domingo, 31 de março de 2013

A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Cheguei mesmo a pensar que esse seria mais um livro de leitura abandonada, não é que a história seja ruim, no início inclusive, eu comecei a ler bem entusiasmada e até arranjei umas conversas bem legais por conta dele, além de uma versão em quadrinhos do livro, o que significa muito, já que eu sou o tipo de pessoa que usa livros e fones para se perder do mundo, para se esconder das pessoas, para não precisar falar, nunca. 

Os animais protagonizam a história que acontece em torno da Granja do Solar, na Inglaterra, onde os bichos propõem uma revolução que instauraria a tão sonhada liberdade, queriam o fim da submissão aos homens. A mensagem de revolução é passada por um porco, o velho Major, animal mais respeitado de toda a fazenda, e abraçada pelos outros porcos, considerados a “intellingentsia do mundo animal”. Responsabilizam-se por manter o ideal de revolução vivo e, mais que isso, por construírem o que seria a sociedade ideal, próspera, onde todos os bichos seriam iguais, ajudando uns aos outros mutuamente e livres da submissão ao gênero humano, afinal: Quatro pernas bom, duas pernas ruim.

O acontece no plano real, no entanto, não foi bem o que todos os animais sonharam ao ouvirem, naquela noite inspiradora, o velho Major. E mesmo naquele ambiente de medo e insegurança que com o tempo se instaurou na Granja, os animais continuavam acreditando que aquele tempo ainda era melhor que o de Jones e o essencial era evitar que os humanos retornassem ao controle. E então, eu que pensei em desistir do livro, até fiquei um tanto emocionada quando o cavalo Sansão foi levado da fazenda (boba, podem dizer!):

“ “Camaradas! Camaradas!”, gritavam. “Não levem um irmão para essa morte!” Porém os brutos, estúpidos, ignorantes demais para entender o que acontecia, limitaram-se a murchar as orelhas e apertar o passo. A cara de Sansão não reapareceu mais na janela. Alguém pensou em correr à frente e fechar a porteira das cinco barras, mas era tarde demais, pois logo o carroção atravessava a porteira e desaparecia rapidamente na estrada. Sansão nunca mais foi visto.” 

O livro é visivelmente uma sátira sobre o período de ditadura stalinista, o jogo das palavras é simples, certeiro, não encobre, é a verdade nua e crua mesmo, doendo a quem doer. Mesmo com toda ambientação política que o livro traz e faz pensar, o que em mim ficou foi um trecho lá do início, que chega a dar um nó na cabeça se parar para pensar muito: será essa a ordem natural das coisas? Não só o espaço político, o poder, mas as pessoas mesmo, a visão de mundo, o certo, o errado... Desculpem, mas eu não acredito em revolução alguma, nunca acreditei, e se a única viável é o amor, tem dias que mesmo essa parece impossível de acontecer, mas não deixem de acreditar também, né, quem sabe... 

“A República dos Bichos, que o Velho Major havia previsto, quando os verdes campos da Inglaterra não mais seriam pisados por pés humanos, era coisa em que ainda acreditavam. O dia havia de chegar. Podia ser mais cedo ou mais tarde, talvez não acontecesse durante a vida de nenhum dos animais de então, mas havia de chegar.”
           
           

Um comentário:

  1. Esse livro inteiro me deu uma agonia danada. Dá uma vontade de sacudir os personagens e dizer: ei! vocês não estão vendo o que está acontecendo de verdade? Mas, ao mesmo tempo - guardadas as proporções -, quantos de nós, hoje em dia, entendem de política e não simplesmente se deixam levar?
    Fico muito feliz que você não tenha abandonado o livro, para eu poder te ler! Acho que esse mês, com o Benedetti, você deve se sentir mais à vontade, já que é mais poético, né?
    beijo!

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