Daqui, o que assusta é o movimento tão acelerado,
Da gente passando, da gente parada, da gente sem nada.
Do que não é uniforme, não é contínuo, uma gente variada.
Aqui, quase ninguém viu ontem como o sol se pôs em um enorme alaranjado,
Não sentiram o voar de leveza, na dança das andorinhas no céu,
Nem perceberam o quadro escuro iluminado.
De lá, eles nem me viram quando encarei,
Não suspeitaram o que imaginei.
De onde vêem?
Para onde vão?
O olhar ainda assustado, o sentimento amargo e apertado,
De ver a gente dormir despreocupada,
Gente da esperança adormecida, da conformidade acomodada.
De lá, correm tanto para um fim,
Mas amanhã tem recomeço.
O que me assusta é andarem em um movimento retardado tão acelerado,
O que me assusta, é eles não estarem assustados,
O que me assusta, é ir com eles,
Não sendo daqui, não sendo de lá.
Olhando de outra janela...

Ai, que lindo isso!
ResponderExcluir"Gente da esperança adormecida, da conformidade acomodada."
Parabéns!