domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sabor saudade

Dentro do domingo
um poema.
Dentro do poema
a lembrança
como tinta colorida
espelhando
em cor
os que longe
dos olhos
iluminam o coração.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vem e diz

Vem, e diz que jamais partirás novamente.
Vem, e diz que não voltaremos que é daqui para os caminhos além do feliz.
Vem, e diz que se pode entender o meu avesso.
Vem, e diz que o longe é aqui, amor, e ninguém nos alcançará.
Vem, e diz que não há outro jeito, senão esse ser assim do nosso jeito.
Vem, e diz que não existe espera porque já somos e
toda lua nos quer iluminar em noites de verão.
Vem, e fica aqui, assim, no meu abraço
envolvido na delicadeza dessa nossa composição em adágio,
sem dizer nada, para que o tempo nos esqueça e a gente não passe nunca.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pelo encantamento dos contrários

A palavra nasce,
amadurece dentro de mim.
Cria raízes
tenta me sufocar
quando então me rendo
ao desenho de suas formas,
ao alcance do seu querer.

A palavra me quer inteira
eu ainda não espalho ser metade
ser o meu devir.
Sigo na repetição do não-ser
a unidade da desarmonia
a fluência infinita
que encobre a cor do vento
a sombra plena do suave ser.

Eu sou a repetição particular de nós
quando adormeço lágrima, querendo cuidá-las perto de ti.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ser tão
assim
no sertão
de mim
querendo a paz
que nestes versos
não chove.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Noturna

A minha morte secreta
todas as noites
aumenta meu ser para nada
e transbordando
sou corpo insone
de olhos perdidos
em sonho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A certeza, esta clandestina"

Quantos nós em nós ficaram? Quanto de mar pra eu oceano? Quanto de azul pra eu céu? Quanto de espinho pra eu flor? Quanto de sonho pra eu realidade? Quanto mais de medo pra eu ser coragem? Quanto de lágrima pra eu rio? Quanto "lá" pra ser aqui? Quanto de incerteza pra eu ser ponto final?


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nunca fui poesia

Eu morri de tanto
ser.
nasci palavra
e nunca fui poesia.
Agora
verso seco
brotando fins.

Assim

Vestida de amor
ela é a porta
a entrada
a saída
a fuga
o lugar.

Só não ainda amor mesmo
sorridente
incurável
página em branco.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Caminho ser luar

Eu escrevo o mundo com teu silêncio
poema
de amor
em branco.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Segunda pele

Por sentir a Soberana da casa


O pesar de estar só
e ser em ti
junto só a mim
na escuridão que me reveste.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A parte que me pulsa


Levou-me
não sei quem
não sei o quê
não imagino quando.
Levou-me
sei que não terei de volta a parte que se foi
terá sido minha algum dia?
Agora apenas já não estou
aqui com este resto
que me sangra
que me incomoda
que me arde.
Levou-me
e é tudo que tenho a oferecer,
esta parte que não foi
um corpo inteiro que se dói
e não me quer.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Diálogo [João e Marília] XII


- Que será isso que me dá e faz esse sempre distante um abismo maior que o real? Fugimos para a parte mais escura do mundo com medo de nós. Nos perdemos e nos descobrimos estranhos.
- Não importa. Nosso lugar agora é esse.
- Claro que importa! Se eu for contigo pra muito fundo posso afogar, não? E posso afogar você junto caso queira se tornar herói...
- Não importa.
- Importa a mim que você não se perca.
- Somos o barco, estaremos seguros.
- Somos o barco e estamos à deriva...
- Não há perigo. Acredita, não importa. Não importa que sejam incertas tuas palavras, ou esse seu medo bobo. Não importa que construas cada vez mais alto os muros. Eu sempre estarei do outro lado com você. Nada mais importa, só me deixar ser contigo.
- Eu... eu... não sei nadar!
- Que adiantaria se temos só que mergulhar?
- A nossa morte, João...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


No que meu coração te repete
estremeço
tapo ouvidos
canto cores em mim
mas tudo volta a ser cinza
entrego-me em tuas mãos
torno-me pó.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Recuo


Onda do mar
a me abraçar
corpo
em lágrima e sal
jogado na areia
mar
me aMar.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Avidez

palavras
poucas
beirando minha boca
aguardam
a realidade tornar-se sonho.

