Alice escreve como quem procura ser casa
mas se fecha em toda pausa.
Ela escreve como quem quer oferecer perdão,
como quem corre para o abrigo de um abraço.
Alice escreve para entender o tempo, ávido, de suas mãos.
Ela percorre as linhas como quem busca encontrar caminho.
Às vezes, vejo puro amor em Alice.
Tem dias, porém, nada consigo encontrar dentro dela.
Alice inventa inverno para esconder a verdade
quente
dos seus olhos negros.
Não diz, não faz o menor sentido.
Alice conta madrugadas dentro da noite.
Sabe ser cura
é a salvação contra seu próprio mal.