Lembro-me que a última coisa que ouvi naquela noite foi um "eu te amo" desenhado com a minha própria voz e, talvez, por isso sem cores vibrantes, sem muito entusiasmo, sem asa, sem voo. Estávamos, cada um, na margem oposta do rio de nós, apenas, a admirar a ponte, que construída com nossas próprias mãos, tornava-se longa com o atraso de nossos "sins", ainda só pensados. Não poderia ser aqui, não aconteceria também aí, o amor só seria possível ali, na ponte. Só seria possível assim, acima de nós, livre de nossas certezas.
"Deixa-me conhecer-te", insistia pelo avesso das palavras, mas foi pouco para entender e o sentido morreu no ponto visível. Hesitei. Hesitamos o caminho da ponte por medo do real, pela fragilidade do invento. Para salvar nosso eu adiamos a flor de sermos um, perdemos a primavera de nós.

Não deveríamos construir pontes que não pretendemos de fato usar...Mas quem resiste?
ResponderExcluirLindo, lindo texto.
=)
Não deveríamos mesmo, mas somos mais teimosos que tudo nessa vida. :)
ResponderExcluirNão adianta um lado só, o encontro é no meio do caminho.
ResponderExcluir"Para salvar nosso eu adiamos a flor de sermos um, perdemos a primavera de nós. "
ResponderExcluirMeu Deus, me vi totalmente nessa frase...
Faz magia com as palavras, beijo Lisette.
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