Ou eu, ou: eu

ao fim restará
um
ao fim será
apenas palavra
ácida
corroendo todo sim.

Dia de saudade

Aquela lua
nos merecia
em silêncio
exalando um amor
com gosto de estrelas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Mero engano

Da flor 
o espinho que não vês.
Não se engane,
que se tudo aqui reluz
é por culpa sua.
Tudo sob esses olhos que me leem,
mero engano.

Dança reversa

No vazio
esperas
me preenchem.

Imã
eu e você
era uma vez.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Pelo que em mim ficou

Lembro-me que a última coisa que ouvi naquela noite foi um "eu te amo" desenhado com a minha própria voz e, talvez, por isso sem cores vibrantes, sem muito entusiasmo, sem asa, sem voo. Estávamos, cada um, na margem oposta do rio de nós, apenas, a admirar a ponte, que construída com nossas próprias mãos, tornava-se longa com o atraso de nossos "sins", ainda só pensados. Não poderia ser aqui, não aconteceria também aí, o amor só seria possível ali, na ponte. Só seria possível assim, acima de nós, livre de nossas certezas.

"Deixa-me conhecer-te", insistia pelo avesso das palavras, mas foi pouco para entender e o sentido morreu no ponto visível. Hesitei. Hesitamos o caminho da ponte por medo do real, pela fragilidade do invento. Para salvar nosso eu adiamos a flor de sermos um, perdemos a primavera de nós. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Poema pra você ficar

Eu me des_integro por inteiro
na poesia que teus olhos cantam
dissolvidos em mim.
Pudera eu beber da tua dor para que fosses mais leve,
ainda que isso signifique longe.
Eu me des_integro sem relutância,
vago e impreciso,
sei que meu querer obscuro
tem medo é da tua luz.
Quisera eu ser poeta,
morrer ao fim de todo verso,
continuar infindo em ti.

Luminar

O abraço bem dado
vira laço bonito,
guardando a lembrança
de dias e horas e vidas eternas
que vão e fincam,
amor em nós.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

No fundo de todos os dias existe uma canção

Tudo canta nesta manhã aparentemente igual. As raízes das árvores abraçam a terra com o mais primitivo amor, e se alimentam desse amor e se fortalecem com esse abraço. As cortinas querem voar pela janela, querem o alto, cantam o voo. Os pés acordam para os caminhos cansados da noite que vagou pelo tempo insone. Os olhos procuram reconhecer o semblante da pintura sem foco no espelho. Tudo canta nesta casa desabitada, todas as portas esperam ser abertas para o lugar que ainda não conhecemos.

Nesta manhã tão igual o corpo é o mesmo, a saudade do tamanho exato dos braços abandonados. Nesta manhã meu canto é mudo, minha voz se esconde com medo do som das palavras que, pronunciadas, tornam o sonho real.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mágica

Invento em mim
o sonho
e a dor.

Cinema mudo

Eu te olho
mas não me vês.
Faço sinais que não te atingem
jogo sobre ti palavras que não quebram o sigilo desse estar assim.

Tu me olhas, assim distraída,
por caminhos do longe
e repele todo vir-a-ser
por medo e covardia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Então você diria

Que teus olhos descansam junto aos meus na distância. Que já não importa, seja só assim. Que sempre existimos, mesmo quando estranhos. Que despertamos do sono, do sonho, que somos reais. Que crescemos desapercebidos de dor. Que somos melodia de todas as belas canções, e fomos feitos de azul. Que assim temos um ao outro em céu. Que quando somos saudade nossos tempos se encontram, se abraçam, se enlaçam, e se tornam um. Que nesse instante todas as estrelas acendem e caem luzentes sobre nós. Que criamos um fim só para sermos, desses olhos, o descanso de toda lágrima.

Dele

Dele, os pés que abrem
o sol no caminho...
e a lembrança
que ameaça a vida
acontecer no passado.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

oco
eco
do vazio.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Me chama pra dançar,
prometo me esforçar
pra caber em teu bailar.

E cada vez...

E cada vez, querendo ir embora,
mais eu permaneço
mais eu me distraio
mais eu me calo
mais eu me perco
mais eu me encontro
e caio sempre caindo
na história do sem fim

(Des)faço-me

Que faço com as palavras que não foram ditas,
os abraços que não se encontraram?
Que faço com as mãos
que tateiam por ti no escuro desta noite?
Que faço com essa parte de você
morando em mim?
Que faço, agora que te encontrei
e te perdi?

domingo, 13 de novembro de 2011

De quando os olhos não piscam

A pele tem a cor do instante
que se fez eterno
sob os olhos de quem viu a alma
deslocar-se do corpo por força do riso,
e instalar-se lá onde tudo foi eterno e passou.
Leve me levando longe,
livre
em luz.

