segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Do verbo inventar.

Eu te invento todos os dias. Crio histórias para mim sobre você, tento descobrir seus gostos, ouvir suas verdades, desvendar teus medos, compartilhar de teus sorrisos, minimizar tuas tristezas e responder tuas dúvidas, que são as minhas também. E são tantas que me perco nesse mar confuso, de pensamentos e palavras avulsas, ansiosos de uma resposta. Junto tudo isso aqui, na esperança de parar de te inventar, na esperança de descobri o brilho do teu olhar e nele te encontrar de verdade.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Segunda Parte do Dia


Quando as nuvens estão umas tão distantes das outras, que é impossível ver qualquer desenho no céu, não para ela. Todos os dias, o céu era seu espelho. Refletia tanta natureza, tantos sentimentos. Sorriso singelo: era mesmo, no centro, uma foca equilibrando uma bola no nariz? No fundo, olhava para o céu procurando o olhar gêmeo ao seu, refletido entre as estrelas, na esperança de encontrar um dia o Amor. Parte de um dia qualquer, sorrisos guardados para uma vida inteira.

sábado, 1 de agosto de 2009

O Apanhador de Desperdícios


Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ainda há.


Não. Eu não estou sempre zangada ou de mal com vida. Nem tenho mágoa de ninguém. É só que tenho medo. É isso, medo. De sorrir para as pessoas, de me aproximar demais, de criar laços. Tenho medo de ficar dependente, de apenas oferecer alegrias e carinhos, medo de olhar pro lado e ver que aqueles com quem dividia meus melhores sorrisos me esqueceram.
É que no meu coração há espaços vazios, e posso preencher, quero. Mas não são todos os dispostos a doar. Tenho abraços, conversas, carinhos, alegrias e sorrisos a oferecer. E a mim, alguém sente da mesma forma?

domingo, 26 de julho de 2009

O eu, diálogos


É o que me perguntas? Quem és tu? Não, não sei explicar. Acho que és mais de Sentir do que Entender. Sim, é coisa dos sentidos, sabe? SENTIMENTO. E tudo que sentes é profundo demais. Se for Felicidade, parece que vai durar eternidades, se for Tristeza, sofre tanto quanto és Feliz. Não sei como vai ser quando te aparecer então o Amor. Tem uma hora que será preciso entender, mas sei que só vais saber sentir.
És capaz de decifrar cada sorriso, cada lágrima, cada olhar, e principalmente, cada palavra, inclusive aquelas que se recusam a serem ditas. Sente pelo que é, pelo que foi, ah..., e pelo que poderia ter sido. Essa dor de não poder viver o que podias ter vivido está doendo não é? Eu sei que está. Sei também que choras sozinha à noite e tem medo de que alguém veja que sofres por isso ainda.
Só quero que você saiba uma coisa: Depois dessas noites virão dias lindos, mesmo sem Sol, a Luz que existe em você vai iluminar tudo e todos. E - é isso mesmo - vais ser feliz de novo.
Por que ‘de novo’? É que desse jeito a gente nunca vai ser feliz para sempre! Oras, eu sei que isso te abala um pouco, e me desculpe pelo que vou dizer, você parece viver na fantasia. Sei, às vezes, viajo nela com você, mas a realidade está aí, vem avisar que quando a gente procura a felicidade fora de nós ela nunca se faz presente. A Fe-li-ci-da-de está em você! Olha, eu vou repetir pra ficar bem claro: essa Luz que vejo em você traz FELICIDADE, e muita viu? Eu sinto daqui a alegria que você transborda quando deixa ela brilhar. E quer um conselho? Deixe-a brilhar para sempre.