segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dicionário V

Silêncio:


ao longe, dentro de uma noite qualquer, silêncio é o papel me esperando florir palavras; é pôr-do-sol vermelho sorrindo o coração. Silêncio é o toque do olhar sobre a pele causando afagos; é azul. O céu cantando estrelas faz silêncios.

Silêncio é quando só faz barulho dentro da gente.

domingo, 29 de maio de 2011

Disfarço o tempo com ensaio de poesia
canto a espera por ti em palavras
talvez, então, seja a distância
a ponte entre nós.

sábado, 28 de maio de 2011

Cansa

Cansa, o caminho a passos curtos
de quando parece não haver avanços
de quando um corpo inteiro carrega uma alma pesada
ou, de quando tudo que quis ser, faz-se um nada.
É como se eu soubesse,
ainda estou muito distante de mim.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Diálogos [João e Marília] X

- Quem faz você fugir Marília? Me diz quem rouba você assim do meu colo e te leva onde eu não sei chegar? Se pudesse, alcançaria você e não te deixava partir. Acho que amor, também é um pouco disso, sabe, um não-deixar-ir. Fica que a gente aprender um jeito novo de se edificar, eu diria. Fica porque tudo isso que a gente sabe como certo, pode ser um nada, e então nós vamos encontrar, juntos, uma forma de ser.

- Fujo de mim, dos pensamentos que me atropelam e me fazem querer parar. E ninguém pode ser salvação. Sou eu, a única esperança.

- Mas deixa eu ir contigo, deixa eu mostrar que o amor sabe sim, o caminho do nosso abraço.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mergulho

Tenho algo para te dizer, mas você tem que me prometer que vai ter paciência.  É algo muito grande. Sei que demorei a descobrir, mas agora tenho certeza que deve ser compartilhado. Eu me convenci, não sei se chegarei a esse ponto com você. Pode ser minha salvação. Pode ser semente de nenhuma flor, e eu fique aqui esperando brotar. Cada palavra vai sair da minha boca no tempo exato. Cada uma tem um tempo certo. Mas eu nem sei mais quão certo é o tempo. Tempo. O que é mesmo isso? Uma vez você falou que tempo era o vento soprando gente grande dentro da gente. Eu achei engraçado, mas só agora entendo. Porque foi hoje que ouvi o vento soprando, fazendo o coração burilar sem ter medo de dizer: Eu te amo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ponto de luz
ilumina o ceú escuro
enquanto a gente sorrir amores.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

fez-se claro o dia, aquele dia
fosse você eu dizia:
fica, amor.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Inalcançável

Concentro-me mais na possibilidade do que não é visível
quero pegar com os olhos cada detalhe do horizonte que se impõem
importa, mais tarde saberei o que essa distância me diz
e aqui, isso não é lágrima, é um pedaço meu nascendo pra fora.

domingo, 10 de abril de 2011

Baile Adiado

Eu nunca dancei.
E na verdade, não sei sei dançar. 
Mas hoje eu tive uma vontade enorme
de deixar a música embalar meu ser. 
Tive uma vontade enorme
de acompanhar esse ritmo que toca,
você está ouvindo? 
É a música da minha vida,
é sempre a mesma,
mas nunca me permiti dançar. 
Não ainda.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para acalmar o coração


Quero gosto de céu
cobertura de vento fresco
desfazendo nós.

domingo, 27 de março de 2011

Revelando Alice

Gosto mais dessa Alice que se exala pelo papel. Prefiro esse seu jeito equilibrado entre vírgulas, esse seu entusiasmo por exclamações. Tenho carinho por essa Alice sedenta por plural, e sua maneira delicada de dizer adeus, nunca mais. Gosto, inclusive, da sua forma simples de ser complexa. Do seu sorriso indecifrável pra dentro, do seu olhar que grita palavras jamais dizíveis por mim.            