"é vasto, vai durar"

Nunca te amei.
Amava em ti a parte de mim
que só tu sabias contar.

Aprendizagem de novembros

Era outra a direção. 
O que acontece agora não é o vago, 
é só que sobre esse espaço e as coisas que o preenchem 
não há quem queira contar. 
Não há autor. 
Não há enredo certo, e são tão poucos personagens... 
você só precisa apurar teus olhos para o que acontece, 
e não para o que deixa de. 
Talvez a gente deva entender que o tempo do sim
pode ser, além de esperado, 
construído. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Magnitude nove

Quero contar-lhes que o terremoto já aconteceu. 
Agora estou, apenas, a contar os mortos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Porque sozinha


De minhas mãos 
nascem as vozes
que os lábios
não sabem a cor.
E os sons,
os sons que o coração
insiste em tocar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ciclo Vicioso

Meu amor por ti
disSOLve
eVAPORa
vira nuvem
passa...

Um dia, tu dirás,
essa nuvem carregada
há de se desintegrar
sobre nós: tempestade.
Verei partículas cristais
deslizando sobre tua face.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Moldura

O teu meio sorriso
e paz
inventados
corrompem toda minha paisagem.

domingo, 30 de outubro de 2011

Caixa postal

me acha
me inspira e
expira.

me enfeita
me laça e
lança.

me põe numa caixa e
me manda de volta
pra mim.

sábado, 29 de outubro de 2011

Intento

Pensar fora de mim... como é que faz isso? Está quase insuportável aqui. Só me encontro errado. De uma forma torta, cambaleante. Qualquer deslize é um tombo feio. Vou me arrastando fingindo que não, que não sangra e arde e dói o coração. Esse mesmo que tranquei sozinho em quarto escuro tão despido de mim. Como pode tudo ter cheiro de espera e ser tão frígido? A alma cansa da estreiteza do corpo, e com a mesma intensidade que pulsa a vida, lanço-me desse abismo. Estou morta de poesia.

Vitral

São olhos turvos,
esses que te veem.
Não sei se de lágrima ou brilho.
São olhos rasos
que adormecem
ao lembrar de ti.
E sono e sonho,
pouca lucidez. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu, Você: Nós

Você disfarça.
Eu finjo que.

Eu voo.
Você para e pousa,
assim, a eternidade em nossas mãos.

Você é manhã.
Eu sou entardecer.

Eu sou a pausa,
a nota desafinada.
Você, a música do silêncio
que afaga meus ouvidos.

Você é céu.
Eu, o pó das estrelas nos teus olhos.

Eu sou só.
Você é sol,
brio, brilho.

Você é brisa.
Eu sou a tempestade.

Eu sou o verbo.
Você, sujeito e predicado.

Eu: singular.
Você: plural.

Eu sou o sonho.
Você a realidade.

Eu sou coração inquieto.
Você acalma,
alma.

Você: palavra.
Eu a entrelinha.

Eu sou fim.
Você é ponto.

O amor é depois.

domingo, 23 de outubro de 2011

Eu me rendo

Canto feliz pra solidão
é companhia
reflexos de mim.

Ela finge acreditar 
e me sorrir.

Oferece colo
eu aceito.

Seguimos de  mãos dadas
ambas cientes 
das mentiras que as une.

domingo, 16 de outubro de 2011

Tragédia semanal

O domingo me dói
como uma saudade do que é
mas de verdade nunca existiu.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Às vezes um
incidente entre dois.
Quebra
pesa
arranha
mas sabe ser macio.

Abraço azul,
único mar possível
para desaguar.
Distraidamente
inaugura verão em pleno inverno
vento que passa e me eleva.

