sábado, 9 de agosto de 2014

lua crescente
em mim
anoitece.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

 Para Fabi, que brilha no que sou.

considerando a distância
eu me acho no direito
de pensar em ti
nos momentos mais gentis do dia
também acho um enorme absurdo
esses abraços pendurados no tempo.
falta-te a ti mesmo
não sei
como suportas
tanta ausência

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quem me guia é quem me fez

chamo por Ti
no silêncio ouço meu vazio gritar
sem entender uma palavra
a Tua glória reluz nos céus
ressoa
dentro em mim


Título:  Crombie

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Aprendendo a ser feliz com Joana



Tudo era como o barulho do bonde antes de adormecer,
até que se sente um pouco de medo e se dorme.
A boca da máquina fechara como uma boca velha,
mas vinha aquilo apertando seu coração como o barulho do bonde,
só que ela não ia adormecer.

                Joana não me permitiu adormecer. Chegou sobre mim fazendo um barulho enorme, jogando ao vento tudo que secretamente julgo ocultar.  Dentro de si Joana é solidão. Dentro da solidão Joana se faz. Fazendo a si Joana desconstrói o mundo. Buscando juntar as peças Joana me constrói no seu mundo, e por mais incrível que pareça: nos encontramos.

                Descobri em cima da chuva um milagre – pensava Joana –
um milagre partido em estrelas grossas,
sérias e brilhantes, como um aviso parado: como um farol.
O que tentam dizer? Nelas pressinto o segredo,
esse brilho é o mistério impassível que ouço fluir dentro de mim,
chorar em notas largas, desesperadas e românticas.

                Não chego a descobrir o milagre se fazendo em Joana. Mas consigo sentir o milagre se cumprir em mim a cada segundo do dia. Mesmo quando, ainda selvagem, sou a própria tempestade: “sou a onda leve que não tem outro campo senão o mar, me debato, deslizo, voo, rindo, dando, dormindo, mas ai de mim, sempre em mim, sempre em mim.”
                Quisera eu pudesse revelar a Joana o que ela própria me revelou, e trazê-la a superfície sem culpas, e deixá-la no colo de Deus.

De profundis.
Deus meu eu vos espero, deus vinde a mim,
deus, brotai no meu peito,
eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça
e eu só sei usar palavras e as palavras são mentirosas (...)

Cheia de si. Vejo Joana cheia de si, cheia de mim e cheia de Clarice. Talvez, muita pretensão querer me encontrar tão perto desse coração, mas é aí que estou. Exatamente neste lugar: perto do coração selvagem.

Tão desnecessária toda a gente


também fico me perguntando
pra que tanta gente
quando um só riso me distrai
fica mais difícil saber
quem sou longe de você?

domingo, 27 de julho de 2014

Primavera (Em pleno inverno)



Um leve vento colorido enche meu coração
Em festa, sinto despertar primaveras
Sob minha pele, pequenas flores me compõem
Navego em doces melodias.

Tento alcançar o voo no meio da tempestade
O negro céu inventa abismos profundos
Raios tentam partir meu sorriso
Cheio de sol, cheia de Deus, a vida é calma.

Ensaio belas canções
Inauguro novas danças
Sobre a mesma tela
Eu, a colorir.

Desperto do sono e vivo o sonho
Para toda cor em mim há lugar
Felicidade vai chegar.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Porto seguro

olho
e revelo
não há traço que te defina
palavras até abraçam
aprisionam o tempo
guardam tuas lembranças
um dia
a vida te oferecerá mais que esperas.


Dá vontade de morar
na tua paz
deitar meus olhos sobre ti
esquecer de mim
frente a uma porta qualquer
ser mais que um
talvez


quarta-feira, 23 de julho de 2014

no amor
o mundo inteiro é azul
árvores pessoas
animais coisas
inclusive a dor
já quase nem dói


ela também é azul.

