Preciso respirar ao ler cada palavra para que cada uma ocupe seu lugar em mim. A pulsação dos pontos, a respiração dos medos nas vírgulas, a textura das frases soltas que de longe não fazem qualquer sentido, fazem sentir. Uma vida e tem tanto a me dizer, mas não ouço, insisto com a palavra que não acredita, com o verbo que não age, insisto. O tempo corrido, as horas marcadas, os minutos suaves do não-dizer, o cheiro incontestável do sorriso que se exala por dias entre os objetos que enfeitam a casa, o livro que nem foi lido ainda, a carta que espera ser postada.
Uma vida aparando as arestas das rimas desfeitas. É um tanto aterrorizante ver que indiferente ao mundo, a par da multidão que nem se esbarra lá fora, aquele meu pedaço de vida seguiu sem mim. Continua. Que susto me virá levar outra vez? Quem me trará de volta? A tua vida ou a minha?
Uma vida, mas se parece com um poema que o coração suplica para ser escrito. Tudo me inclina a dizer adeus enquanto os olhos proclamam a paz de ficar.

A paz vai ser encontrada, no adeus e no ficar, nos dois, há de ser.
ResponderExcluirBeijos flor-estrela.
Escrevo como pedido de socorro aos olhos que jamais desconfiarão de que eu nunca soube nadar neste mar da vida.
ResponderExcluir