Quando Alice olha para dentro de si tem mais medo que o normal, mesmo ela nem sabendo qual é a dose certa de medo que uma pessoa deve ter. Ela, aquela menina que caminha pelas ruas com o pensamento voando alto - lá onde eu nunca soube exatamente, tem muito medo em sua cabeça, no coração, no corpo todo.
Sei que sonhos nunca morrem, mas Alice tem medo de que seus sonhos permaneçam sempre sonhos lá em seu país de maravilhas. Às vezes ela passa por lá, os contempla, mas a força ainda é pequena para trazê-los ao mundo real, e esse medo a aterroriza.
É porque bem a conheço que sei, ela não vai mudar não. Então me escuta menina: talvez todo esse medo um dia se transforme em força. Você abrirá todas as manhãs com um sorriso no rosto, aquele sorriso de quem tem mais um dia inteiro para sonhar um sonho real. Teu horizonte vai além, vai além de pequenas porções de ilusão, Alice.
" A resposta nunca vem, eu fico pensando
se não será uma espécie de aviso, de revelação.
Depois acho graça e esqueço.
Mas há certos momentos brancos,
quando caio dentro de mim mesmo
e tudo o torna brilhante, claro demais. "