Amor tem braços

para Sind, que me ensina a gostar de monstros.

voltou correndo
porque esquecera o abraço
nos acolhemos
de olhos fechados
quis guardá-la para sempre

o verão de nós.

sábado, 19 de julho de 2014

nunca mais nós
prometo
nunca mais nós
nem mesmo em teus cabelos
prometo
nunca mais

eu vivo para ser sol *

domingo, 13 de julho de 2014

Todos os os dias
estás a me socorrer
a ouvir o que grita em mim
silenciosamente estás a dizer
Eu Sou
enquanto a Ti me inclino
sinto Teu amor revelar
um cuidado que nem mereço.

sábado, 12 de julho de 2014

ficar no banho
até os dedos murcharem
vai pelo ralo
toda tristeza
do dia

quarta-feira, 9 de julho de 2014

queria
ter no verso a fúria
e a beleza do mar
cantando imagens que vem e vão
sem se importar com os navegantes
que podem muito bem
naufragar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Devo seguir

Eu te amo. Pronto. Abriu-se o abismo. Agora você se põe a cair dele, lentamente. Eu te amo, mas isso não adianta nada. Não adianta nada se não posso tocar ou fazer dos teus ombros almofadas. Não adianta nada se não posso contar os cílios que caem dos teus olhos quando acende uma lágrima ali no canto, ou as manchinhas que nem sei se tens nas costas. Não adianta nada se nem posso brincar com os dedos das tuas mãos, inventar dancinhas, ser bailarina. Não adianta nada ficar usando as palavras para se esconder. Essas garatujas tentando explicar o mundo que não vejo, que não sabes, que ninguém pode trazer aqui. Eu te amo. Isso não diz nada.

domingo, 6 de julho de 2014

Prova dos nove

Elícia é a prova de que
o paraíso está no outro

é com ela que voo.

A menina do sonho



quando eu for grande
quero ser uma menina
que esqueceu de acordar
porque vive no sonho
coisas muito reais.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Elícia tem o ouvido absoluto do amor


- Gosto do barulho que tu faz quando dá um sorriso.
- Que barulho, eu faço barulho?
- Assim, um barulhinho nas duas pontas...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nove anos

 Para Elícia Camilly, minha cor feliz.

acho tão bonito
você ainda sai a passear com suas bonecas
preocupada se elas sentem frio
nunca esquece a mantinha
a bolsa de lado
os olhos de menina
desfilando sonhos pela cidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Jardim



gosto das horinhas descuidadas
de quando vens sem avisar
enquanto inventas as mais divertidas aventuras
pesco borboletas dentro de ti.

Só encontro em você


Elícia é a verdade do amor
é a face do amor
a coragem no amor
a dose certa de amor todos os dias
vem de Elícia
a multiplicação do amor
em mim.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Três


a cor feliz do amor
dilui o sol
num só riso meu
se puder emprestar tua voz
a este poema
ouvirás bem
o que eu quero dizer
mas não consigo
até as formigas enfileiradas no meu caminho
sabem.

domingo, 29 de junho de 2014


a menina que brinca com o vento
ensaia suas próprias cores
distraidamente
a se pintar poema
longe do papel
terno coração.




Domingo

saudade imensa de mim
quando por ti
eu era mais que um rosto feliz

cheia de Deus.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Plateia

de um hemisfério a outro
do meu coração que sorri
ensaio canções repetidas
enquanto vocês dormem
com uma nota só
valsinhas óperas inteiras de amor.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sono, sonho

estava a gostar mais de ti
naqueles dias frios
sobretudo quando me olhavas 
desconfiada pedia
- mais um abraço, um abraço, posso?

Motivo 10

algodão-doce

a sensação de nuvem
no céu da boca.

sorria!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Legislação tributária II

a ti concederam anistia
fiquei impedida de exigir
perdão

.
você virá duas três 
não sei quantas vezes
no mover do tempo
há coragem em dizer tudo
ou mais sabedoria em calar?

domingo, 22 de junho de 2014

poema sem data
que é para não dar sinal algum
se deixo de pensar
palavra alguma me socorre
no eu-silêncio
doce confusão.
pode se aninhar
aqui eu deixo
esses versos macios
para o teu inverno aquecer.
é para não ficar na gaveta
que a ti exponho meus versos
dos mais inéditos àqueles sem data
nenhum para te conquistar
ainda.

Cheia de estrelas

amo
quando costuras o céu dos teus olhos
com esses cílios negros reluzentes
e do alto
me sorri.
soube que queria meu coração
na hora duvidei
sorri imaginando uma batalha perdida
e culpa por todos os lados.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Deixa ser

alice segue menina
ela é a minha vontade de tocar os pés
 no país das maravilhas!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

alice
quem levou o mar
para o teu país
não imaginava
o oceano inteiro
que navega em ti.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Tamanho único

cabe apenas em ti
a medida do que és.

domingo, 15 de junho de 2014

Em qualquer sentir

Para ler ouvindo Rosie and Me

Teus braços não me alcançam
tua alegria sim
a certeza de dias leves
ainda que longos

Tua voz não me alcança
teu silêncio sim
almofada nas horas secas
cheias de ti cheias

Teus pés não me encontram
tuas mãos sim
sabem a textura dos nós no cabelo
sabem o rumo da minhas linhas
perdidas dentro de ti

dentro de ti.


