryna 
(que me indagou: Tia, quando tu fica sozinha, tu fica triste?)

tenho companhia
é uma voz
que grita o tempo todo
dentro de mim

enquanto durmo
ela gruda
nas linhas tortas
das minhas mãos
versos indecifráveis

sigo
tentando alcançá-la
no sono
no sonho
sou pedacinhos.

o mundo todo.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

sem sair do lugar

setenta e cinco borboletas
provocam rebelião dentro de mim
para além do estômago
estou povoada
de voos

desde os pés
ao coração.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Encontre-se

a fome que tens
é de ti
as lutas, todas tuas

a falta que sentes
é de ti
os vazios todos

não vai no prato meu coração
eu mesma já o devorei
inteiro

para saciar tua sede
cansaço
não tenho
uma dose sequer
de palavras líquidas
transbordo

de fome
de falta

e de excesso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Eu não quero
negociar afeto
não
meu coração
para fora
pulsa
ritmicamente
notas que meus dedos não alcançam.

Sucumbência única

não tenho acesso a mim
aceito livremente
a porta que não se abre
a fuga contínua
sem causa consciente
contra quem não posso ser
luto.


*
o título foi a única coisa que ficou da aula de processo penal

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Faltou luz

no escuro os olhos
veem mais
o corpo sabe
os pés andam
sozinhos
cada cômodo desta casa
sabe me encontrar
cada parede sente
o coração pulsar nas mãos
o suor correr entre as linhas
entregando o soar
das palavras como pontos de luz
anuciam
fim do túnel.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Feliz vida, boa pessoa!

quem você abraça
sem ver
é quem você
mais tem

essa boa pessoa
que em ti se expande
vem sempre me encontrar
sorrindo

a sul de mim
tem você
nascendo hoje
mais uma vez.

sábado, 6 de setembro de 2014

o poema a ruir
implora minha volta
até a última linha
ainda ouço respirar
ternamente
há algo que flui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

está tudo aí 
a porta a possibilidade
o não talvez até o nunca
sim?
depende de você.



ninguém cantou
 amor que chove primavera
faz rir o mar.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Oi, setembro

Para Rafaela Toffolo, meu sorriso de sol

Você me flori
maravilhas
em partículas solares
imperativo:
seja feliz!

Procura-se

Mais razão
menos coração
por favor!
quem me achar
avisa
bilhete carta pombo
recados soprados ao vento
desenho em nuvem
um sinal qualquer
menos essa dor
menos coração
por favor!


sábado, 30 de agosto de 2014

Avenida Brasil, 1200


Eu me lembro bem 
a tarde de inverno cheia de cores
ainda está lá
o céu pesado caindo sobre a cidade
tanto vento, tanto!

sentir frio para me sentir humana
não abrir o guarda-chuva para saber 
as gotas do tempo marcando o corpo
embaçando os olhos

eu me lembro bem
a felicidade
esperava comigo
um ônibus que nunca passou.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Poema em P&B

Olha bem pra dentro
de mim
não tenho saída
não tem luz
no fim do túnel
não tem nós

tenho a mim
certa
de quem sou
não me distraio
nem me convenço

olha aqui
bem pra dentro de mim
tanto espaço
até da pra
dançar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Com toda delicadeza que há aqui

um poema feliz
seria aquele no qual
eu
sem dizer uma palavra
desenharia vocês
bem longe de mim
 
tem algo endurecendo
este coração
sem lei.

A solidão é tudo que está em volta

nunca (sim, esta palavra grande)
nunca negue a si mesmo
a tua própria companhia
não espere
ninguém
espera por ti
vai só
vai sol
pleno do que és.


