sábado, 30 de novembro de 2013

Motivo 9

tem uma casquinha de sorvete no céu, vê?
sorria!

domingo, 24 de novembro de 2013

Esconderijo

Construí poemas
para te guardar
verso sobre verso
ergui lugares altos
longínquos

A queda
foi inevitável
não se culpe

Ao me levantar
nas linhas
em desatino
a vida será outra estrofe
líquida
escorrendo de minhas mãos
em der(rota)
um sopro de sacrifício.

sábado, 26 de outubro de 2013

Cadeira de balanço

No quintal da Vó não tinha pitangueira nem hortinha
eu não corria descalça na terra úmida
não ficava observando as minhocas ou galinhas

O quintal era seco
sem fantasia
longe de tudo

Longe
todos os abraços
naquele mundo tão frígido

Nenhuma paz descansava no silêncio
nenhuma história acordava para mim.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Eu não vejo fim

Existe quem só veja pele
eu enxergava verso
em cada linha do teu rosto
eu encontrava caminho
em tuas mãos

Houve quem só vislumbrasse
um corpo magro e fixo neste tempo
eu te vestia poesia
e sei tuas letras
tua forma
para além do espaço.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

deitada aqui
aos pés da madrugada
eu apago o céu
com a mesma mão que desenhando sonhos
encontro a ti

depois
tateando no escuro
toco em sol
ardendo a ponta dos dedos
lambendo as lágrimas
que escorrem da lua


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Para além do infinito tem você



Para Elícia Camilly, minha cor feliz.

A julgar pelo que somos
há quem diga
você tem tudo de mim

Eu, desconfio
mas a bem da verdade
é você quem tem
o País das Maravilhas nas mãos

Um mundo mágico 
onde a infância persiste
e revela o encanto.

A julgar pelo que somos
você deveria ter vindo de mim
e veio para mim
vestida em amor
instaurando paz.

Eu te amo pelo que és, Elícia
esta forma singular
inventando a Alice
que eu desejo ser.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Num tempo de agora

uma estrela pequenina
que apertei em minha mão
furou minha pele
habitou em mim

adormeceu
sangrando lágrimas
me deixei partir

sinto tanta saudade de ser inteira.

Estes olhos, esta casa desabitada

Estes olhos que agora vejo
não são meus
resignaram-se a horizontes pequenos
não sabem mais o azul
transbordam invisíveis

Estes olhos que agora me veem
me tocam pela metade
e o frio da pele
cala toda voz

Estes olhos que agora adormecem
sonham comigo
em dois e par
singulares criaturas por trás das névoas

Nestes olhos o lugar
caos do mundo
esboço de uma paz
inventada.


sábado, 14 de setembro de 2013

Apenas um ruído

Um ruído atravessa a noite. 

Eu ainda sei cantar horas madrugada adentro
apertando o tempo para caber em mim
apertando os olhos para caber o sono 
para nascer o sonho.

Um ruído corta o céu enquanto amanheço 
banho quente quase a vapor
depois ainda sinto o sorriso 
quando ninguém vê  
ensaio danças no vazio

passos de sol.

Entarderço sem dizer uma palavra 
som inaudível dilatando espaços.

Um ruído me atravessa
ainda sou inteira
enquanto ouço
envelhecer o tempo.




domingo, 8 de setembro de 2013

Sonho real

No meu sonho eu era você. E você me dizia que estava voltando. Que a gente ia enfim aprender a dançar. Que eu não iria fugir. Que a gente não iria fugir. Que a gente ia ser. Então nós acontecíamos. No céu, no meio do jardim, nas ruas, em todas as cidades do mundo. A gente florescia. E da flor o abraço. Depois nós íamos diminuindo, pouco a pouco. Aí meu coração ficava enorme de medo e eu calava. Cada vez mais a gente sumia no meio da multidão. Eu vi que nos tornávamos pó mas depois só enxergava estrelas, guardadas embaixo da cama porque você disse serviria para espantar fantasmas. A gente não disse adeus e o vento soprava tão forte. Quando abri os olhos era uma explosão de cores, sem estrela, sem nada. Só brilho.
sob minha pele
sinto despertar primaveras.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Confissões de agosto

nem alegre
nem triste
muito menos poeta.

alice,
apenas.

e isto nem é tudo.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Avenida

atravesso
um verso
sem olhar para os lados

uma vírgula
me atropela
uma pausa que não fiz

tarde demais

envelheço uma eternidade
por sobre as linhas das mãos a minha espera.

sábado, 27 de julho de 2013

Mapa

a palavra
um labirinto

escrevo
para me perder

depois
talvez
eu me encontre
tão desconhecida
que nem farei sentido.

domingo, 7 de julho de 2013

Quem é o poema?

este poema
é uma casa
de janelas fechadas.

o teto frio
não faz estrelas

a palavra
quente
neste canto escuro
silencia a vida.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Revelando Alice VII

Alice escreve como quem procura ser casa 
mas se fecha em toda pausa. 
Ela escreve como quem quer oferecer perdão,
como quem corre para o abrigo de um abraço.

Alice escreve para entender o tempo, ávido, de suas mãos. 
Ela percorre as linhas como quem busca encontrar caminho.

Às vezes, vejo puro amor em Alice.
Tem dias, porém, nada consigo encontrar dentro dela.

Alice inventa inverno para esconder a verdade 
quente 
dos seus olhos negros. 

Não diz, não faz o menor sentido.
Alice conta madrugadas dentro da noite. 
Sabe ser cura 
é a salvação contra seu próprio mal.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Marcatto

a verdade
em valsa

a mentira
não sabe o passo

eu
fora do ritmo
resisto à dança.

Pequena

gosto da poesia
que anda de ônibus
e sente a vida da janela

daquela
que sentada na calçada
deixa chover
e canta

gosto da poesia
que se faz em mim
quando nada acontece

daquela
que me rasga o peito
junta meus cacos na mão


e me sopra ao vento.

domingo, 2 de junho de 2013

Ouve

a verdade quente
na ponta da língua
diz