Essa coisa que chamam de amor,
só
caminho de desavisados.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

coração disparado
explode
em perfume
e (in)versos

mas não podes ouvir
então me calo.

etneuqesnocni

Quando eu virei poesia
nascia nos olhos teus
uma lágrima.
Fui morar no verso
me afoguei em ti.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Segredo

- O que você faz quando ninguém vê?
- Penso em você. Penso em você com força e carinho.

sábado, 8 de outubro de 2011

Não mais

Não mais o dia
a luz
a falta
só o querer.
Não mais o cheiro
a cor
o gosto
só um querer.
Não mais o riso
o choro
o grito
só te querer.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Desassossegados

Troco poesia por uma prosa só nossa
e a mudez do mundo
pelo encanto do teu canto desafinado

amor por amor
já basta
só
suave
sina
de aprendizes.

Caminho na corda bamba até o limite do meu sonho"

Cresce um sonho sem dono por entre minhas mãos. Finge ser frágil. Ameaça doer e eu tento acalmá-lo no canto do coração. Continuo respirando. Suspirando. O sonho lá do canto, desabercebido de mim, cresce e grita por espaço. Sem ceder, ele começa a arranhar por dentro. Dói sem fingimentos, eu acredito: o tempo vai curar. A pele seca, o corpo dolorido. O sonho sem se importar me toma inteira e me acalma ali, em um canto de coração. Continuo respirando. Suspirando. Sou só sonho: ilusão.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fim

No entanto continuas lá. Já não ouso calar o silêncio porque já é outra a dor que invade e me quer levar. Passa. As mãos calejadas esperam o nascimento de palavra qualquer que surja como vulcão em partículas quentes e que aqueça, mesmo em morte, pois é então que começo a viver. Não julgues o que não acontece, é vão. Olhos que não veem nem sentem o princípio das lágrimas.

O poeta é quem transforma solidão em poesia pra não doer em si. Mas esta sou eu: apenas uma alma inquieta em um corpo à deriva. Minha palavra não tem força pra salvar, morre em todo ponto final, é apenas uma vírgula do mundo. E amor? A desculpa do tempo é prometer a paciência que nenhum soneto sabe cantar. Há muito, não há onde ir. No entanto continuas lá, e eu que só queria uma única linha tua, tenho infinitos, reticências.

domingo, 2 de outubro de 2011

Mini-poema de amor público

Vazios
todos os bancos de praça
esperam por nós.

Quando ocuparemos
nossos lugares?
Sons
ressoam
por entre as frestas
do tempo
palavras ao vento
esvaem-se pelo ar
viram vapor
condensam em nuvens
passam passam
cinzas
chovem
pontos finais

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dicionário VII

Sorrir:

Sorrir é um jeito de amar
nascendo em flor.
Sorriso é um jeito de amor
que alarga o coração.
Eu só: rio por ti.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dicionário VI

Esperar:

Te esperar é morrer
um pouco em todo hoje
só pra nascer contigo em amanhãs.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Desvio

E para que a dor
traga sempre algo de bom,
há que não se permitir
o adormecimento dos afetos da alma,
há que se permitir
o som do outro
reverberando em nós.

Diminuto

A poesia estreita
 cala o choro
revira o corpo
anseia por ti.

domingo, 25 de setembro de 2011

Partes para então voltar


Nós só temos palavras, eu disse uma vez, lembra? Só palavras. Agora eu vejo você sair assim às presas sem levar nada e deixando tudo. Tudo! Você me deixa aqui de mãos atadas, vazias, frias, fracas. Porque eu não posso te alcançar com elas. Se eu estivesse do teu lado ficaria calma tendo só teu silêncio. Mas estando aqui não! Estando aqui esse teu silêncio é só angústia e eu não aceito. Respeito, sim, mas não aceito. Aí você vem à mim com mais lonjuras e mais silêncio e eu não posso fazer nada? Isso é que triste. Isso que faz em pedacinhos a alma encolhida nesse espaço, imóvel, assistindo tua partida. Dói. Será que você pode entender que dói te ver ir? Assim, desse jeito confuso banhando em sal, em lágrimas, em cansaço.

Essa solidão toda que acreditamos em nós é superficial, somos maiores. Você tem que acreditar, temos que acreditar. Do contrário me diz como a gente vence a distância? Como a gente pode existir nesse caos? Confia que seremos sobreviventes nesse desastre do tempo sobre nossas cabeças porque há sobre elas também um céu, nosso espaço, ponto de encontro. Vai, não esquece isso. Não anoitece logo agora que as flores voltam a ter cor e eu preciso te contar do que acontece por esses lados. Não continua caindo nesse buraco negro sem fim, deixa eu te puxar daí, deixa? Há caminhos aqueles que existem apenas em nós, mas não vai por ele tão só, não me deixa também ir tão só... nessa procura vã.

