domingo, 26 de fevereiro de 2012

Enquanto te escrevo

Enquanto te escrevo os carros param nos sinais de trânsito, mas meu coração não. Meu coração quase quer te revelar no tom urgente da minha voz. Enquanto te escrevo borboletas azuis voam em direção as meninas de vestido cirandando cantigas aqui no meu portão, e o relógio da igreja anuncia o tempo passar nesta tarde em que tu não estás, nem ele. Nem o tempo, que desistiu tão fácil dos nossos caminhos e anda só por aí, balbuciando que voltará certo. Enquanto te escrevo entra um vento fresquinho por minha janela e afaga meus cabelos, então eu penso com mais força em você e naquele abraço que não demos e que dói no peito quase me sufocando, não pode ser...

Enquanto te escrevo volto a fazer planos que não cumprirei, imagino se já terias tu cumprido os teus. Enquanto te escrevo eu me perco e já não sei por onde entrei e nem se quero sair disso tudo, apenas vou. Você não. Você sempre esteve aí, talvez me esperando chegar, talvez achando desnecessário que acontecêssemos. Enquanto te escrevo peço que o sonho não acabe, que a realidade nos afirme. Enquanto te escrevo imagino finais, felizes ou não.

Eu quero que um amor te floresça os pés, te aqueça as mãos, te respire, te inspire e perfume o ar com pétalas de ti. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nebulosa

meus olhos ardem
ao olhar nos teus

são negros
de abismo e de escuridão
mas piscam luz, vês?

o teu amor
em mim explode
e volta a ser meu.

meus olhos ardem
longe dos teus.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dicionário VIII

Paixão:

O sol do meio-dia que contemplamos arder em nossas mãos. De quando brindamos com sorrisos largos o que não deu pra falar. Alta estação fazendo temporada de nós.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Para o amor noturno

Quando tua alma
lua
meu ser
sol.

Porto dela

Quando voltou a caminhar pelo chão
sentiu o tempo
quentinho sob seus pés
e a segurança de,
ainda assim,
poder tocar o céu.

Em Mi(m), maior



O coração
na ponta dos dedos
e sua alma inteira
florindo Deus.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Motivo 1

Borboletas na barriga,
nos olhos,
nas mãos,
no corpo todo:
e você já quase pode voar.
Sorria!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Eu vi o amor, deles

Eu vi o amor. Sim, ele esteve aqui. Brilhava nos olhos e no sorriso dele. Escorria pela mãos e deixou rastros por onde seus pés caminharam. Eu vi o amor e ele era azul, terno, sereno. O amor chegou no cheiro das flores que ele trazia e nas palavras tímidas de surpresa.

Eu vi o amor em uma tarde de verão, envolvendo os dois naquela saudade cor de abraço.

Revelando Alice II

Alice não gosta de chá
e ainda não encontrou seu tamanho de ser.
Tem a chave
mas ainda não sabe que porta abrir.
Alice descobriu um sonho
na janela.
Leve, o vento o levou.
Alice, teimosa, quis seguir o sonho.
Continua
caindo, caindo, caindo...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sabor saudade

Dentro do domingo
um poema.
Dentro do poema
a lembrança
como tinta colorida
espelhando
em cor
os que longe
dos olhos
iluminam o coração.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vem e diz

Vem, e diz que jamais partirás novamente.
Vem, e diz que não voltaremos que é daqui para os caminhos além do feliz.
Vem, e diz que se pode entender o meu avesso.
Vem, e diz que o longe é aqui, amor, e ninguém nos alcançará.
Vem, e diz que não há outro jeito, senão esse ser assim do nosso jeito.
Vem, e diz que não existe espera porque já somos e
toda lua nos quer iluminar em noites de verão.
Vem, e fica aqui, assim, no meu abraço
envolvido na delicadeza dessa nossa composição em adágio,
sem dizer nada, para que o tempo nos esqueça e a gente não passe nunca.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pelo encantamento dos contrários

A palavra nasce,
amadurece dentro de mim.
Cria raízes
tenta me sufocar
quando então me rendo
ao desenho de suas formas,
ao alcance do seu querer.

A palavra me quer inteira
eu ainda não espalho ser metade
ser o meu devir.
Sigo na repetição do não-ser
a unidade da desarmonia
a fluência infinita
que encobre a cor do vento
a sombra plena do suave ser.

Eu sou a repetição particular de nós
quando adormeço lágrima, querendo cuidá-las perto de ti.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ser tão
assim
no sertão
de mim
querendo a paz
que nestes versos
não chove.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Noturna

A minha morte secreta
todas as noites
aumenta meu ser para nada
e transbordando
sou corpo insone
de olhos perdidos
em sonho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A certeza, esta clandestina"

Quantos nós em nós ficaram? Quanto de mar pra eu oceano? Quanto de azul pra eu céu? Quanto de espinho pra eu flor? Quanto de sonho pra eu realidade? Quanto mais de medo pra eu ser coragem? Quanto de lágrima pra eu rio? Quanto "lá" pra ser aqui? Quanto de incerteza pra eu ser ponto final?


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nunca fui poesia

Eu morri de tanto
ser.
nasci palavra
e nunca fui poesia.
Agora
verso seco
brotando fins.

Assim

Vestida de amor
ela é a porta
a entrada
a saída
a fuga
o lugar.

Só não ainda amor mesmo
sorridente
incurável
página em branco.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Caminho ser luar

Eu escrevo o mundo com teu silêncio
poema
de amor
em branco.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Segunda pele

Por sentir a Soberana da casa


O pesar de estar só
e ser em ti
junto só a mim
na escuridão que me reveste.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A parte que me pulsa


Levou-me
não sei quem
não sei o quê
não imagino quando.
Levou-me
sei que não terei de volta a parte que se foi
terá sido minha algum dia?
Agora apenas já não estou
aqui com este resto
que me sangra
que me incomoda
que me arde.
Levou-me
e é tudo que tenho a oferecer,
esta parte que não foi
um corpo inteiro que se dói
e não me quer.