Nem é o medo de cair

se for preciso correr
eu perco
a sorte o ônibus o táxi
parado e sem passageiro
perco até o amor
gritando
vem cá, corre!
não aguento mais.
fosse
só
medo
não era tanto.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

era estranho
falar sobre ti
longe
tão longe
do que eras nada sobrou
nenhuma lembrança
reclama a ti
sobre mim
suponho
nada andas a saber
sobre mim
hoje
todo amor do mundo
chove.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Fim do dia

(pega na mão)

- Gosto de você, Alice. Mão gelada!
- A recíproca é verdadeira. É sempre assim. Coração quente.
- É verdadeira? Eba!

(sorrio)

Cor na vida.
quero estar vazia
de mim
a cada dia
transbordar da Tua presença.


sábado, 9 de agosto de 2014

lua crescente
em mim
anoitece.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

 Para Fabi, que brilha no que sou.

considerando a distância
eu me acho no direito
de pensar em ti
nos momentos mais gentis do dia
também acho um enorme absurdo
esses abraços pendurados no tempo.
falta-te a ti mesmo
não sei
como suportas
tanta ausência

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quem me guia é quem me fez

chamo por Ti
no silêncio ouço meu vazio gritar
sem entender uma palavra
a Tua glória reluz nos céus
ressoa
dentro em mim


Título:  Crombie

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Aprendendo a ser feliz com Joana



Tudo era como o barulho do bonde antes de adormecer,
até que se sente um pouco de medo e se dorme.
A boca da máquina fechara como uma boca velha,
mas vinha aquilo apertando seu coração como o barulho do bonde,
só que ela não ia adormecer.

                Joana não me permitiu adormecer. Chegou sobre mim fazendo um barulho enorme, jogando ao vento tudo que secretamente julgo ocultar.  Dentro de si Joana é solidão. Dentro da solidão Joana se faz. Fazendo a si Joana desconstrói o mundo. Buscando juntar as peças Joana me constrói no seu mundo, e por mais incrível que pareça: nos encontramos.

                Descobri em cima da chuva um milagre – pensava Joana –
um milagre partido em estrelas grossas,
sérias e brilhantes, como um aviso parado: como um farol.
O que tentam dizer? Nelas pressinto o segredo,
esse brilho é o mistério impassível que ouço fluir dentro de mim,
chorar em notas largas, desesperadas e românticas.

                Não chego a descobrir o milagre se fazendo em Joana. Mas consigo sentir o milagre se cumprir em mim a cada segundo do dia. Mesmo quando, ainda selvagem, sou a própria tempestade: “sou a onda leve que não tem outro campo senão o mar, me debato, deslizo, voo, rindo, dando, dormindo, mas ai de mim, sempre em mim, sempre em mim.”
                Quisera eu pudesse revelar a Joana o que ela própria me revelou, e trazê-la a superfície sem culpas, e deixá-la no colo de Deus.

De profundis.
Deus meu eu vos espero, deus vinde a mim,
deus, brotai no meu peito,
eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça
e eu só sei usar palavras e as palavras são mentirosas (...)

Cheia de si. Vejo Joana cheia de si, cheia de mim e cheia de Clarice. Talvez, muita pretensão querer me encontrar tão perto desse coração, mas é aí que estou. Exatamente neste lugar: perto do coração selvagem.

Tão desnecessária toda a gente


também fico me perguntando
pra que tanta gente
quando um só riso me distrai
fica mais difícil saber
quem sou longe de você?

domingo, 27 de julho de 2014

Primavera (Em pleno inverno)



Um leve vento colorido enche meu coração
Em festa, sinto despertar primaveras
Sob minha pele, pequenas flores me compõem
Navego em doces melodias.

Tento alcançar o voo no meio da tempestade
O negro céu inventa abismos profundos
Raios tentam partir meu sorriso
Cheio de sol, cheia de Deus, a vida é calma.

Ensaio belas canções
Inauguro novas danças
Sobre a mesma tela
Eu, a colorir.

Desperto do sono e vivo o sonho
Para toda cor em mim há lugar
Felicidade vai chegar.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Porto seguro

olho
e revelo
não há traço que te defina
palavras até abraçam
aprisionam o tempo
guardam tuas lembranças
um dia
a vida te oferecerá mais que esperas.