Meu coração inteiro só quer que você não tenha medo do que existe aí dentro. Sei que tem muito além de força e esperança. Só me promete que volta melhor, clara e luz, no lugar certo em ti, sem doer. Não sufoca. Não deixa morrer. Não se deixa ir pra tão longe. Por favor. Por mim. Por você.

"Cuide-se bem
perigos há por toda parte
e é bem delicado viver
de uma forma ou de outra
é uma arte como tudo..."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pequeno poema de grande Amor

Quando os meus olhos te viram
pela primeira vez
os teus dormiam em sono de paz.
Eu procurei te ter nas mãos
e eras ali meu eterno peso de céu.

Quando os meus olhos te viram
pela segunda vez
bailavas pela casa como brisa urgente de primaveras,
eras ali nossa flor e jardim.

Quando os meus olhos te viram
pela terceira vez
os teus me seguravam
com a maior verdade que já ouvi
e cantavam sons daquele teu amor, assim:
sem explicação.

Desde a primeira vez
meus olhos sabiam que não faz a menor diferença
esse amor ter começado fora de mim.

Quando os meus olhos te viram pela primeira vez
o coração já sabia que era pra sempre.


Para Elícia Camilly, minha cor feliz.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Pormenor

Tu me ocultas
no peito
por assim achar seguro.
Ponho pedras sobre ti
por assim querer curar-me.
Somos um acidente
no tempo.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Allegretto

Verei
você
vindo
veloz
voraz
vencido
valsar em vão
a sóis.



Amor de um

Depois daqui é dor.
Quem ousará subverter as regras
saltar altos muros
atravessar longas pontes?

Correndo em vão por aí,
não acho minha alma
não sei onde a perdi
não sei se quero encontrá-la.

Deveria haver nesse silêncio
uma voz que me soprasse
enfeites no coração.

Vem me convencer
das nossas verdades
vem me impedir da fuga de nós: não me deixa ir.
Vem com teu verão
dizer à esse inverno
que há tempo de sermos.

Elevação

Lá,
onde mora a mulher em ti
tem mais força do que supões
mais viço
mais pele em flor,
tem mais estrada que cansaço.

Entre você, menina
e teu eu-mulher
há os mistérios
que precisas descobrir.

sábado, 17 de setembro de 2011

Re(verso)

Um gesto meu
caminha
ao encontro de nós

Somos uma questão
de verbo: acontecer

São nossos olhares
que se abraçam
como estátuas

Por ignorar o tempo,
as dores
e lágrimas
dissolvem-se no ar
ao simples toque da minh'alma
na tua.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

mi ré: dor

O vento continua balançando muito as janelas. O céu é azul e até tem sol. Mas o vento insiste em anunciar que o tempo não está bom lá fora. Não me atrevo a invadir esse território desconhecido. Sabe-se o quê fazer, para onde ir. Tem saída. Eu prometo que vou doer menos em mim. Mas promessas são feitas para não serem cumpridas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Decreto

Artigo único:

o amor não é suscetível de confirmação, 
nem convalesce pelo decurso do tempo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Compasso binário

Sete bilhões de pessoas
entretanto
entre tantos
você.

domingo, 11 de setembro de 2011

Canção do amor primaveril

Não quero que seja tumulto
maré alta destruindo avenidas.
Mas quero que seja forte
alcance-me aqui.
Quero que seja a lente
através da qual eu veja o mundo
enfeitado em cores.
Quero o voo
se o pouso for em ti.

domingo, 4 de setembro de 2011

Não há como alforriar-se da solidão
em qualquer caminho
será ela a última a nos abraçar
beijar nossa face
sussurrar em nosso ouvido
o canto das estações que se findam.

Singular

As palavras me encaram do papel:
todas riem de mim
dessa falta de precisão.
O que se derrama aqui
não traz calmaria
e no instante que passa
já não sou.

Amanhãs que não chegam
recriam dores
asperezas dos dias.
No espaço que não se preenche
a plenitude que não me alcança
é o sentido
de ser exceção.

