sábado, 5 de fevereiro de 2011

No Sábado

O ônibus parou no terminal, e é aqui que a história começa. O menino entrou rápido pela porta do fundo e sentou-se estrategicamente longe da visão do cobrador. Devia ter uns oito anos, mas a vida que habitava em si parecia saber de muitas coisas para aquela idade.

Quando o ônibus começou a encher ele deu seu lugar para uma moça grávida e sentou ali mesmo, no chão. Eu vi seus olhos que olhavam o nada pela porta. Eu quis falar com ele e saber daquela tristeza que carregava, daquela desesperança que vi mergulhada no verde já sem brilho. Eu quis chorar, quis fazer alguma coisa, mas não fiz nada. Perdi o jeito de falar, a palavra, sabe? Eu fui inútil.

Desci no meu ponto. O menino até hoje segue viagem dentro de mim.

7 comentários:

  1. ooooooooooooooo
    ooooooooooooooo
    noussa,au lice

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  2. Carrego tantas pessoas dentro de mim...pessoas que como ele ainda viajam, ou ainda estão paradas no ponto de ônibus, ou ainda caminham sob a chuva.

    Adoro ler Alice . . .

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  3. :S

    Já senti algo parecido. Hoje, por exemplo, vi uma mulher carente e sua filha no colo; o olhar da mulher era de total desolação, tristeza, falta de esperança.
    Fiquei muito triste mesmo.
    O que podemos dizer ou fazer?

    É difícil.

    Beijo.

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  4. Poucas pessoas conseguem carregar outras dentro de si. Estas, geralmente são especiais.

    bjo

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O que diz seu coração?