Dá vontade de morar
na tua paz
deitar meus olhos sobre ti
esquecer de mim
frente a uma porta qualquer
ser mais que um
talvez


quarta-feira, 23 de julho de 2014

no amor
o mundo inteiro é azul
árvores pessoas
animais coisas
inclusive a dor
já quase nem dói


ela também é azul.

Amor tem braços

para Sind, que me ensina a gostar de monstros.

voltou correndo
porque esquecera o abraço
nos acolhemos
de olhos fechados
quis guardá-la para sempre

o verão de nós.

sábado, 19 de julho de 2014

nunca mais nós
prometo
nunca mais nós
nem mesmo em teus cabelos
prometo
nunca mais

eu vivo para ser sol *

domingo, 13 de julho de 2014

Todos os os dias
estás a me socorrer
a ouvir o que grita em mim
silenciosamente estás a dizer
Eu Sou
enquanto a Ti me inclino
sinto Teu amor revelar
um cuidado que nem mereço.

sábado, 12 de julho de 2014

ficar no banho
até os dedos murcharem
vai pelo ralo
toda tristeza
do dia

quarta-feira, 9 de julho de 2014

queria
ter no verso a fúria
e a beleza do mar
cantando imagens que vem e vão
sem se importar com os navegantes
que podem muito bem
naufragar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Devo seguir

Eu te amo. Pronto. Abriu-se o abismo. Agora você se põe a cair dele, lentamente. Eu te amo, mas isso não adianta nada. Não adianta nada se não posso tocar ou fazer dos teus ombros almofadas. Não adianta nada se não posso contar os cílios que caem dos teus olhos quando acende uma lágrima ali no canto, ou as manchinhas que nem sei se tens nas costas. Não adianta nada se nem posso brincar com os dedos das tuas mãos, inventar dancinhas, ser bailarina. Não adianta nada ficar usando as palavras para se esconder. Essas garatujas tentando explicar o mundo que não vejo, que não sabes, que ninguém pode trazer aqui. Eu te amo. Isso não diz nada.

domingo, 6 de julho de 2014

Prova dos nove

Elícia é a prova de que
o paraíso está no outro

é com ela que voo.

A menina do sonho



quando eu for grande
quero ser uma menina
que esqueceu de acordar
porque vive no sonho
coisas muito reais.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Elícia tem o ouvido absoluto do amor


- Gosto do barulho que tu faz quando dá um sorriso.
- Que barulho, eu faço barulho?
- Assim, um barulhinho nas duas pontas...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nove anos

 Para Elícia Camilly, minha cor feliz.

acho tão bonito
você ainda sai a passear com suas bonecas
preocupada se elas sentem frio
nunca esquece a mantinha
a bolsa de lado
os olhos de menina
desfilando sonhos pela cidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Jardim



gosto das horinhas descuidadas
de quando vens sem avisar
enquanto inventas as mais divertidas aventuras
pesco borboletas dentro de ti.

Só encontro em você


Elícia é a verdade do amor
é a face do amor
a coragem no amor
a dose certa de amor todos os dias
vem de Elícia
a multiplicação do amor
em mim.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Três


a cor feliz do amor
dilui o sol
num só riso meu
se puder emprestar tua voz
a este poema
ouvirás bem
o que eu quero dizer
mas não consigo
até as formigas enfileiradas no meu caminho
sabem.

domingo, 29 de junho de 2014


a menina que brinca com o vento
ensaia suas próprias cores
distraidamente
a se pintar poema
longe do papel
terno coração.




Domingo

saudade imensa de mim
quando por ti
eu era mais que um rosto feliz

cheia de Deus.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Plateia

de um hemisfério a outro
do meu coração que sorri
ensaio canções repetidas
enquanto vocês dormem
com uma nota só
valsinhas óperas inteiras de amor.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sono, sonho

estava a gostar mais de ti
naqueles dias frios
sobretudo quando me olhavas 
desconfiada pedia
- mais um abraço, um abraço, posso?

