No entanto continuas lá. Já não ouso calar o silêncio porque já é outra a dor que invade e me quer levar. Passa. As mãos calejadas esperam o nascimento de palavra qualquer que surja como vulcão em partículas quentes e que aqueça, mesmo em morte, pois é então que começo a viver. Não julgues o que não acontece, é vão. Olhos que não veem nem sentem o princípio das lágrimas.
O poeta é quem transforma solidão em poesia pra não doer em si. Mas esta sou eu: apenas uma alma inquieta em um corpo à deriva. Minha palavra não tem força pra salvar, morre em todo ponto final, é apenas uma vírgula do mundo. E amor? A desculpa do tempo é prometer a paciência que nenhum soneto sabe cantar. Há muito, não há onde ir. No entanto continuas lá, e eu que só queria uma única linha tua, tenho infinitos, reticências.

É preciso o fim, para completar as coisas que não serão.
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