sou onde mora a espera
o grito
a palavra sem forma, sem cor, sem viço.
Na penumbra da noite
te vejo pergunta,
quando?
Saberás o tom
do meu canto mudo-desconsertado
de mãos seguras pulsando -
para o quê sou?
Aqui não cabe qualquer caminho,
sou para o salto
e
vou.
Tenho a presença de algo em branco.
E como todos os dias não são iguais, me alimento do que tenho a perder,
dos meus silêncios.
Eu sei que sempre estou partindo para onde, quando.
Sempre é aqui. Me agarro ao minuto inflado de tantos quases,
pegado ao mar.
A secas, engulo sílabas.
Minhas mãos estão abertas como pássaros.
Espero um céu que não existe.
Renato Tapado in: Nahuel

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