domingo, 4 de setembro de 2011

Canto ao recomeço

Te escrevo para contar setembros. Futuro, claro, mas que já espero de portas abertas porque inspira ares frescos. E esse vento que bate na nossa cara enquanto atravessamos a rua, que faz despencar as folhas pesadas das árvores, esse mesmo vento vai trazer equilíbrio aqui pra dentro dessa casa: coração. Porque agosto deixou tudo revirado, sem espaço para mim, sem espaço para você. Não tenho planos ainda, sim, todos voaram pela janela naquela dia de tempestade, e ninguém percebeu que não era apenas chuva, enchente, rios de nós. O céu rasgou-se inteiro sobre nossas cabeças. Restou azul e destruição.

Te escrevo sentada sobre os escombros na esperança de ver derramado sobre esse papel alguma coragem. Tem que existir em algum lugar. Um estalo e pronto: nascimento, eu começo a viver. Sem caminhos certos, sem culpa. Eu quero tudo o que agosto me roubou, e a minha vingança serão flores e você, perto, dentro em mim.

2 comentários:

  1. adorei a vingança para o que restou. "Restou azul e destruição". isso me lembra aquela música da legião urbana: Rabisco o sol que a chuva apagou...

    nada mais sincero e bonito! :)

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