Motivo 10

algodão-doce

a sensação de nuvem
no céu da boca.

sorria!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Legislação tributária II

a ti concederam anistia
fiquei impedida de exigir
perdão

.
você virá duas três 
não sei quantas vezes
no mover do tempo
há coragem em dizer tudo
ou mais sabedoria em calar?

domingo, 22 de junho de 2014

poema sem data
que é para não dar sinal algum
se deixo de pensar
palavra alguma me socorre
no eu-silêncio
doce confusão.
pode se aninhar
aqui eu deixo
esses versos macios
para o teu inverno aquecer.
é para não ficar na gaveta
que a ti exponho meus versos
dos mais inéditos àqueles sem data
nenhum para te conquistar
ainda.

Cheia de estrelas

amo
quando costuras o céu dos teus olhos
com esses cílios negros reluzentes
e do alto
me sorri.
soube que queria meu coração
na hora duvidei
sorri imaginando uma batalha perdida
e culpa por todos os lados.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Deixa ser

alice segue menina
ela é a minha vontade de tocar os pés
 no país das maravilhas!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

alice
quem levou o mar
para o teu país
não imaginava
o oceano inteiro
que navega em ti.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Tamanho único

cabe apenas em ti
a medida do que és.

domingo, 15 de junho de 2014

Em qualquer sentir

Para ler ouvindo Rosie and Me

Teus braços não me alcançam
tua alegria sim
a certeza de dias leves
ainda que longos

Tua voz não me alcança
teu silêncio sim
almofada nas horas secas
cheias de ti cheias

Teus pés não me encontram
tuas mãos sim
sabem a textura dos nós no cabelo
sabem o rumo da minhas linhas
perdidas dentro de ti

dentro de ti.


Tempo perdido

um medo enorme
de te ver
deixar passar
dias meses anos
quem sabe
uma hora qualquer
a gente aprende o perdão.

sábado, 14 de junho de 2014

Coração tão leve que pesou


ela sabe qua verdade existe
até convence
mas esvai.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Revelando Alice VIII

não te convenças
do país das maravilhas
pouco há nestes dias
quando ninguém vê
alice enche um mar
com o sal de si
alegrias vindas como em ondas
hora maré baixa
hora rir azul
vê cores no vento
mas não sai de si
e ainda reclama das portas trancadas!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

não me apetece te dar as mãos
trilhar caminhos medíocres
ou ser teu maior absurdo


não temos tempo bastante para ser
na dúvida
um adeus.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sumindo

Para a irmã de alma, Fabi

eu vejo
sinto
e não me calo
tem sempre
uma prece minha
por ti.

queria pendurar tua rua
ao lado da minha
unir vazios
e alma
o que é que tem?
nem sempre eu vou saber
mas não dá para esconder
amor por ti.


 soa melhor se ouvindo: Troy

terça-feira, 3 de junho de 2014

sempre o mesmo verso fatiado
querendo conter
dores repetidas

ninguém se convence.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

sinto-me obrigada
a um verso
que não se traduz

peco
pelo excesso da falta
de não ser.

domingo, 1 de junho de 2014

Dentro do teu corpo
não há tempo algum
nenhuma alegria cinza
nem mesmo quente
tua pele acolhe.

Largos dias
secas horas
não há deus algum
dentro de ti
sólidas paisagens.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Deserto

até o mar secar
em mim
ainda tenho sede.

poema em seis minutos


descobri que sendo um balão
eu posso te alcançar
você pode desenhar expressões singulares em mim
eu posso mudar de cor
a medida que vou subindo
as lembranças diluem
no ar rarefeito 
sinto o cheiro de corações partidos
rompendo-se no espaço.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

imagino tuas mãos
como pássaros
que não existem
mas riscam o papel
com uma paz inexplicável
fico a contar
o que ficou por dizer
mesmo sem entender os números
acredito
que a probabilidade de te encontrar
é tão absurda
quanto a existência desse poema.