Ela poderia ser Marília. Ele, João. Cheios de malas e de amor. Ele eu vi primeiro, o amor. Não sei que ônibus pegariam mas aposto que era para a capital. João, Marília e o amor esperavam um ônibus para capital enquanto eu, da janela do interior do interior do interior de mim, observava atenciosamente todos os movimentos de seus corpos no ar (embora estivessem presos ao chão, os pés) equilibrando meu milk shake (de 500ml com pedações de morango) entre os dedos. A cada segundo de espera João usava suas mãos para despertar afetos no rosto de Marília. Assim, arrumava seus cabelos atrás da orelha a fim de que houvesse espaço para beijar suas bochechas que se enrubesciam a medida que, depois, ela sorria, talvez, achando aquilo desnecessário. Ele não parava quieto. Girava ao redor de Marília, protegendo-a. Do meu interior, morria de medo que os olhos daqueles dois me flagrassem, mas continuei. Houve um época eu contava casais de mãos dadas pela rua, diariamente. Depois eu julgava meu dia pela quantidade deses encontros. Julgava o amor, sem dó.

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