Tempo perdido

um medo enorme
de te ver
deixar passar
dias meses anos
quem sabe
uma hora qualquer
a gente aprende o perdão.

sábado, 14 de junho de 2014

Coração tão leve que pesou


ela sabe qua verdade existe
até convence
mas esvai.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Revelando Alice VIII

não te convenças
do país das maravilhas
pouco há nestes dias
quando ninguém vê
alice enche um mar
com o sal de si
alegrias vindas como em ondas
hora maré baixa
hora rir azul
vê cores no vento
mas não sai de si
e ainda reclama das portas trancadas!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

não me apetece te dar as mãos
trilhar caminhos medíocres
ou ser teu maior absurdo


não temos tempo bastante para ser
na dúvida
um adeus.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sumindo

Para a irmã de alma, Fabi

eu vejo
sinto
e não me calo
tem sempre
uma prece minha
por ti.

queria pendurar tua rua
ao lado da minha
unir vazios
e alma
o que é que tem?
nem sempre eu vou saber
mas não dá para esconder
amor por ti.


 soa melhor se ouvindo: Troy

terça-feira, 3 de junho de 2014

sempre o mesmo verso fatiado
querendo conter
dores repetidas

ninguém se convence.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

sinto-me obrigada
a um verso
que não se traduz

peco
pelo excesso da falta
de não ser.

domingo, 1 de junho de 2014

Dentro do teu corpo
não há tempo algum
nenhuma alegria cinza
nem mesmo quente
tua pele acolhe.

Largos dias
secas horas
não há deus algum
dentro de ti
sólidas paisagens.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Deserto

até o mar secar
em mim
ainda tenho sede.

poema em seis minutos


descobri que sendo um balão
eu posso te alcançar
você pode desenhar expressões singulares em mim
eu posso mudar de cor
a medida que vou subindo
as lembranças diluem
no ar rarefeito 
sinto o cheiro de corações partidos
rompendo-se no espaço.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

imagino tuas mãos
como pássaros
que não existem
mas riscam o papel
com uma paz inexplicável
fico a contar
o que ficou por dizer
mesmo sem entender os números
acredito
que a probabilidade de te encontrar
é tão absurda
quanto a existência desse poema.
a minha poesia
serve apenas
para chorar versos
que não podem ser
cantados na voz fina
de quem engole
a liberdade do grito
e sangra.
"você não me conta
como eu vou saber
se o pedaço de céu que encobre tua vida
é do mesmo azul
que escorre de mim?
se você não faz nem sinal de fumaça
que chance eu tenho
de decifrar teu coração, Alice?"


terça-feira, 27 de maio de 2014

É sendo em Ti
que me reconheço
pequena
a deitar versos como orações
sussurradas no calor do Teu abraço.
 

meus pés podem tocar o infinito

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Fatal

senti dor
sem ti
dor
sem ti
Tudo que o poeta não diz
grita nas linhas
abaixo do sentido
o sentir.

domingo, 25 de maio de 2014

alguém
por favor
contenha os versos
que de mim escorrem
uma pausa
com calma
porque já nem me vale respirar.
há qualquer coisa de indecente
na dor que não cessa
que te faz e que te leva
qualquer coisa de leviano
no sorriso que me sorri
há qualquer coisa de divino
no que inventas para seguir.

coisas da rainha

alice
cansada de aumentar e diminuir
longe da lagoa de lágrimas
agora é ela quem dá as cartas:
- cortem-lhe a cabeça!

sábado, 24 de maio de 2014

minha vida respira
sem firmeza 
longe do verso
minha boca condena 
sem piedade
todo verbo.
 

 
 



sexta-feira, 23 de maio de 2014

.

estes braços finos
tão fortes
essas tuas lentes de não ver
e perto de estar
precipitou um tempo que não existe.


quinta-feira, 22 de maio de 2014

O salto

eu agora
em queda
livre

você nem sabe
a dor
que dói.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Inédito

Para quem (da Academia de Letras - Ba)  respondeu meus e-mails


Mas eu não guardo surpresa
(que vira presente com local e hora marcada)
nem dinheiro
(que vira sorvete, gelado, gelado!)

imagina
se eu vou guardar poemas
só para ter um livro publicado?