Sou mais perto da Alice versada, mesmo sem rimas. Ela tem um jeito esquisito de estar entre flor e espinho sem doer. Prefiro-a assim, bordando sentimento com linhas de intensidade, fazendo sonhos com a mais pesada nuvem.            
Gosto mais dessa Alice sem rumo aparente que ignora todas as regras. Ligeiramente arrisca um ponto final. Mas sempre continua.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Chegando a mim

Não há, nem me lembro de ter existido lembranças, nem ao menos desilusão, apenas algumas poucas borboletas esvoaçantes ainda brincam por ali. Há um corpo cansado de esperas, mas uma alma ainda vibrante por acontecimentos grandiosos. Há mãos que insistem em confiar, mas que também dificilmente perdoam. E perdoar não é esquecer. Perdoar é abrigar o pensamento sem fazer o coração doer, é transformar a ferida em uma porçãozinha que seja de crescimento.             

É o acolhimento do não como única resposta possível que faz um caminho sem foco, uma liberdade entre paredes rígidas de auto-segurança. Eu, repleta de mundos unívocos. Confesso, houve um desfazimento da rota que tracei, mas um dia voltarei a mim, e você estará lá, com mãos de porto, meu sinal de cais.

terça-feira, 22 de março de 2011

Passou, vai passar

Olhando daqui fica tudo tão minúsculo,
essa vontade de não ir
o (des)gostar
o não amor
a falta, até.

É que diante da tua presença
só o sentir basta,
e aquelas coisas que tentam me atropelar ficam insignificantes

porque tua presença entre os dias cinzas
me enche de sol

sexta-feira, 18 de março de 2011

Em resposta

Quanto não falo, quando não sai palavras, não é por falta de sentir, é mais por defesa, uma questão de não querer o risco, de mentir pra mim mesma e fingir acreditar que não dói. Pensei, fosse capaz de entender meus silêncios, pois é aí quando mais vazo palavras, é aí quando mais grito por socorro, por alguém que me salve do que me tornei.

Nada em mim é mais constante que essa vontade de não ser envolvida. Não é um querer, mas quando percebo já me privei de laços, já me pus de escanteio. Nem é preciso que entenda, ou que aceite a mudez, pois até a mim isso causa estranhamento. Quem sou na verdade? Quis saber não me perder de mim. Continuo vagando por labirintos, acabei ficando só, e não sei, tenho a sensação que será assim. Não é fácil, não sou fácil. Se fosse possível parar, eu já estaria a muito no meio do caminho. Talvez eu esteja, mas ainda não me dei conta do atraso.

Descompasso


Sem sinal de como prosseguir no andar
Teu caminho, menina
Teu caminho é onde toca o ritmo de teu coração.

Sem mapa e com solidão
Teu caminho, menina
Teu caminho é lá onde brilhem teus olhos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Diálogos [João e Marília] IX


Passa perto o fio que liga os dois
E quando acende a luz os dois éramos nós
No brilho certo a gente já era capaz
De desenhar um traço sem ponto final "

- Descobri que sou cheia de infinitos. Isso me sufoca em muitos instantes, e parece me carregar pra onde não quero. Eu não consigo achar o meu lugar, você entende, João?
- Mas você não vê que o infinito somos nós? Que seu lugar é em mim?
                 



terça-feira, 1 de março de 2011

Ao sabor da manhã

eu rabisco o sol que a chuva apagou"


giz - legião urbana

Nota, sobre a dona do coração


Escrevo a palavra
pra quando futuro
eu lembrar que sou também,
passado.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Despedida

Quis conter as lágrimas, mas não é uma coisa fácil. Choro sem precisar de esconderijos. Desaguo em qualquer mar. Depois do meio abraço, sentada sobre a coragem e a solidão que me restou: chorei. Chorei e enquanto chorava, chovia forte. Um céu ao meu alcance. Procurei motivos para não cessar jamais o choro. Ficaria assim por um a vida inteira, segura em minha fragilidade.

Quando enfim virei mar, tive vontade de contar toda minha vida ao primeiro estranho que aparecesse ao meu lado. Foi quando percebi que estava só, ali.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lembrete embaixo da porta

Você me diz : espera

*