Que gostava de invernos, era a única coisa que se sabia a respeito do morador da rua número um. Eu sabia pouco sobre ele, mas talvez, bem mais do que outros moradores daquela rua e até mesmo mais do que ele. Uma coisa difícil de imaginar era aquele morador com outras pessoas, dizia-se que ele tinha tendências, tendência a solidão, mas nunca concordei com essa impressão a respeito dele, apesar de ainda assim considerá-lo um típico solitário.
Todos os dias de inverno exatamente às quatro da tarde, o morador da rua número um passeava pelo quarteirão com suas roupas sem cores, seu andar calmo e até tranqüilo, suas mãos presas ao corpo, e seu coração. Acho que era seu coração a roupa mais colorida que ele vestia, ele tinha ares de quem era feliz, discretamente feliz, mas isso só mesmo eu achava. Eu era a intrusa que passeava com meu olhar junto com ele, por vezes me perguntei o que queria eu observando-o, mas nunca soube a resposta. Eu gostava de desvendar mistérios, talvez por isso sempre quisesse conhecer de verdade quem era aquele homem, mas vestia pela metade a roupa da coragem e me conformava assim, sendo só uma intrusa.
Nunca me foi possível ver os olhos do morador da rua número um, quem disse ter visto contava que ele parecia não ser daqui, diziam que ele tinha um olhar diferente, como se estivesse sempre procurando por algo, um olhar distante, e que às vezes ele parecia ver dentro das pessoas, e em outras, parecia estar olhando dentro de si. Jamais julguei falsas essas informações, muitas até cabiam ser verdades. Eu acreditava saber o que o olhar dele procurava: outros olhares. Outros olhares com os quais pudesse compartilhar o seu, mas como não os encontrava, procurava dentro de si sua própria companhia, acho até que ele a encontrou.
E foi em uma tarde típica de inverno que ele saiu para um de seus passeios solitários e nunca mais retornou à sua casa, na rua número um.
Todos os dias de inverno exatamente às quatro da tarde, o morador da rua número um passeava pelo quarteirão com suas roupas sem cores, seu andar calmo e até tranqüilo, suas mãos presas ao corpo, e seu coração. Acho que era seu coração a roupa mais colorida que ele vestia, ele tinha ares de quem era feliz, discretamente feliz, mas isso só mesmo eu achava. Eu era a intrusa que passeava com meu olhar junto com ele, por vezes me perguntei o que queria eu observando-o, mas nunca soube a resposta. Eu gostava de desvendar mistérios, talvez por isso sempre quisesse conhecer de verdade quem era aquele homem, mas vestia pela metade a roupa da coragem e me conformava assim, sendo só uma intrusa.
Nunca me foi possível ver os olhos do morador da rua número um, quem disse ter visto contava que ele parecia não ser daqui, diziam que ele tinha um olhar diferente, como se estivesse sempre procurando por algo, um olhar distante, e que às vezes ele parecia ver dentro das pessoas, e em outras, parecia estar olhando dentro de si. Jamais julguei falsas essas informações, muitas até cabiam ser verdades. Eu acreditava saber o que o olhar dele procurava: outros olhares. Outros olhares com os quais pudesse compartilhar o seu, mas como não os encontrava, procurava dentro de si sua própria companhia, acho até que ele a encontrou.
E foi em uma tarde típica de inverno que ele saiu para um de seus passeios solitários e nunca mais retornou à sua casa, na rua número um.

Oi, Alice!
ResponderExcluirCreio que todos carregam dentro de si um certo morador da Rua Número Um. São nas invernadas quando mais buscamos olhares cúmplices e mãos solidárias, porém nem sempre encontramos.
Muito obrigada pela sua gentil visita. Também gostei muito do seu blog e certamente voltarei.
Beijo,
Inês
Voltei para dizer que a imagem é tão exata quanto bela. Parabéns!
ResponderExcluirBeijos,
Inês
manoel de barros é sempre lindo. adoro aquele poema!
ResponderExcluirbrigada pela visita, volte mais!
um beijo.
Acho que se não tomarmos cuidado podemos virar um morador da rua número um, virar homem concha.
ResponderExcluirLembro de você da comunidade do Caio, certo? Eu fiquei de voltar e colher os blogs de lá, mas acabei esquecendo; ainda bem que fez isso por nós, rs. Tamos seguindo aqui também. Espaço super bonito e aconchegante! beijo,
Rodolpho.