Elícia quer ser princesa




mas nem precisa de coroa,
princesinha,
esse teu sorriso largo junto ao meu
vale mais que mil reinos encantados!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Legislação tributária I

pagando tributo
para habitar coração alheio
hipótese alguma
revela incidência de amor.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

procuro
mas não encontro
a porta aberta
riso e abraço
na hora certa
quem estará lá?

domingo, 18 de maio de 2014

diria aos gritos com os olhos da cor de fogo
não é meu
esse corpo jogado no canto da vida
não é meu!
onde estou?
me diz!

domingo, 11 de maio de 2014

Adivinha o quanto eu te amo

amo o jeito que o meu nome soa na sua voz
o jeito que me conta em segredo, baixinho,
"um dia eu vou te dar uma flor de presente!"

amo o jeito que você sorri
querendo me conquistar
o jeito que teus olhos
entoam cantigas de amor
sem vacilar de medo.
 
amo o cheiro alegre que você deixa na casa inteira
quando corre e segue sendo todos os heróis.

amo o jeito que você acompanha a lua no céu
e traz para perto de mim todas as estrelas
todos os sonhos 
em ternura e doce paz.


sábado, 3 de maio de 2014

Dançando contigo

Eu sinto o toque de tuas mãos
e me convidas a girar
alto
meu coração sorri em Teus passos.

Eu sinto a dança,
Tua palavra em mim
melodias, milagres, amor.

Estamos girando
sem cair
estamos girando
suavemente.

Porque me ama tanto
resgatou-me
 aqui estou
junto a Ti. 

Eu sinto a dança
Teus braços a me envolver
Tua graça a me salvar
melodias, milagres, amor.

Estamos girando
infinitamente
estamos girando 
enquanto Teus olhos
em mim permanecem.



terça-feira, 22 de abril de 2014

minha voz não tem cor
meu corpo é frígido
mas tudo em mim
dança.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sinais do mar*

depois de digeridas
certas palavras
trazem o gosto de sal na boca
nenhum pensamento
dentro da razão
nada faz sentido.



*Título do livro da Ana Maria Machado
(que navega em mim)


domingo, 20 de abril de 2014

por sobre as linhas da minha mão
não cabem versos abertos
caminho algum diz 
a certa distância de ti
até o amor
soa natural

 .
.
.

sábado, 12 de abril de 2014

Cada ponta do teu sorriso
no varal
pendura um lado da minha vida
bamba
até eu 
sol
vaporizar.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sinto muito, tanto

sei ler partitura
só
não amor

serve?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dia de festa


Quando sinto dor escrevo
costuro versos no corpo
como quem se enfeita com o mais belo vestido
queria grudar a poesia em mim.

Manuscrito

Pois veja
a vontade às vezes
é de publicar não um livro
mas uma vida
interira
na vida de alguém


sem revisão.


terça-feira, 8 de abril de 2014

brilha um sol
dentro da
SOLidão
 não aquece
não colore laranja
nenhuma mão.



segunda-feira, 7 de abril de 2014

Inimigos da cruz
choram Tua morte
eu
cheia de vazios
quero me preencher
da Tua vida.

terça-feira, 1 de abril de 2014

abril
e desagua outono
em nós secos 
 dentro dela
mar arranhado
ao longe
um brilho
num farol

isso não é mais um poema sobre amor
não?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Vermelho

no  céu da minha boca
não brilham estrelas
só
um vácuo obscuro
que não quer calar.

Não desite de mim

Ainda sujo
meu coração reconhece Tua graça
pulsa vazio
pede misericórdia

vem me socorrer!




domingo, 30 de março de 2014

Sem passos para além da fronteira

eu não vou me encontrar
nunca
mergulhei
sem saber nadar
olha, estou me afogando
neste borrão azul
vida

quinta-feira, 27 de março de 2014

Constatação

O infinito
é uma linha
que cai
sem parar

.
.
.

Depois

Escreve a lápis
amanhã não vai ser nada
sem pressa
os dias te veem passar

não vai ser nada
amanhã
escreve a lápis
solidão não é lar

vai passar
não vai ser nada
amanhã.

sábado, 8 de março de 2014

Dois pra lá

em compasso
ternário
eu

valsinha singular.