Canto ao recomeço

Te escrevo para contar setembros. Futuro, claro, mas que já espero de portas abertas porque inspira ares frescos. E esse vento que bate na nossa cara enquanto atravessamos a rua, que faz despencar as folhas pesadas das árvores, esse mesmo vento vai trazer equilíbrio aqui pra dentro dessa casa: coração. Porque agosto deixou tudo revirado, sem espaço para mim, sem espaço para você. Não tenho planos ainda, sim, todos voaram pela janela naquela dia de tempestade, e ninguém percebeu que não era apenas chuva, enchente, rios de nós. O céu rasgou-se inteiro sobre nossas cabeças. Restou azul e destruição.

Te escrevo sentada sobre os escombros na esperança de ver derramado sobre esse papel alguma coragem. Tem que existir em algum lugar. Um estalo e pronto: nascimento, eu começo a viver. Sem caminhos certos, sem culpa. Eu quero tudo o que agosto me roubou, e a minha vingança serão flores e você, perto, dentro em mim.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Diálogos [João e Marília] XI

- João, se você estiver aí não atende esse telefone. Eu só queria te falar... queria que você soubesse que essa manhã estive andando por essa cidade, por essas ruas longas, e quis te encontrar em todas as esquinas. Eu desejei te encontrar sem saber se queria encontrar teus abraços, você, ou, se eu precisava te encontrar para me encontrar. Estou perdida, João. As tuas palavras fazem ciranda nesse ar que me cerca e eu ando mentindo ao coração. Eu tenho medo, você entende? De repente a gente acorda do sonho e já não é mais preciso olhos fechados porque vai crescendo em algum espaço oculto e de forma inesperada: nós. Então somos fixados naquele esconderijo e eu fico em silêncio assombrada pela obscuridade desse lugar. De repente a gente sonha e já é tão distante que o tempo se compadece e me dá abrigo em seus braços. Então fico aqui com tua parte de nós que agora sou, só, eu.

Queria te contar de primaveras que se abrem em pleno inverno, mas tudo que me envolve é frígido. Por que apaga teus passos do caminho, se só resta o pó das estrelas que escolhemos a nos guiar? Nos canteiros secos pedras cobrem as flores. Meus frutos são espinhos de ser(tão), e agora chove: eu não sei cuidar de mim.

domingo, 28 de agosto de 2011

(A)gramática de urgências


Quanto mais andava
mais achava pedaços seus pelo chão
e seu lugar é lugar nenhum
sob o céu azul: distante.

Me rouba
pra teus caminhos
que os meus já conduzem
a não-sei-onde
e o vento que sopra aqui
carrega os planos de felicidade.

domingo, 21 de agosto de 2011

Cruz

Carrego o peso
da tua não-existência
em mim.
E como dói e arranha o corpo
o abismo em que me lanças.
Fico a contemplar absorta, o tempo
que tem medo de nós.  

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Desacerto

Por querer-te muito
te tenho ao longe.

Essa distância
é a mais bonita poesia
sobre a qual
ainda não ouso falar.

O sentir de tua presença
diz flores
ecoam em mim
sinas da tua existência.

Escrevo para te ter aqui,
para te ter ao lado,
para te ter ao dentro,
para te ter em mim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Amor
é palavra com vida própria
oscilando entre
a luz e o breu de
nós.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

sou mais pausa
e silêncio
que música.

Estrada de chão


Não me acho em lugar algum
atropelo pensamentos
alimento medos
crio raízes só em mim.

Meu querer é um
meu agir é torto.
Tenho vontade de infinitos
mas vivo no fim.

Sofro de esperas,
Vens?

Grande, assim

O tempo da dor é solitário, cacos de vidro me escolhem para ferir. Sem espaço para páginas felizes, alegrias superficiais, só um querer: o gosto amargo do choro; o sentir afiado de cada gota nascendo e formando profundezas de mim.

O tempo da dor constrói, apenas, quando não é mortal.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Casa vazia

transbordando dentro da noite
entre paredes frias
sobra eu dentro de mim.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Falta de ar

Sopro quente de companhia me faz querer ser dona de palavras sem máscaras nascendo sem dor e crescendo por entre as vozes desafinadas de nós dois disfarçando o brio dos segundos que nos rodeiam querendo roubar nossos sonhos de hoje aqui e agora.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Notas de uma noite sem estrelas

Insuficiente a voz da palavra macia em tentar aliviar esperas, 
quando o grito que sufoca o peito é de arranhar a alma; 
quando o frio que sopra por fora é de congelar corações; 
quando tudo que se busca é apenas a liberadade de escolher 
morrer nas lágrimas de teus olhos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Canto da Estação


Minhas mãos geladas
não tinham coragem
de te sentir.

