sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Despedida

Quis conter as lágrimas, mas não é uma coisa fácil. Choro sem precisar de esconderijos. Desaguo em qualquer mar. Depois do meio abraço, sentada sobre a coragem e a solidão que me restou: chorei. Chorei e enquanto chorava, chovia forte. Um céu ao meu alcance. Procurei motivos para não cessar jamais o choro. Ficaria assim por um a vida inteira, segura em minha fragilidade.

Quando enfim virei mar, tive vontade de contar toda minha vida ao primeiro estranho que aparecesse ao meu lado. Foi quando percebi que estava só, ali.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lembrete embaixo da porta

Você me diz : espera

*



domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Mudez dos Pés

Gosto da casa limpa com as janelas abertas e as cortinas balançando. Gosto de sentar na varanda e sentir o vento fazer carinho nos meus cabelos. Gosto de dormir com chuva e acordar com raios de sol impossibilitando o abrir dos olhos. Gosto do movimento das folhas caindo das árvores em tardes de outono. Sim, gosto também da solidão do inverno, e não recuso um céu de primavera. Gosto, do sabor leve que um sorriso traz ao coração. Mas hoje eu vou sentar aqui e esperar o tempo passar com todos os futuros que quero de presente, com todas as respostas. Porque me faltam caminhos nos pés. É a falta, pois, que me consome.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Diálogos [João e Marília] VIII

- Por que ficou tão longe?
- Perdi a caixa das certezas que você me deu.
- Eu morreria por você?
- Ontem nasci na escuridão.
- Já viu como o céu está distante hoje?
- Estou perdida nos caminhos que você indicou.
- Eu moro do outro lado de mim.
- Eu morreria por nós dois.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Inspiração

Sei que a folha em branco
no fim,
só ganha formas de você.
É quando vou te gastando dentro em mim
até sobrar uma lembrança vaga
do que não foi,
até morrer todas as saudades.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

No Sábado

O ônibus parou no terminal, e é aqui que a história começa. O menino entrou rápido pela porta do fundo e sentou-se estrategicamente longe da visão do cobrador. Devia ter uns oito anos, mas a vida que habitava em si parecia saber de muitas coisas para aquela idade.

Quando o ônibus começou a encher ele deu seu lugar para uma moça grávida e sentou ali mesmo, no chão. Eu vi seus olhos que olhavam o nada pela porta. Eu quis falar com ele e saber daquela tristeza que carregava, daquela desesperança que vi mergulhada no verde já sem brilho. Eu quis chorar, quis fazer alguma coisa, mas não fiz nada. Perdi o jeito de falar, a palavra, sabe? Eu fui inútil.

Desci no meu ponto. O menino até hoje segue viagem dentro de mim.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Oco

Um canção pra banhar-me de ausência
na imensidão dos dias.
Uma melodia em lágrimas
pra eu beber tua saudade
e encher o vazio das notas graves de
amor.


Melodia