segunda-feira, 31 de março de 2014

Vermelho

no  céu da minha boca
não brilham estrelas
um vácuo obscuro
que não quer calar.

Não desite de mim

Ainda sujo
meu coração reconhece Tua graça
pulsa vazio
pede misericórdia

vem me socorrer!




domingo, 30 de março de 2014

Sem passos para além da fronteira

eu não vou me encontrar
nunca
mergulhei
sem saber nadar
olha, estou me afogando
neste borrão azul
vida

quinta-feira, 27 de março de 2014

Constatação

O infinito
é uma linha
que cai
sem parar

.
.
.

Depois

Escreve a lápis
amanhã não vai ser nada
sem pressa
os dias te veem passar

não vai ser nada
amanhã
escreve a lápis
solidão não é lar

vai passar
não vai ser nada
amanhã.

sábado, 8 de março de 2014

Dois pra lá

em compasso
ternário
eu

valsinha singular.

Crescente

querendo escrever
ao ritmo de colcheias
deslizo bemol
em ti

e com a altura
de teus olhos
estremeço

grave


quarta-feira, 5 de março de 2014

Meu coração é uma onda

quebrando na praia
beijando a areia
querendo curar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Não vem ninguém

perdi a paciência
os amigos os encontros
perdi a hora
o ônibus o amor
perdi o riso
entre uma piada e outra
que nunca entendo de primeira
perdi o caminho
tentando acertar
perdi o jeito de caber 
entrelinhas
restou só este poema
perdido no tempo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Menos flor

uma faísca daquele sorriso
ainda me ilumina
queria chegar afiada
cravando o verso
como faca em algum coração

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Oco é uma palavra vazia

ninguém me respondia
quantos infinitos
escondem o horizonte?

quem me olha
nos olhos vê mais que um caminho?


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Alameda das Flores


Era como se eu precisasse
lembrar de quem eu sou
do meu lugar
porque naquela avenida
ainda correm meus pés
ainda o vento sopra em meu corpo
ainda faz nós no cabelo
nas mãos

Era como se precisasse
lembrar que andar sobre andar
cada degrau ali sabe a cor perdida dos meus dias
todas as paredes têm meu cheiro
a paisagem da janela ainda é minha
o som da bola embaralhada entre os gols
dos meninos
só eu sei tocar!
esses bancos de cimento vazio
estão à minha espera

era como se quisesse lembrar
estou aqui
você não.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O lado direito

quando o sal cristalizar meu corpo
amanhã
não serei eu

o que palpita no peito
dança
nada diz

quero viver a mim
pelo avesso
vestir a cor que grassa
o verso.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Eu sei a cor do vazio

Quando chegou eu desenhava o infinito. Com a ponta do dedo dava forma ao universo inteiro, todos, ninguém me conhecia. O vazio era um lugar sem cor e longe, dava para ver a poeira cobrindo meu corpo e eu empurrava toda mão que me queria chegar. Não vou ficar aqui muito tempo, o vazio é triste e eu tenho medo de ser triste também. Olha, você me perdoa?

Quando chegou eu assistia ao vento dançar. Foi a maior conquista daqueles anos. Todos, ninguém me reconhecia. Você é o vazio de si mesma. Vem, deita aqui, eu não tenho medo, vou ficar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Diálogos [João e Marília] XVI

- A  verdade é una mas divisível, como o amor, Marília, esse que te causa medo. Esse que colocas tão distante quando o tens ao alcance de um abraço. O que você faz, também, sozinha, com tanto amor nas mãos, com tanto amor escorrendo de ti, com tanto amor perfumando teus cabelos? Me diz!


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fazia um tempo bom

era tanto mar
dentro de mim
sinto dores incuráveis
que medo de ser horizonte.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Eu não tenho sete vidas

Aqueles poemas nunca escritos deram de despertar todos de uma só vez. Andaram a me perseguir, gritam meu nome pelas ruas em plena manhã. Dou passos largos, evito correr mas continuo suando muito. Eles não param, velam meu sono e quando percebo: sonho. Estou no topo da escada, eles me puxam pelo braço. O abraço. Grito. Não pode ser. Choro. Acenderam a luz, vasculharam todo meu quarto mas não tinha ninguém. Corria um rio, eu era salgada e sangrava das mãos. Todos cheiravam como o vazio e cantavam enquanto eu dormia segurando a mão que dizia adeus. Tão longe.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Diálogos [João e Marília] XV

- A verdade não é saudável. Não quando digerida assim, João, sem companhia. Não quando nem mesmo pode me salvar.
- Mas a verdade brota de ti sem que disso você tenha controle. Eu sinto o cheiro dela na sua voz, não faça disso pouco, Marília. A mentira não terá por ti misericórdia. Renda-se!

sábado, 30 de novembro de 2013

Motivo 9

tem uma casquinha de sorvete no céu, vê?
sorria!

domingo, 24 de novembro de 2013

Esconderijo

Construí poemas
para te guardar
verso sobre verso
ergui lugares altos
longínquos

A queda
foi inevitável
não se culpe

Ao me levantar
nas linhas
em desatino
a vida será outra estrofe
líquida
escorrendo de minhas mãos
em der(rota)
um sopro de sacrifício.