Crescente

querendo escrever
ao ritmo de colcheias
deslizo bemol
em ti

e com a altura
de teus olhos
estremeço

grave


quarta-feira, 5 de março de 2014

Meu coração é uma onda

quebrando na praia
beijando a areia
querendo curar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Não vem ninguém

perdi a paciência
os amigos os encontros
perdi a hora
o ônibus o amor
perdi o riso
entre uma piada e outra
que nunca entendo de primeira
perdi o caminho
tentando acertar
perdi o jeito de caber 
entrelinhas
restou só este poema
perdido no tempo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Menos flor

uma faísca daquele sorriso
ainda me ilumina
queria chegar afiada
cravando o verso
como faca em algum coração

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Oco é uma palavra vazia

ninguém me respondia
quantos infinitos
escondem o horizonte?

quem me olha
nos olhos vê mais que um caminho?


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Alameda das Flores


Era como se eu precisasse
lembrar de quem eu sou
do meu lugar
porque naquela avenida
ainda correm meus pés
ainda o vento sopra em meu corpo
ainda faz nós no cabelo
nas mãos

Era como se precisasse
lembrar que andar sobre andar
cada degrau ali sabe a cor perdida dos meus dias
todas as paredes têm meu cheiro
a paisagem da janela ainda é minha
o som da bola embaralhada entre os gols
dos meninos
só eu sei tocar!
esses bancos de cimento vazio
estão à minha espera

era como se quisesse lembrar
estou aqui
você não.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O lado direito

quando o sal cristalizar meu corpo
amanhã
não serei eu

o que palpita no peito
dança
nada diz

quero viver a mim
pelo avesso
vestir a cor que grassa
o verso.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Eu sei a cor do vazio

Quando chegou eu desenhava o infinito. Com a ponta do dedo dava forma ao universo inteiro, todos, ninguém me conhecia. O vazio era um lugar sem cor e longe, dava para ver a poeira cobrindo meu corpo e eu empurrava toda mão que me queria chegar. Não vou ficar aqui muito tempo, o vazio é triste e eu tenho medo de ser triste também. Olha, você me perdoa?

Quando chegou eu assistia ao vento dançar. Foi a maior conquista daqueles anos. Todos, ninguém me reconhecia. Você é o vazio de si mesma. Vem, deita aqui, eu não tenho medo, vou ficar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Diálogos [João e Marília] XVI

- A  verdade é una mas divisível, como o amor, Marília, esse que te causa medo. Esse que colocas tão distante quando o tens ao alcance de um abraço. O que você faz, também, sozinha, com tanto amor nas mãos, com tanto amor escorrendo de ti, com tanto amor perfumando teus cabelos? Me diz!


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fazia um tempo bom

era tanto mar
dentro de mim
sinto dores incuráveis
que medo de ser horizonte.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Eu não tenho sete vidas

Aqueles poemas nunca escritos deram de despertar todos de uma só vez. Andaram a me perseguir, gritam meu nome pelas ruas em plena manhã. Dou passos largos, evito correr mas continuo suando muito. Eles não param, velam meu sono e quando percebo: sonho. Estou no topo da escada, eles me puxam pelo braço. O abraço. Grito. Não pode ser. Choro. Acenderam a luz, vasculharam todo meu quarto mas não tinha ninguém. Corria um rio, eu era salgada e sangrava das mãos. Todos cheiravam como o vazio e cantavam enquanto eu dormia segurando a mão que dizia adeus. Tão longe.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Diálogos [João e Marília] XV

- A verdade não é saudável. Não quando digerida assim, João, sem companhia. Não quando nem mesmo pode me salvar.
- Mas a verdade brota de ti sem que disso você tenha controle. Eu sinto o cheiro dela na sua voz, não faça disso pouco, Marília. A mentira não terá por ti misericórdia. Renda-se!

sábado, 30 de novembro de 2013

Motivo 9

tem uma casquinha de sorvete no céu, vê?
sorria!

domingo, 24 de novembro de 2013

Esconderijo

Construí poemas
para te guardar
verso sobre verso
ergui lugares altos
longínquos

A queda
foi inevitável
não se culpe

Ao me levantar
nas linhas
em desatino
a vida será outra estrofe
líquida
escorrendo de minhas mãos
em der(rota)
um sopro de sacrifício.