domingo, 9 de setembro de 2012

Ir embora


Um dia acordei e era um amor tão grande que não cabia no corpo, nem comigo, quentinho, embaixo do cobertor cheio de cores que me aquece durante o inverno. Tão grande que não coube na bolsa, não coube nas mãos, não me viu chorar.

No meio da manhã esse amor cresceu tanto que não coube na distância, nem na folha em branco. Não ficou em nenhuma palavra.

Mas era um amor tão líquido no final da tarde, que cheguei a molhar os pés e refrescar o rosto. Suave, conheceu minha pele respirando medo.

Foi um lampejo à noite, o amor. De repente, num clarão, eu me descobri escuros. 

Era uma amor tão grande que deixei ir.



4 comentários:

  1. O amor não obedece à escala humana?
    O amor que cabe em si quer caber em nós, tem que caber à nós.
    Lindo texto... Me fez lembrar os "Fragmentos de um discurso amoroso", do Roland Barthes.
    :)

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    1. Não obedece, Raul, mas bem sabe de si. É simples e bonito. :))

      Já li algo sobre esse livro e uns trechos, bom você ter lembrado, agora tenho mais motivos para começar essa leitura. (risos)

      Abraço de poesia.

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  2. Pensamentos meus enquanto lia esse texto teu: (Linda, linda, Alice... Tão linda...)

    Preciso dizer mais nada. Doce.

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