Inverno
até o coração
decide proteger-se.

domingo, 3 de julho de 2011

Antes,

Colecionando lágrimas 
pela madrugada
tudo parece durar infinitos
sem saída.

Presente

Se alcançar o céu
meu coração
em explosão de desejos
tudo vai brilhar
feito estrela
sem virar pó.
 Pra sempre

Ninguém vai negar
que a gente é feliz.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Te dou meu céu

Sua/minha Doce Melodia

Olhos de nuvem
chovem lágrimas
límpidas
mãos amparam estrelas.

O meio sorriso
espelho
e tardes de inverno
calmas de paz.

As palavras
riscam o infinito
azul.

Todo azul
me faz céu.

Um céu
teu céu
meu céu.

E a gente,
quem é a distância?


Para Gaby Soncini, minha estrela.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

De repente fica um sentimento estranho de falta,
de esgotamento, de incerteza,
de vontade de pertencer a algo ou alguém,
porque fica urgente.
Fica urgente quase virando desespero.

Todo verso
reclama alguém
que o liberte.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Virá

Quando a gente envolve de expectativas uma pessoa, o risco de ilusão é maior do que quando a gente, sem anseios ou planos, simplesmente: espera. Espera sem se importar com atrasos, sem cobrança. Espera como quem sabe que a hora certa é a hora em que você chegar.

Mas não espere por mim: eu também posso não ir, assim como você não chegou.
A palavra me escreve
por entre_linhas
tortas
sem ponto final

domingo, 26 de junho de 2011

Entre quilômetros de distância
a palavra sempre me fez sentir
sorriso do teu dia.

Cores de tinta
em um abraço.

Hoje Deus enfeita o céu de azul
para brindar
vida à você.


Parabéns, Ari!


Para Ariana, meu presente.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Buraco negro

O tempo te promete
mas eu ainda duvido.
A palavra me queima na boca
e
vazios me costuram 
na alma
saudade de você.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A palavra
é ainda só faísca
do que eu quero dizer.

Moro antes de mim,
o  que tem do outro lado
ninguém vê:
evaporo em cinzas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tenho a presença de algo em branco"

Aqui não cabe qualquer caminho
sou onde mora a espera
o grito
a palavra sem forma, sem cor, sem viço.


Na penumbra da noite
te vejo pergunta,
quando?


Saberás o tom
do meu canto mudo-desconsertado
de mãos seguras pulsando -
para o quê sou?


Aqui não cabe qualquer caminho,
sou para o salto
e
vou.


Tenho a presença de algo em branco. 
E como todos os dias não são iguais, me alimento do que tenho a perder, 
dos meus silêncios. 
Eu sei que sempre estou partindo para onde, quando. 
Sempre é aqui. Me agarro ao minuto inflado de tantos quases, 
pegado ao mar. 
A secas, engulo sílabas. 
Minhas mãos estão abertas como pássaros. 
Espero um céu que não existe.

Renato Tapado in: Nahuel

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O tempo é quem (des)gasta
a pele gélida
sedenta de abraços.

O tempo
é aqui e ali
bem grande dentro de nós.
O beijo incerto da palavra
me faz (des)caminhos
dentro da noite sem lua
só, eu
a revelação:
a mentira é minha verdade mais oculta.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ilusão

Quem tem nos olhos um coração,
não se convence com o aparente,
quer mais o outro lado.
O que é palpável é pouco,
insuficiente em tentar acalmar a alma.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Faz-se em mim, Senhor

Eu quero ser pra sempre uma criança em teu colo,
não esquecer do aconchego de teus braços,
meus olhos só em Ti.

És o melhor lugar
és onde quero habitar.

Descansar os sonhos,
longe de mim,
quero que sejam  teus.

Ser em Ti
a plenitude de um amor sem fim.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Acontece

Foi como quando a gente joga uma pedrinha em um lago e ela provoca perturbações na água que chegam até margem. Às vezes a água chega fraca e nem se consegue sentir, outras vezes o impacto é grande e assusta. 

Quando sou água viro caos além da superfície, quando fui a pedra atirada, perdi-me no fundo do lago de mim.
vou
na direção
que é refúgio
o teu abraço, Senhor.