sábado, 26 de maio de 2012

A música em mim


Talvez nasçam dos meus dedos todas as repostas que preciso. Todo o aconchego virá deles. Antes da música, antes dos sons, meus dedos falam no silêncio, e buscam por mim. O inteiro de mim, o completo, a substância. O que emerge é a harmonia dos mundos: o meu mundo e todos os outros. É uma profusão de sentires clareando meus olhos, soerguendo flores pelos poros, como pássaros em revoada.

Talvez nasçam dos meu dedos a Alice que quero ser. E talvez ela cante o azul de mim. E, talvez, a gente não seja vazio, nem abismo. Mas ninguém dirá de nós.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Das perguntas sem(?) resposta II

Aí eu desisto e vou embora pra sempre, pra sempre até quando?

domingo, 13 de maio de 2012

Das perguntas sem(?) resposta

Por que o nada queima em nós?

sábado, 5 de maio de 2012

O despertar


Quando abri os olhos
vi só a escuridão dos dias,
você não estava lá.
Eu quis te ter para aquecer
as mãos que, frias,
querem conter as chuvas de mim.
Não cessa o caos que se perfaz
neste céu.
E eras a estrela que insistentemente
ainda brilhava.
Eu te apaguei,
bebi teu brilho procurando curar-me.
E dias e horas, fecho os olhos,
certifico-me dos enganos
e passo como estrangeira por nós
que não se desatam.
Não és tu, apenas,
somos espera vazia
a ampliar os espaços
doídos de solidão.
Quero agora habitar
nesse poema envelhecido de pra sempre.
Assim em nós,
Assim a sós.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Diálogos [João e Marília] XIII


- Então é disso que tens medo? Irmos juntos será a nossa morte, Marília?
- Não é por ti, sou eu...
- Somos nós, por que você esquece?
- Este amor aqui dentro é estrela incompleta.
- Aqui fora ele me queima a face.
- Esses girassóis nos teus pés...
- Os lírios em teus olhos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Contorno

O meu amor me faz mistério
de mim

oculta palavra
interrompendo
todo ritmo de fim
e volta

sedento de milagres
revela-se o corpo
incólume

declaro ser
o revés de ti
a cicatriz desse poema.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Março não trouxe as chuvas
que me prometeu,
fez-me gasta.

Vem, abril
e quebra teus encantos sobre mim
fragmentos inteiros
de um amor em fuga.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O tempo é imóvel
mas teus olhos
passam.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um dia desses

Hei de ver
olhos
beirando
o abismo
dos meus.

Porto
para
[a] mar.

domingo, 1 de abril de 2012

Dicionário IX


Verdade:

A verdade é um caminhozinho estreito por andam pés que coincidem, mãos que não se separam no susto da palavra dita; a verdade é substância que não necessita de escoras, existe e quer ser vista, no meio, ao fim; quando é silenciosa a verdade lê-se num abraço que abarca todo nosso ser.

A verdade é vermelha, da cor de teus olhos arrependidos.

Desencontros


Essa gente
Feito onda
A ir e só
Longe do meu eu-mar.

terça-feira, 27 de março de 2012

Duelo

Eu
contra mim
ninguém vence.

sábado, 24 de março de 2012

Branco

Minha alma a gritar
mas há quem
só veja silêncio.

terça-feira, 20 de março de 2012

Vejo ruir o outono em mim

O amarelar das lembranças
secas,
nuvens brancas nos olhos
de longe
o perto
desfolhar de ti.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Enquanto te escrevo

Enquanto te escrevo os carros param nos sinais de trânsito, mas meu coração não. Meu coração quase quer te revelar no tom urgente da minha voz. Enquanto te escrevo borboletas azuis voam em direção as meninas de vestido cirandando cantigas aqui no meu portão, e o relógio da igreja anuncia o tempo passar nesta tarde em que tu não estás, nem ele. Nem o tempo, que desistiu tão fácil dos nossos caminhos e anda só por aí, balbuciando que voltará certo. Enquanto te escrevo entra um vento fresquinho por minha janela e afaga meus cabelos, então eu penso com mais força em você e naquele abraço que não demos e que dói no peito quase me sufocando, não pode ser...

Enquanto te escrevo volto a fazer planos que não cumprirei, imagino se já terias tu cumprido os teus. Enquanto te escrevo eu me perco e já não sei por onde entrei e nem se quero sair disso tudo, apenas vou. Você não. Você sempre esteve aí, talvez me esperando chegar, talvez achando desnecessário que acontecêssemos. Enquanto te escrevo peço que o sonho não acabe, que a realidade nos afirme. Enquanto te escrevo imagino finais, felizes ou não.

Eu quero que um amor te floresça os pés, te aqueça as mãos, te respire, te inspire e perfume o ar com pétalas de ti. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nebulosa

meus olhos ardem
ao olhar nos teus

são negros
de abismo e de escuridão
mas piscam luz, vês?

o teu amor
em mim explode
e volta a ser meu.

meus olhos ardem
longe dos teus.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dicionário VIII

Paixão:

O sol do meio-dia que contemplamos arder em nossas mãos. De quando brindamos com sorrisos largos o que não deu pra falar. Alta estação fazendo temporada de nós.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Para o amor noturno

Quando tua alma
lua
meu ser
sol.

Porto dela

Quando voltou a caminhar pelo chão
sentiu o tempo
quentinho sob seus pés
e a segurança de,
ainda assim,
poder tocar o céu.

Em Mi(m), maior



O coração
na ponta dos dedos
e sua alma inteira
florindo Deus.